sexta-feira, 2 de março de 2012

2 de março

Desde o domingo de carnaval, sabia que no dia de hoje escreveria este texto, com o que me viesse à cabeça. 

Como me afasatei muito do universo blogueiro, não tenho visto nada além daqueles links que a galera posta no Facebook. Então hoje, quando vim escrever, dei uma passadinha no blog do meu irmão, e assim resolvi qual o nome teria este texto.

Naquele domingo, resolvemos levar as crianças para conhecer o SESC Belenzinho, por recomendação de uma pessoa muito querida. Endereço no GPS e lá fomos nós. Pegamos a Marginal, a Salim Farah Maluf e quando contornamos quase que a quadra inteira do cemitério da Quarta Parada, meu filho perguntou o que era aquilo. Respondi que era um cemitério, um dos maiores que existe. Ele quis saber mais. 

Disse pra mim que tinha achado cemitério um lugar muito bonito, e perguntou se eu poderia levá-lo para visitar o vovô Ernani no cemitério que ele estava. Respondi que um dia iríamos, mas ele não se contentou. Questionou tudo: como se morria, como foi a morte do meu pai, como é um enterro, e quis saber se poderíamos abrir o caixão, só pra ele ver como o vovô era. Respondi a tudo chorando muito, e sob a ótica espiritualista, o pai explicou-lhe que o espírito do vovô já estava no céu, e no caixão só estavam ossos, porque os bichinhos comeram toda a carne. E eu chorando.

Ele parou, refletiu um pouco e perguntou: "Nossa mamãe, a vovó Vera é que deve ter ficado muito triste quando o vovô Ernani morreu. É triste morrer um pai, mas também é triste morrer um marido né?".

Então expliquei que a vovó e o vovô já eram separados há muitos anos quando o vovô foi embora. E foi neste momento que ele se emocionou e chorou muito. Ficou sentido, magoado. Creio que naquele momento, ele só pensava em um dia seus pais se separassem. Que a separação escolhida pelo homem dói bem mais que a separação escolhida por Deus. 

Ambas as separações dóem. Ambas precisam do seu momento de luto. A separação dos meus pais foi triste, os dois estavam infelizes juntos, e continuaram infelizes separados. A vida, com toda certeza, tinha uma missão para com eles, e espero que esta missão tenha sido cumprida.

Meus pais se separaram no dia de Natal, no ano de 1991. Não dá pra esquecer esta data. Mas também não dá pra esquecer que eles se casaram no dia 2 de março, de 1974, ano que eu nasci, e um dia depois do meu pai completar 18 anos. Desta união nasceram três filhos, e destes filhos já são quatro netos, dos quais, infelizmente, meu pai não pode fazer parte do crescimento.

Contudo tenho minhas convicções de que ele está lá, em algum lugar, vendo como ele é presente nas nossas vidas, inclusive na vida do neto que ele não conheceu, mas que eu não tenho dúvida, seria a pessoa que ele mais amaria nesta vida. 

É triste ver que há tantos avôs por aí que podem fazer parte da vida de um neto, e ver meu filho sem avô presente na sua vida, quando meu pai teria com ele a mais perfeita simbiose, a mais completa cumplicidade, pois ele é a cara de tudo que o avô gostava.

Coisas da vida, que a gente não entende, mas vai vivendo e levando...


3 comentários:

  1. Panda, chorei qdo vc disse: "a separação escolhida pelo homem dói bem mais que a separação escolhida por Deus"
    Não que seja fácil a morte, não é! Sabemos disso! Mas realmente a separação de um casal dói muito. Em qualquer idade, sob qq circunstância.
    Eu sofri, ainda sofro muito com a separação dos meus pais; minha mãe então, nem se fala. Ela vive a vida do meu pai, ainda q estejam separados, me dói muito!
    E minha sobrinha, apenas 5 anos, como sente a separação do meu irmão e da minha cunhada. Cada um "arrumou" sua vida de um jeito e a coitadinha fica ali, no meio de tudo, meio sem saber qual seu papel, qual sua familia... triste.
    Beijos pra vcs!

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  2. Nossa tadinho, imagino o desespero dele... Mas tem separação que e inevitável e ate mais saudável para as crianças. Difícil e conseguir explicar isto para eles... Lindo texto.

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  3. Amiga... só sabe o que você sentiu quem sentiu semelhante. E eu tô na posição de sua mãe... imaginando que meus futuros netos não terão um avô presente (tá vivo, mas morreu, sacomé?). E isso dói. Pela mesma frase que a Daniela citou: "a separação escolhida pelo homem dói bem mais que a separação escolhida por Deus". *respiro fundo*

    Mas, com certeza, a gente vai levando...

    Bjooo

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