quarta-feira, 13 de julho de 2011

Mesmo assim, e apesar de assim...

Durante catorze anos da minha vida, tive o prazer e a felicidade de trabalhar com os maiores executivos deste país: diretores e presidentes de empresas multinacionais de grande porte. Digo "prazer e a felicidade" não pelo fato de serem grandes executivos, mas por saber que só se tornaram os melhores por serem cabeças pensantes.

Depois de anos e anos estudando em diversos cursos de nível superior, tive a felicidade, mais uma vez, de me tornar uma educadora, e conhecer muitos educadores que fazem a diferença e valem a pena. A eles, chamei de colegas, com muito orgulho.

Infelizmente a vida não é feita só de coisas boas. De um ano pra cá, parece que recebi o desafio de conviver com mentecapitas e energumenos. Pessoas sem a menor capacidade de agir ou pensar, sem discernimento para separar o joio do trigo, e que precisam se auto promover o tempo todo para conseguir se sentir alguma coisa.

Para cada dez pessoas que passam por mim, só uma é capaz de pensar. Por quê?

Tenho em casa uma funcionária. Vinda de uma região pouco favorecida do nosso país. Chegou em Sampa há quinze anos e mal sabia ler e escrever. Trabalhando orgulhosamente como doméstica, e seu marido como porteiro, conseguiram comprar a tão sonhada casa própria. Tiveram a consciência de ter apenas um filho, para que este tivesse o melhor. O filho tem computador. Notebook. E em breve ganhará um modem para usar internet 3G. 

Dá para entender o que quero dizer? Não é o executivo apenas que pensa. Se você é empregado doméstico ou presidente de multinacional, precisa ser o melhor.

Ser o melhor é ser humilde. É estar aberto a aprender. É saber ensinar. É saber abaixar a cabeça (abaixar mesmo, de se colocar abaixo), é fazer o bem sem olhar a quem, é encenar um espetáculo sem pensar nos aplausos no final.

Fui tirada de circuito por alguns dias*. Para umas pessoas, poucos dias. Para mim, muitos dias. Nestes dias, tentei encontrar caminhos para compreender o que estou passando. E deparei-me com a história da Ana Luiza, uma pequenina de apenas sete anos que veio ao mundo para ensinar muita gente a como ser grande. Se quiser conhecer a história dela, acesse o blog da Carol, sua mamãe, criado para contar dos dez meses os quais a Aninha padeceu de um tipo raro de câncer: www.vidAnormal.blogspot.com.

Ana Luiza faleceu há seis dias. Hoje tive o privilégio de ler um dos textos mais bonitos publicados durante o padecimento desta família, encerrado por palavras de Madre Tereza de Calcutá, as quais me fizeram refletir. Espero que sirva para muitos:

"As pessoas são irracionais, ilógicas e egocêntricas.
Ame-as MESMO ASSIM.
Se você tem sucesso em suas realizações, ganhará falsos amigos e verdadeiros inimigos.
Tenha sucesso MESMO ASSIM.
O bem que você faz será esquecido amanhã.
Faça o bem MESMO ASSIM.
A honestidade e a franqueza o tornam vulnerável.
Seja honesto MESMO ASSIM.
Aquilo que você levou anos para construir, pode ser destruído de um dia para o outro.
Construa MESMO ASSIM.
Os pobres têm verdadeiramente necessidade de ajuda, mas alguns deles podem atacá-lo se você os ajudar.
Ajude-os MESMO ASSIM.
Se você der ao mundo e aos outros o melhor de si mesmo, você corre o risco de se machucar.
Dê o que você tem de melhor MESMO ASSIM.
Veja que, no final das contas, é entre você e Deus.
Nunca foi entre você e as outras pessoas."

Então é isto. Quero entender que a vida é muito maior do que as pessoas medíocres que tem cruzado meu caminho, e MESMO ASSIM, e apesar destas pessoas, quero continuar acreditando no ser humano, e quero continuar fazendo o bem. Mesmo que ninguém saiba. Mesmo que ninguém veja. Porque no final das contas eu serei recompensada: vou dormir em paz! 

*Para quem não tem um contato mais próximo comigo: no último dia sete de junho, na noite do meu aniversário, tive um acidente chegando à festa, onde comemoraríamos meus trinta e sete anos, os quarenta e dois do marido Toruboi e nossos nove anos de casados. A festa foi cancelada antes que a comida começasse a ser servida. Tive uma fratura na fíbula esquerda, e vinte e quatro horas após a queda, consegui fazer a cirurgia no hospital Sírio Libanês, graças à influência de um vizinho e amigo que é médico. Implantei sete pinos na perna e uma placa de titânio, e desde então, não sei mais o que é sentir o chão. Estou em repouso absoluto e não posso deixar a perna para baixo por risco de trombose.

4 comentários:

  1. É tanta coisa que nem sei mais o que ia comentar... Da história da Ana Luiza, fico com o sorriso dela, mesmo sofrendo, fico com a força que ela, a doente, de 7 anos, deu para a mãe, e fico com a força de vontade de viver, realmente foi uma guerreira!
    E para você, boa recuperação!!

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  2. Boa, gorducha!
    Finalmente reapareceu!
    Gosto de pensar desse jeito aí tb. Se os imbecis forem determinantes no que a gente faz da vida, estamos f$#*** de vez. Que seja por algo maior.
    Bjoca

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  3. Tâmara, a história da AL é muito triste, mas nos deixou muitas lições!!! Obrigada querida, bons preparativos para o casório! Beijos

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  4. Oração que minha vozinha me ensinou:Jesus me fez ,Jesus me criou, cura Jesus este mal que em mim entrou....

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