quinta-feira, 21 de julho de 2011

O triste fim de um blog abandonado

Prezados amigos, parentes, familiares, serpentes, leitores, cobras e lagartos,

Durante mais de um mês, abandonei minha vida de blogueira. O que não quis dizer que deixei de ler os blogs. Sei tudo que está se passando na vida de cada um dos autores de blogs da minha "timeline". Só perdi temporariamente o interesse de escrever, de comentar, de atualizar algumas coisas.

Semana passada, coloquei um post aqui, e só duas pessoas comentaram.

Quem me acompanha há muitos anos, sabe que nunca fiz blog para dar IBOPE. Nunca "linkei" nenhum blog porque a pessoa passou aqui e escreveu "me segue que eu te sigo". Meu blog é (?) meu diário, meu registro de fatos e sentimentos. 

Com o passar dos anos, amizades foram se formando por aqui e nem quero listar ninguém para não ser injusta. Mas eis que no post da semana passada me senti abandonada. Pensei: "caramba, ninguém mais passa por aqui. Paciência, Panda preguiçosa!". Achei que era o fim da minha carreira internacional de blogueira!

Eis que ontem resolvi falar sobre o dia do amigo. Em nenhum momento reli meu texto e, portanto, não senti a carga de emoção contida nele. Ao longo do dia, reli o que tinha escrito a cada vez que recebi um comentário. E chorei em todos eles.

Obrigada, pessoas amadas, por me fazerem limpar todas as lágrimas acumuladas dentro de mim e por permitirem que hoje eu acordasse literalmente de alma lavada!

Dedicado à: Tha, Carolzinha, Isa, Ká, VEMCHA e MV e àquelas pessoas que passam por aqui para saber como estou, seja qual seja a finalidade deste "saber"  

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Sobre ser pai, ser mãe, ser filho e ser amigo

 - Ser pai: o que meu pai foi para mim
- Ser mãe: aquilo que sou e sempre quero ser para meus filhos
- Ser amigo: aquilo que meu pai foi pra mim, o que quero sempre ser para meus filhos, e o que somos eu e meu marido

Assim formo o conjunto das pessoas mais importantes da minha vida.

Estou vivendo o momento mais difícil da minha vida. Claro que como sempre, tento disfarçar e ser forte, mas não sou. Estou desmontada e em frangalhos, me sentindo um farrapo. Contudo, com forças para caminhar e seguir em frente.

Há quarenta e dois dias perdi o controle das coisas por completo. Não só o andar, o caminhar. Perdi o controle emocional para algumas coisas. Não tenho conseguido ler, me concentrar nas coisas. Eu, que em condições normais costumo realizar todas as minhas tarefas e ainda assistir a uma temporada inteira de qualquer série em dez dias, estou há quarenta e dois dias para assistir a doze capítulos de uma temporada que adoro. Hoje, finalmente, consegui chegar ao capítulo treze.

A história primária da série não tem nada que ver com o que me emocionou, apenas um detalhe da história: a filha do protagonista, grávida aos quinze anos, casa-se, e ele faz o discurso durante a cerimônia. Neste discurso, conta que a filha ainda pequena disse-lhe que ele sempre seria o seu melhor amigo. E eu chorei.

Tudo bem, chorar tem sido uma constante para mim no último mês e meio. Na verdade acho que choro a vida inteira, mas acho que chorar é uma forma de dizer: “estou viva, sinto e me emociono”. Não tenho problema em chorar, tampouco em me emocionar.

Lembrei-me então do meu casamento e do meu pai. Quando completei dezoito anos e disse ao meu pai que ia me casar, ele disse-me com todo o amor que me dedicou a vida inteira: “filha, o papai tem a certeza de que você está errando e que este moço não é alguém que te mereça. Mas se é o que você quer, o papai assina o que precisar, e quando der errado, eu sempre vou ser seu pai e estarei aqui pra te dar forças”.

Nunca consegui entender a sabedoria do meu pai. Ele não tinha estudo nenhum. Mas foi a pessoa mais culta que já conheci, e talvez a mais sábia.

Hoje, lamento não ter mais meu pai perto de mim, até por conta de uma doença muito triste que acometeu trinta e cinco anos da sua vida. Só que tive meu pai ao meu lado nos dois momentos mais difíceis que enfrentei: quando me casei, e passei por muitas dificuldades, físicas e emocionais, e quando me separei, sete anos depois, grávida de dois meses da minha filha.

Naquele segundo momento mais difícil, quando todas as pessoas se afastaram de mim, por eu não poder mais oferecer festas e reuniões todos os finais de semana na minha casa, por eu não poder mais participar de festas, viagens e baladas, foi ao lado do meu pai que encontrei conforto. Era pra casa dele que corria todo final de semana, e lá era recebida por ele e pela esposa, com as comidinhas que eu gostava e com mimo, amor e carinho.

Meu pai era assim: exalava amor por onde passava. Uma pena que a única pessoa que mereceu todo o seu amor, não o teve: ele próprio.
Nunca quero viver a experiência de ver minha filha vestida de branco, aos quinze anos. Não para o baile de debutantes, mas para vestir um véu na cabeça. Deve ser muito triste e doloroso. Então sempre quero ser sua amiga, para poder orientá-la e instruí-la no que for preciso. Tampouco quero ver meu filho assumir a responsabilidade de um casamento antes da maturidade.

Queria poder apertar o botão mágico que é bem simples: minha filha faz dezoito anos e entra em medicina numa faculdade estadual ou federal. Forma-se dali alguns muitos anos e encontra o seu grande amor. Compram a casa própria, casam-se e são felizes para sempre. Meu filho entra na USP para cursar engenharia, economia ou direito, forma-se em primeiro lugar, entra num grande programa de trainee, vai morar fora do Brasil, casa-se com o seu grande amor estrangeiro e também vive feliz para sempre.

Sei que meu pai também sonhou isto para mim: que eu estudasse, encontrasse o grande amor e fosse feliz para sempre. Ele viveu para conhecer meu grande amor: meu melhor amigo e alguém que também chamo de marido.

Meu marido é uma pessoa maravilhosa. E desde que nos conhecemos, sempre digo para ele o quanto ele se parece com o meu pai: é culto, inteligente, gosta de coisas parecidas com as quais meu pai gostava, e mesmo sendo apaixonado por Ferraris, BMWs e Porsches, são apenas sonhos de meninos, coisas intangíveis, pois a simplicidade é o que fala mais alto nele.

Assim como meu pai, meu marido é meu amigo: sabe compreender minha chatice, respeita meu jeito mandão de ser, sabe a hora certa para me contrariar nas minhas birras de menina mimada. Sabe me dar colo sempre que preciso, sem eu precisar pedir. Faz tudo que quero e o que está ao seu alcance para me deixar feliz.

Muitas pessoas me chamam de muitas coisas: apelidos, formas carinhosas, mas nada na minha vida superava ouvir meu pai me chamar de “filhinha” aos trinta anos de idade. Amava ouvi-lo me chamar assim. Por isto só consigo chamar meus filhos pelo nome quando estou brava com eles. Chamo-os de filhinho e filhinha o tempo todo. É minha forma de dizer a todo momento o quanto os amo.

Sempre falo para meu marido da importância da cumplicidade e de fazer algumas coisas com as crianças, do tipo levar na banca de jornal e deixar comprar todas as revistas que quiserem.

Quando criança, éramos muito pobres, mas só hoje percebo as dificuldades financeiras nas quais vivemos. Porque dentro daquelas limitações, meu pai me dava dinheiro escondido da minha mãe para comprar doces na porta da escola, deixava eu comprar sonho na padaria, fiado, antes de ir à escola, pedia para eu comprar alguma coisa e me dava o troco pra gastar com minhas bobagens. Era tão pouco, mas foi tanto, que só quem viveu estas coisinhas escondidas, sabe o quanto foi bom.

Adoro ser cúmplice dos meus filhos. Não faço nada que meu marido não saiba, mas adoro pegar os dois e falar: “vamos ao shopping só nós três e tomar sorvete escondido do papai?”. Não, meu marido não nega sorvete para as crianças, mas quero criar neles a cumplicidade de algo só nosso. Eles adoram. Também gosto de levá-los à banca de jornal, e de dar dinheirinho para eles, mesmo que eles não precisem do dinheirinho, pois diferente da minha infância, podemos entrar no mercado e comprar absolutamente qualquer coisa que eles queiram, podemos entrar na padaria e comprar toda a fornada de sonho para eles, mas o fazer juntinho e meio que “em silêncio” vai deixar momentos marcados em suas cabecinhas.

Hoje é dia do amigo. Muitas pessoas entram e saem das nossas vidas. Não existe um melhor amigo para a vida toda, porque a vida de cada indivíduo se torna diferente em vários momentos, as pessoas se distanciam, se separam, mesmo que ainda exista aquele grande carinho entre elas.

Meu pai sempre será guardado dentro de mim como um grande amigo. Assim como meu marido é o melhor amigo que já tive, e este, não quero ver jamais se distanciar de mim, pois quero sempre caminhar ao seu lado e viver com ele os seus e os meus desejos. E espero sempre poder estar perto dos meus filhos, e por eles ser considerada alguém para contar, como contamos com amigos.

Feliz dia do amigo!

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Mesmo assim, e apesar de assim...

Durante catorze anos da minha vida, tive o prazer e a felicidade de trabalhar com os maiores executivos deste país: diretores e presidentes de empresas multinacionais de grande porte. Digo "prazer e a felicidade" não pelo fato de serem grandes executivos, mas por saber que só se tornaram os melhores por serem cabeças pensantes.

Depois de anos e anos estudando em diversos cursos de nível superior, tive a felicidade, mais uma vez, de me tornar uma educadora, e conhecer muitos educadores que fazem a diferença e valem a pena. A eles, chamei de colegas, com muito orgulho.

Infelizmente a vida não é feita só de coisas boas. De um ano pra cá, parece que recebi o desafio de conviver com mentecapitas e energumenos. Pessoas sem a menor capacidade de agir ou pensar, sem discernimento para separar o joio do trigo, e que precisam se auto promover o tempo todo para conseguir se sentir alguma coisa.

Para cada dez pessoas que passam por mim, só uma é capaz de pensar. Por quê?

Tenho em casa uma funcionária. Vinda de uma região pouco favorecida do nosso país. Chegou em Sampa há quinze anos e mal sabia ler e escrever. Trabalhando orgulhosamente como doméstica, e seu marido como porteiro, conseguiram comprar a tão sonhada casa própria. Tiveram a consciência de ter apenas um filho, para que este tivesse o melhor. O filho tem computador. Notebook. E em breve ganhará um modem para usar internet 3G. 

Dá para entender o que quero dizer? Não é o executivo apenas que pensa. Se você é empregado doméstico ou presidente de multinacional, precisa ser o melhor.

Ser o melhor é ser humilde. É estar aberto a aprender. É saber ensinar. É saber abaixar a cabeça (abaixar mesmo, de se colocar abaixo), é fazer o bem sem olhar a quem, é encenar um espetáculo sem pensar nos aplausos no final.

Fui tirada de circuito por alguns dias*. Para umas pessoas, poucos dias. Para mim, muitos dias. Nestes dias, tentei encontrar caminhos para compreender o que estou passando. E deparei-me com a história da Ana Luiza, uma pequenina de apenas sete anos que veio ao mundo para ensinar muita gente a como ser grande. Se quiser conhecer a história dela, acesse o blog da Carol, sua mamãe, criado para contar dos dez meses os quais a Aninha padeceu de um tipo raro de câncer: www.vidAnormal.blogspot.com.

Ana Luiza faleceu há seis dias. Hoje tive o privilégio de ler um dos textos mais bonitos publicados durante o padecimento desta família, encerrado por palavras de Madre Tereza de Calcutá, as quais me fizeram refletir. Espero que sirva para muitos:

"As pessoas são irracionais, ilógicas e egocêntricas.
Ame-as MESMO ASSIM.
Se você tem sucesso em suas realizações, ganhará falsos amigos e verdadeiros inimigos.
Tenha sucesso MESMO ASSIM.
O bem que você faz será esquecido amanhã.
Faça o bem MESMO ASSIM.
A honestidade e a franqueza o tornam vulnerável.
Seja honesto MESMO ASSIM.
Aquilo que você levou anos para construir, pode ser destruído de um dia para o outro.
Construa MESMO ASSIM.
Os pobres têm verdadeiramente necessidade de ajuda, mas alguns deles podem atacá-lo se você os ajudar.
Ajude-os MESMO ASSIM.
Se você der ao mundo e aos outros o melhor de si mesmo, você corre o risco de se machucar.
Dê o que você tem de melhor MESMO ASSIM.
Veja que, no final das contas, é entre você e Deus.
Nunca foi entre você e as outras pessoas."

Então é isto. Quero entender que a vida é muito maior do que as pessoas medíocres que tem cruzado meu caminho, e MESMO ASSIM, e apesar destas pessoas, quero continuar acreditando no ser humano, e quero continuar fazendo o bem. Mesmo que ninguém saiba. Mesmo que ninguém veja. Porque no final das contas eu serei recompensada: vou dormir em paz! 

*Para quem não tem um contato mais próximo comigo: no último dia sete de junho, na noite do meu aniversário, tive um acidente chegando à festa, onde comemoraríamos meus trinta e sete anos, os quarenta e dois do marido Toruboi e nossos nove anos de casados. A festa foi cancelada antes que a comida começasse a ser servida. Tive uma fratura na fíbula esquerda, e vinte e quatro horas após a queda, consegui fazer a cirurgia no hospital Sírio Libanês, graças à influência de um vizinho e amigo que é médico. Implantei sete pinos na perna e uma placa de titânio, e desde então, não sei mais o que é sentir o chão. Estou em repouso absoluto e não posso deixar a perna para baixo por risco de trombose.