terça-feira, 22 de março de 2011

Que país é este?

Tenho alguns amigos ao redor do mundo, e todos saíram pelos mais diversos motivos. Fato é que ninguém voltou, o tempo foi passando e continuam todos mundo afora: Estados Unidos, Europa, Oceania...

Independente do lugar do mundo em que se vive, temos que buscar a felicidade, e se as pessoas não voltaram, é porque de alguma maneira estão felizes. E por que foram? 

Todas as pessoas que saíram foram em busca de um mundo melhor. Uns com mais recursos, outros com menos. Uns com mais sonhos, outros com menos. Uns com mais idade, outros com menos. 

Lá fora, os jornais anunciam que a economia do Brasil está melhor. Que a construção civil cresceu. Que o povo tem mais dinheiro. Tudo verdade. Mas quem disse que este mesmo Brasil, que já nem é mais o mesmo de outrora, tem condições de receber pessoas que vem de lugares mais desenvolvidos?

O ensino no Brasil é um dos piores do mundo. Não só o público, mas principalmente o privado, que custa duas vezes para quem paga. 

A saúde no Brasil é cada vez pior, e não há sequer luz no fim do túnel para melhorar. Mais uma vez, o sistema público é podre, e o privado caminha cada vez mais para a podridão. Assistências médicas, planos de saúde e convênios impõem suas burocracias para realização de exames, os médicos se descredenciando cada vez mais dos planos e a dificuldade absurda em conseguir agendamento de uma consulta. Eu preciso de um endocrinologista. Consegui marcar hoje para dia 18 de maio, ao valor de 350 dinheiros pela consulta, que deve durar no máximo vinte minutos, segundo as opções de horário neste dia passados pela secretária.

Particularmente em São Paulo, as coisas estão pela hora da morte. Saímos no sábado para almoçar no shopping. Dois pratos em uma lanchonete de shopping. Três sucos e uma água com gás. Sem sobremesa. 120 dinheiros. A comida estava ruim e saímos todos com fome, não porque não comemos a comida ruim. É porque a porção que servia em outros tempos a duas pessoas, já não serve uma criança.

A prestação de serviço é uma coisa descabida. Não existe punição. Então compra-se um apartamento de uma construtora conceituada, e perde-se a vida pelo nervoso que se passa com ela. Compra-se geladeira descartável e só colocando a boca na internet para conseguir sanar o problema. Ruas esburacadas, ladrões em todos os faróis, bandidos assaltando carteiras em restaurantes, na base do arrastão. Não há transporte público decente. Não há espaço para andar tanto carro. Não há fiscalização para carro velho que quebra na rua e atrapalha a vida de milhares de pessoas. 

Isto é um bom país, para onde querem voltar aqueles que partiram e hoje acham que tudo é muito bom? País bom e decente é país que cuida do seu povo através da saúde e da educação. E povo sem educação, ambiguamente falando, é mato por aqui.

Não, as coisas não estão boas no Brasil. E se você pensa que vai voltar, ou vai chegar pela primeira vez, e vai encontrar um país em desenvolvimento...melhor tomar cuidado para não se decepcionar!

p.s.: este texto estava sendo pensado, mas saiu após a leitura do texto da amiga Glenda

3 comentários:

  1. MEDO!
    Sinto falta do Brasil... não desse Brasil ai que todos conhecemos, mas o Brasil dos meus amigos e família. Então na verdade eu não sinto falta do Brasil, sinto falta das minhas relações sociais que tinha ai e que aqui é tão complicado de manter. Confesso que nem gosto de pensar muito sobre voltar, embora talvez esta opção seja a mais provável dentro de alguns anos, principalmente por questões profissionais.

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  2. Concordo com tudo isso aí. Tb ouço muitos gringos aqui festejando o Brasil próspero. Eu não gosto de estragar os sonhos deles, mas tb não recomendo a ida. E não pretendo voltar por causa dessas coisas que vc falou.... e tb por causa da violência. É triste, porque é como se eu estivesse me condenando a viver pra sempre com saudade...

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  3. Sabe gente...acho q as pessoas estão perdidas, em busca de uma vida melhor e cheias de esperança, então vale qualquer risco.

    MV, o jeito é viver longe daqui com as pessoas que se ama pra não se ter saudade! Por isto amo cada vez menos pessoas, para a mala não ficar pesada!

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