quinta-feira, 3 de março de 2011

Bruna Surfistinha

Poderia ter sido apenas mais um filme na minha vida. Este, porém, mexeu com o meu interior mais do que qualquer outro. 

Não era a Úrsula mulher, a Úrsula mãe, a Úrsula professora ou a Úrsula psicanalista em formação que estava ali, como mais uma espectadora. A pessoa que estava ali era um ser humano pensante, capaz de sentir as dores mais profundas e se colocar na pele daquela personagem de uma vida real.

Talvez por ser uma apaixonada por histórias reais, o filme tenha mexido tanto comigo. Ele não traz nenhuma mensagem. Não tem nenhuma moral da história. Pois tudo que o filme pode dizer, está dito nas entrelinhas, e vai depender do contexto de vida de cada um para fazer a sua leitura.

Sempre digo que uma mulher, ao transar com um homem, pode prolongar aquela noite por uma vida, já que dela pode ser gerado um fruto. Assim nasceu uma criança, cujo nome dado não sei qual foi, mas que um dia teve o privilégio não só de ser adotada, mas também por ser adotada por uma família com boas condições financeiras.

A dúvida: boa condição financeira é sinônimo de felicidade? Não. A rejeição intra-uterina estava cravada no DNA daquela criança, que trilhou um caminho infeliz, até o dia em que criou coragem e fugiu de casa. O caminho que seguiu? A prostituição. Inventou-se. E depois, reinventou-se. Infelizmente, neste triste caminho, encontrou com a cocaína. Ao meu ver, se não fosse ela, o caminho teria sido diferente. E o final? O outro final das histórias reais nós nunca saberemos.

A personagem luta o tempo inteiro com o seu eu, com seus falsos valores, está machucada pela família que um dia a magoou, e a qual ela também muito magoou. Assim rompeu-se uma relação para uma vida.

E o final da Bruna/Raquel? Será que é um final feliz? Ao meu ver, sim. Já que ela foi capaz de abandonar o vício, e mesmo entre dores e mágoas, seguiu seu caminho.

Ainda existem tantas outras Brunas ou Raquels mundo afora. Nem todas tem o privilégio de ter conseguido esticar o braço, muito menos de ter alguém lá em cima para puxar o braço e sair do fundo do poço.

Esta é apenas a minha leitura do filme. Agora quero comprar os três livros já lançados pela autora, assim como o de Samantha Moraes, a ex-aeromoça que perdeu o marido para a garota de programa, e casou-se com um produtor de televisão, e cujo livro também está em vias de se tornar filme.

Neste jogo da vida, não existe culpado ou inocente. Existe apenas consequência pelo caminho escolhido. Espero ter escolhido o meu melhor caminho. Quem saberá? O tempo...só o tempo.

Um comentário:

  1. Tb achei a história do filme boa demais. Principalmente pq é simples e triste. Pena que seja real...

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