quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Sobre a carta para a escola

Prezados leitores, visitantes, amigos, parentes, serpentes e afins,

Eu não enviei a carta para a escola. E eis os porquês:

Mudei meus filhos de escola algumas vezes. Cada vez que vence o prazo de validade, vou lá e mudo de escola. O que ganhei com tantas mudanças? Experiência e sabedoria. Descobri que todas as escolas são ruins. Pois são prestadoras de serviços, são entidades educacionais com fins lucrativos, e não fins educacionais. Nestes nove anos que vivo a tortura de conhecer escolas (desde que a Bibizoca foi para sua primeira escola - hoje está na 12a.), é sempre a mesma coisa: o prazo de validade vence.

Só que agora decidi que vou comer comida estragada, pois o resultado é sempre o mesmo: dor de barriga.

Cansei de quebrar o pau nas escolas, de me indispor com professor, coordenador, diretor, dono de escola. Cansei da prostituição do ensino no Brasil. E exatamente por estar cansada, que queria tanto criar meus filhos em algum lugar decente.

Não enviei a carta, pois depois de escrevê-la e imprimí-la, e até colocá-la dentro da agenda do meu filho, lembrei-me de que ele tem cinco anos e pode sofrer represálias, podendo traumatizá-lo de várias maneiras. Dei-me conta de que a professora é apenas um número dentro da escola e não é a culpada ou a responsável.

Culpados e responsáveis são os pais, que acham o máximo ver o filho recebendo oito apostilas diferentes no final do ano, com várias atividades feitas, enquanto a criança deveria, na verdade, estar brincando. Então a escola não tem mais o que arrumar. A coordenação faz o planejamento, a diretoria aprova, os professores executam e os pais aplaudem. Não é justo ofender a pobre professora por conta deste sistema falido que é a educação no Brasil.

Em outros tempos, teria ido pessoalmente à escola desabafar minha ira. Já evolui, uma vez que desabafei com o computador. Evolui mais ainda não enviando a tal carta. A pobre professora está dentro de uma sala de aula com vinte e uma mini-pestinhas atormentadas e cheias de energia para gastar, tentando passar-lhes alguns valores, tentando fazer bem feito aquilo que lhe é atribuído, para receber seus suados 700 dinheiros ao final do mês. Não é justo culpar a segunda pessoa mais inocente deste sistema que chamam de educação. Pois a primeira vítima é sempre o nosso filho.


Um comentário:

  1. Pandinha querida,

    Concordo com você, pois muitas instituições não são educacionais como você mesmo aponta, mas grandes máquinas de dinheiro. Você sabe, ainda nem tenho filhos, mas a educação é uma das coisas que mais me preocupa. Ainda tive muita sorte quando pequena porque minha mãe insistiu em que eu estudasse em boas escolas construtivistas que tem conceitos mais alinhados com o que acredito ser um desenvolvimento mais holístico... De qualquer modo acredito que esse comportamento nao é somente brasileiro, já que o mundo está cheio de investidores e não educadores na area de educação Enfim, continua a saga...

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