segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Qual é a escola certa para o seu filho?

Primeiramente, vale lembrar que um filho nunca é igual ao outro. Conheci esta teoria quando ainda estava grávida do Peteleco. Já tinha cogitado a Bibizoca estudar no Porto Seguro, mas devido a nossas distâncias geográficas, ficou só na cogitação. Outro colégio que sempre simpatizei é o Humboldt, mas fica lá em Interlagos e morar por aqueles lados era fora de cogitação.

Então nos mudamos para a Zona Norte. Infelizmente, não há nenhum colégio bom por aqui. Há colégios suportáveis, mas bom, nenhum. Os colégios bons ficam para outros lados da cidade.

Se morássemos em outra região, ou se tivéssemos continuado em Moema, não me resta dúvidas de que a escola seria o Porto Seguro, a única escola realmente construtivista que existe em São Paulo. Não adianta, contudo, ficar lidando com hipóteses.

Temos aqui na região um rol de escolas particulares, que estão relativamente na mesma linha de "ruindade". Digo isso como educadora, que dá aulas particulares para alunos "inteligentes", mas que não desenvolvem por conta da falta da capacidade da escola em ensinar.

O ensino hoje é totalmente conteudista. Em cinquenta minutos de aula, um docente não consegue ensinar para trinta e cinco, quarenta alunos, um tópico completo. Porque alunos tem* dúvidas, e não há tempo hábil para saná-las. 

Bibizoca se acertou na escola que está desde o segundo semestre do ano passado. Turmas com vinte alunos apenas, e sala com professor titular e mais um auxiliar, fazem toda a diferença. Assim deveriam ser todas as escolas. Contudo, acho que a escola podia puxar um pouco mais.

Surge meu dilema para os próximos anos, pois ainda tenho outro filho, e não significa que se esta escola deu certo para ela, dará também para ele. 

Não queria que meus filhos estudassem em escolas renomadas, em regime semi-prisional, para sofrerem toda a sua infância e pré-adolescência, para no final das contas acabarem ingressando em uma faculdade qualquer.

Infelizmente, por conta da cultura da nossa sociedade, ainda se educa um filho pensando no ingresso ao ensino superior, e enquanto eu ainda estiver vivendo nesta sociedade, terei esta cultura.

Já cogitamos mudar as crianças para as grandes escolas. Mas depois de anos e anos de estudo, dedicação e investimento financeiros, ver nossos filhos ingressando numa "PUC" da vida seria de chorar.

Não é que a PUC seja uma faculdade ruim. Mas JÁ FOI boa. Bem no passado. Faculdades boas são aquelas inseridas dentro de universidades públicas.

Marido estudou todo o ensino fundamental em escolas públicas. Teve a sorte e o privilégio de cursar o ensino médio em uma escola boa: o Etapa. Assim, entrou na USP e na UNESP. E eu, que não tive a mesma oportunidade, passei a vida ingressando nas faculdades da vida...

Meu primeiro sobrinho completou dezoito anos no ano passado. Neto de médico e filho de dentista, resolveu seguir a área da saúde. Terminou o ensino médio no Colégio Santa Marcelina (um excelente colégio), e lá foi ele para o cursinho. Quase dois mil dinheiros por mês. No início, logo de cara, descobriu que sua vocação era mesmo a Engenharia. Ingressou este ano na Mauá. Apesar de particular, é A faculdade. Em engenharia, só perde para a Poli. Mas ainda está na fila de espera para tentar a pública.

Não sei que caminho daremos aos nossos filhos. Quiçá o caminho da felicidade. E que eles pudessem retribuir a nós fazendo-nos felizes também. Nossa felicidade? Vê-los ingressando em uma boa universidade. Ainda falta tempo, mas a semente está sendo plantada. Esperamos colher frutos, e frutos doces e saudáveis, que façam de todas as nossas vidas um caminho eterno para a felicidade.

E existe felicidade eterna?

7 comentários:

  1. Essa é fácil. A melhor escola é a vida. Já fui pro colégio público e pra universidade particular, e foi muito importante ter aprendido um tanto de coisa por lá... mas nada ensina tanto quanto sair pelo mundo observando, perguntando, ouvindo... Tomara que eles tenham a sabedoria de aproveitar o tempo vivendo!

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  2. MV, vivo dizendo aos quatro cantos, que a melhor faculdade é a faculdade da vida...pena que nem todos tem coragem para enfrentá-la...

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  3. Eu tenho muito a dizer sobre este assunto tb... mas graças a Deus meus filhos já não dependem de mim pra escolher a escola...

    Oto xêro.

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  4. Ah Bel., nao vejo a horabdeles nao dependerem mais de mim!

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  5. Eu tambem passei a vida toda em escola publica e terminei tendo que frequentar uma faculdade particular. No entanto fiz o meu melhor, dentro das possibilidades de quem estuda e trabalha para pagar a mensalidade. Lia tudo o que era pedido e mais um pouco. Posso nao ter tido a mesma formacao dos colegas de profissao que frequentaram a USP e a PUC (que no meu curso, era ate poucos anos atras a maior referencia), mas definitivamente nao tenho a formacao mediocre de muitos dos meus colegas de turma.
    Um beijo,
    N.

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  6. Ni...concordo com vc...eu e td a minha formação em escolas de segunda linha, dou de dez a zero em nego da USP sem falsa modéstia. Porque quem constrói o profissional somos nós. É isso que dizem as pessoas, é isso q sabemos na prática. Mas meus 14 anos de profissão dentro do RH das maiores empresas que atuam no Brasil, lidando dia a dia com presidentes e diretores, me fez entender que eles ainda gostam de ser enganados. E quando desejam um "job description", o pedido número um é: formação pela USP, UNESP, FGV, UNICAMP. Por isso me preocupo com as crianças, pq acho que na época deles será ainda pior. Ou não. Só o futuro dirá!

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  7. Oi Ursula. Tem uma matéria bem interessante na Cláudia deste mês, que fala sobre aqueles que optaram por não fazer um curso superior. Tenho uma amiga que está super orgulhosa porque o filho passou na Fuvest como treineiro, estando ainda no segundo ano do Ensino Médio. E eu estou aqui me descabelando para decidir aonde o Nicolas estudará ano que vem , pois o colégio dele não tem Ensino Médio.As escolas só pensam no ENEM e eu queria que ele tivesse um ensino médio para não esquecer nunca mais. Como foi o meu. São os melhores anos da vida. Há um descompromisso de ainda não ser adulto, e ao mesmo tempo é onde passamos a ter um pensamento mais crítico. Passamos a pensar por nós mesmos. Queria que ele fosse a uma escola onde fizesse teatro,música, festivais e não exames e simulados todos os finais de semana. É onde descobrimos as paixões, onde criamos vínculos que nos acompanham por toda a vida. O Ensino Médio no Brasil deixou de formar pessoas para formar vestibulandos. Em tempo, uma das opções que temos analisado com carinho é o Humboldt.

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