domingo, 27 de fevereiro de 2011

O segundo roubo da vida do meu filho

Quando aconteceu o primeiro roubo, não achei graça. Ao contrário, fiquei muito brava e chamei-lhe a atenção, minha obrigação como mãe para educar.

Ontem não ficou só na bronca, houve castigo. E depois do roubo de ontem, que contarei logo mais, fiquei a pensar onde estou errando, ou se é algo espiritual. Será que na última vida meu filho foi um pedinte de rua, que vasculhava lixos em busca de comida? Quem sabe?

Na noite de sexta-feira, minha amiga Dani estava em casa com a Rafinha. Fizemos brigadeiro, cachorro quente, pipoca, batatinha sorriso, suco e uma grande festa. Portanto, meu filho não passa fome, e nem estava passando vontade de brigadeiro. A noite foi curta, dormimos como anjos, mas os anjos em forma de criança acordaram antes das cinco da manhã e lá fomos nós para a diversão do sábado.

Estávamos na Starbucks, final de dia e minha amiga resolveu trazer para casa quatro brigadeiros, um para cada criança. Chegamos em casa, ela tirou os doces da sacola e colocou sobre a mesa. Meu filho pegou um, a Rafa outro, minha filha outro e sobrou o do Gabi. Antes que o coitado pudesse chegar ao seu doce, meu filho roubou o brigadeiro e enfiou inteiro na boca, escondido atrás do sofá.

Senti o maior misto de vergonha e raiva. Vergonha não da minha amiga, vergonha da situação. Como castigo, ele ficou sem o bichinho de pelúcia que havia ganhado no parque, e não foi a festa do amigo a noite. Chorou muito, chorou magoado, mas não sei se arrependido.

Minha filha teve a feliz idéia que me salvou: pediu dinheiro, foi até a padaria e comprou um mega brigadeiro para o Gabi, que havia ficado chupando dedo. O pequeno nem comeu o doce, está lá, dentro da geladeira. Ele não é uma criança de doce, e a mãe nem queria que comprássemos. Fizemos o certo. 

Agora preciso entender o porquê de meu filho roubar a comida alheia, uma vez que, graças ao bom Deus, temos uma casa farta, não lhe falta nada, tampouco lhe nego nada para comer. E roubo de comida, nem Freud explica.

Um comentário:

  1. Já falei, manda pra mim que eu conserto. Comida pra mim é sagrada. Cada um come a sua e ninguém rouba. Se ele tocar na minha, vai perceber a fúria no olhar e nunca jamais vai encostar no rango de ninguém. Humpf!

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