terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Sobre doações

Uma das coisas que muito me irrita é doação. Não sou uma pessoa apegada materialmente (salvo com meus computadores e máquinas fotográficas). Tirando dois itens, eu me desfaço de todo o resto. Não tenho qualquer problema em abrir o armário e tirar sapatos, bolsas e doar. Se vou trocar algo em casa, faço doação do antigo, desde que em bom estado. Ensino meus filhos que é preciso doar todos os brinquedos que não são usados. Minha filha pratica a lição direitinho. Meu filho já tem mais dificuldade em doar brinquedos, mas também o faz, após eu explicar que TUDO QUE NÃO USAMOS PRECISA SER DOADO.

Mas...

Uns anos atrás, por ocasião das enchentes em Santa Catarina, ouvi uma história que muito me entristeceu. Uma colega de sala chegava cada dia exibindo uma roupa nova. Dizia que todas eram "by shopping Santa Catarina". E contou que seu irmão, bombeiro, separava as peças boas e que serviam nela, na mãe, na namorada, para não mandar para os desabrigados. Ainda riu: "quem não tem nada, só precisa de porcaria".

Vamos desconsiderar o comentário e a atitude sem escrúpulo nenhum da "indivídua" citada no parágrafo anterior. Consideremos apenas a atitude de um bombeiro, membro de uma corporação que deveria ser digna e honrosa, mas que rouba doações em benefício de sua família. Se não podemos confiar em enviar coisas para os desabrigados através dos bombeiros, em quem devemos então confiar? Apenas em nós mesmos.

Adotei uma atitude: se alguém deseja algo que eu quero doar, é porque precisa, mesmo que psicologicamente, daquilo. Portanto, não faço mais doações por intermédio de terceiros.

Assim chegou mais um verão e mais uma grande catástrofe natural alastrou as serras cariocas. Em todas as formas de mídia, sou bombardeada com pedidos, seja por empresários, seja por jornalistas, seja por pessoas comuns.

Semana passada fiz uma limpa em casa, em gavetas e armários. Tirei roupas das crianças que não servem mais (coisa que tenho feito agora bimestralmente), limpei armários do marido, os meus eu já tinha feito em novembro, limpei armários da casa, doei tudo que não usamos. Mas não mando para o Rio de Janeiro, simplesmente porque não tenho como ir até as pessoas necessitadas e doar. E para ser roubada, e ver os necessitados também o sendo, prefiro dar para quem está próximo de mim.

Sobre doações de valores, não faço, jamais. Já pago meus impostos que são mais que suficiente para este governo ladrão que existe no Brasil (e não estou falando especificamente de Dilma, de Lula, de FHC, mas sim da cúpula do governo e o sistema adotado no Brasil que é permissivo e passivo com quem rouba os contribuintes). Assim, não vou também comprar engradados de água mineral ou caixas de leite em pó, pois de repente podem ir parar na mesa de algum "bombeiro" por aí.

Ontem, no Twitter, tive a certeza de que minha atitude está correta, após ler o texto da jornalista e apresentadora Astrid Fontenelle, alguém que admiro e respeito muito pelo trabalho digno que faz. Vejam com seus próprios olhos, e pensando também na situação da família do "bombeiro", tirem suas próprias conclusões!

 (o texto diz: "Alo Infraero SSA muita doação parada no aeroporto. Entreguei as nossas na quinta feira e elas estão aqui ainda!")

7 comentários:

  1. Ursula, faço a mesma coisa, prefiro fazer diretamente, pois sei a quem e o que estou fazendo, sem intermédio ou atravessadores, dando algo errado a culpa é só minha e não me puno por erros alheios, abraços.

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  2. Olha o Fernando aí! Agora tá comentando mais... muito bom!
    Seguinte, tô nesse mesmo time. Caridade, só diretamente com o interessado. Sem mais!! bjo

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  3. Oi amiga.
    É fogo né, cara de pau essa fulaninha hein, mas o que é dela e do irmão vai chegar.
    Tb costuma doar o que não quero mais.
    Beijos

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  4. Essa semana que passou ao doar a minha lava roupas eu me certifiquei de que ia mesmo para o destino certo. Sempre fico com receio, pois picaretas é o que mais tem por aí.
    É fogo! No final das contas quem realmente precisa da doação fica sim... Eita Brasil!!

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  5. Então amiga.... tb adoro fazer caridade. Vamos fazer uma troca ? Eu doo uma travessa de maionese e voce doa todas as suas bolsas pra mim ? Que tal ?? rsrsrs
    bj

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  6. Também penso exatamente assim. Minha "secretária", a de minha mãe, e suas respectivas famílias são os destinatários primeiros das minhas doações. E nunca fiz essas coisas de acreditar em sejam lá que instituições forem. Sou cética, eu sei.

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  7. Hei "pipol", eu não tenho bolsas pra trocar por maionese, conforme sugestão da minha amiga Miriam, mas quem tiver, vale a pena, pq a maionese dela é a melhor do planeta....

    Abaixo as doações por terceiros, vamos doar nós mesmos!!!!

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