quarta-feira, 9 de novembro de 2011

O Blog novo

Queridos amigos, leitores, familiares,

Meu blog novo já está no ar, e conforme forem me deixando seus emails, envio o endereço "secreto" para quem quiser seguir meus devaneios!

Obrigada pelo carinho de todos e a atenção de sempre!

Beijos

Úrsula

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Sobre cobras e lagartos

Através deste blog, fiz grandes amizades. Várias delas saíram da telinha e foram para o mundo real.

Através deste blog, conheci muitos blogs legais, por várias vezes passei horas e mais horas lendo blogs inteiros, e mergulhando no mundo real das pessoas.

Infelizmente, através de blogs (o meu e vários outros), temos desilusões, desgostos e tristeza.

O Blog da Pandinha encerra um ciclo. O que não significa que vou deixar de ser blogueira. A partir de agora, iniciarei um novo blog, na qual eu escreverei anonimamente.

Cansei de pessoas mal amadas e mal vividas interpretando minhas palavras. Cansei de gente desocupada criando melindres desnecessários por aí.

A vida é muito curta para algumas atitudes mesquinhas e orgulhosas.

Peço gentilmente a todas as pessoas que nestes anos todos passaram por aqui, e que queiram continuar lendo meus textos, deixem seus emails. Agora não escreverei mais abertamente, mas sim, para aqueles que realmente fazem a vida de uma blogueira valer a pena.

Para encerrar, lamento muito ter comemorado os seis anos do meu filho no último sábado, em uma festa tão linda, e não ter dois homens muito importantes para a vida dele: meu pai, que está lá no Céu, e meu irmão, que está lá em Londres. De resto...bem, o resto é resto e nada me importa!

Valeu por todo mundo que esteve aqui comigo nestes cinco anos. Vamos agora mudar de endereço?

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Sobre reflexões

Sou alguém que adora refletir, pensar, questionar a si mesma. Alguns períodos da vida, contudo, questiono mais e mais. 

Passei um ano difícil. Esta semana, me liga meu tio mais velho e me perguntou qual foi a lição que tirei de tudo que passei. Na hora, não soube responder, mas a resposta veio nos meus questionamentos.

Aprendi a conhecer um pouco mais algumas pessoas. Aprendi quem era quem, e para que cada pessoa estava passando por minha vida. Aproveitei para fazer com que algumas passagens fossem mais rápidas.

Ontem recebi a visita da minha madrinha, que passou a tarde comigo. Minha madrinha é alguém que me entende. Que me aceita como sou, que não me julga, que não pede que eu mude, que não me condena, e compreende tudo, absolutamente tudo em mim: meus anseios, minhas angústias, minhas dores. Após algumas horas acordadas na madrugada, estendi mais ainda minha reflexão.

Para fechar o ciclo, veio o post da Thania hoje, falando sobre limpezas na vida, e concluí que é exatamente o que estou fazendo na minha vida: limpeza.

Na vida, não podemos colecionar pessoas, como colecionamos no Facebook. Na prática, precisamos participar, agir, estarmos presentes. E não é possível estar presente na vida de 600 pessoas. No máximo na de um porcento delas. Assim, continuo fazendo a limpeza.

O aniversário do meu filho se aproxima. Apesar de ter soltado um "save the date" para muita gente, decidi me fazer de tonta, igual vejo muitas pessoas fazerem. Decidi que na festa dele, só haverão amigos dele. Não convidarei pessoas por convidar. Meus pseudo-amigos problemáticos não estarão lá, simplesmente porque não estarão mais na minha vida.

Tenho alguns grandes defeitos, e um deles é falar demais, expôr demais, abrir demais, quando na verdade ninguém faz isto, só pessoas muito tontas como eu. Não preciso de quantidade. Estou afim agora só de qualidade.

A proximidade com os quarenta anos me faz entender que é preciso ser adulta, deixar a vida de adolescente de lado e seguir em frente. É assim que tem que ser, é assim que será.

Não permitirei mais palpites, não permitirei mais desculpas, não permitirei mais vazios.

Tenho meus problemas para cuidar, e eles serão prioridade para mim. Estarei pronta para ajudar meus amigos em segundo plano, mas só aqueles que não suguem minha energia. 

Eu voltei, com força total. Voltei pra ficar, renovada, inovada, vitaminada e poderosa. Quem quiser fazer parte, vai ter que aceitar minhas regras agora, e ter regras parecidas com as minhas. Afinal, o que é a vida além dos valores que vamos construindo ao longo dela?

Bye, bye, tristeza, inveja, olho gordo, urucubaca, energia ruim. Volta pro mar, oferenda, volta...

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Sobre o resultado do ENEM 2010

Foram tantas as mensagens que recebi cujo assunto é o ENEM 2010, que resolvi me manifestar publicamente.

Vivo na busca desenfreada pela escola ideal. E já que ela não existe, vivo buscando. 

A escola ideal não existe, não pelo meu excesso de criticidade. Simplesmente não existe, porque nada na vida pode ser ideal, pode ser perfeito. A escola pode ter um bom sistema de ensino e uma coordenadora pedagógica ruim. E um bom sistema, uma boa coordenadora, e uma péssima diretora. Mesmo tendo um bom sistema, uma boa coordenação e boa direção, ainda assim, a escola pode ter instalações ruins, e pior, o meio dela pode ser ruim. Pode ser recheada de pessoas pertencentes aos mais diversos mundos, seja social, seja financeiro, seja cultural, e nem sempre todos estes mundos nos agradam.

Falarei apenas das escolas particulares. Discutirei apenas o universo do qual infelizmente faço parte, pois preferiria ter meus filhos estudando em uma escola pública excelente. Esta, não existe mesmo. 

Fazendo a análise do resultado, temos fatos baseados na porcentagem de alunos que fizeram as provas. Apenas porcentagem. Que eu me lembre, apenas dois colégios particulares atingem cem por cento de alunos realizadores do exame. Logo, o ENEM não pode ser totalmente confiável.

A Zona Norte possui cinco escolas entre as cem primeiras colocadas. Cinco. Apenas cinco. Colégio Jardim São Paulo (duas unidades), Objetivo Cantareira, Colégio Imperatriz Leopoldina, Colégio Salesiano e Colégio Sion (Vila Maria). Vou então restringir mais ainda minha análise, e focar apenas na Zona Norte.

Contudo, não significa que as outras cinquenta e cinco escolas avaliadas na Zona Norte sejam ruim. Vejamos o porquê:

O ENEM é apenas um dos índices que mede a qualidade de ensino. O dia em que for obrigatório, teremos uma ideia real da qualidade do ensino médio, mas por enquanto, trabalhamos com amostras. Sejam grandes, sejam pequenas, mas não são totais. 

Uma escola tem como nota média 6,90. É a décima colocada. Outra, tem 6,70. É a 50a. colocada. A que tem a nota menor, teve 93% dos seus alunos realizando o exame. A com a nota maior, participou apenas com 50% dos seus alunos. Agora reflitam: estes décimos de diferença na nota, fazem a diferença no ensino, de forma macro? Estes décimos de diferença mostram qual escola é melhor ou pior, sendo que a abstinência de uma é de metade dos alunos?

Caros amigos que me escreveram, caros seguidores deste blog, caros leitores de passagem: a melhor escola para nossos filhos é aquela que o coração sente. O momento de mudar, é o momento em que o prazo de validade da escola acaba. Quando o número de problemas supera o número de satisfações.

No próximo ano, meu filho se mudará de colégio. Minha filha continuará no mesmo. Nunca imaginei que seria possível ter dois filhos em escolas diferentes. Neste momento, contudo, cada um em uma escola é um mal necessário para ambos. Ela não gosta de estudar, foi transferida ano passado de escola para uma mais fraca e ainda assim, consegue tirar várias notas vermelhas em um único bimestre. Ele, diferentemente dela, diz que adora estudar, que adora aprender. Como posso mantê-lo em uma escola com um ensino de menor qualidade? Não dá. Vamos tentar uma escola mais forte. E se não der certo, temos que ter a humildade de voltá-lo, ou de fazer outra tentativa.

A vida é assim, feita de tentativas. Infelizmente, nossos governantes ainda não se deram conta de que só através da educação é que mudaremos os rumos deste país. Ou, ao contrário, sabem sim da importância da educação, e o quanto a falta dela aliena o indivíduo. Indivíduo alienado não opina, não pensa, não critica, não briga. E não grita para tirar governante ladrão do poder.

Ou alguém leva muito a sério esta história de um exame que mede o nível de ensino, sem obrigatoriedade? Alguém já parou para pensar que muitas escolas incentivam apenas os alunos geniais a prestar este exame? Alguém?

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Novidades na área

Para animar a vida (de quem é gordo  um bom gourmet), dá uma olhadinha:

http://receitasdapandinha.blogspot.com/

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Sobre olho gordo

Nunca acreditei nesta história de olho gordo, pois para mim, nada como boas gotas de colírio diet para curar este mal. Só comigo mesmo.

Vejo ao longo da vida, e já são trinta e sete anos dela, que as pessoas temem por aquilo que outras pessoas projetam nelas: energia negativa.

Sempre achei minha energia muito boa, e minha vida tão difícil e cheia de percalços, que só um trouxa ia ter inveja dela. 

Todo mundo olha para mim e acha que minha vida é perfeita: eu moro num castelo, com um príncipe encantado, tenho dois principezinhos perfeitos, com vários mucamos que me abanam o dia todo, enquanto eu fico deitada sob o mais lindo dossel, cravejado todinho de pedrinhas brilhantes.

Na realidade, a coisa é muito diferente. Pena que nem todo mundo tenha a coragem de calçar meus sapatos apertados, e percorrer todos os caminhos de pedras, buracos e barrancos que já percorri e ainda percorro.

Foi neste contexto que comecei 2011: uma vida normal, com problemas normais, nem maiores e nem piores que os de ninguém, já que cada um carrega sua cruz.

Fiz o tal planejamento que faço sempre e coloquei aqui neste blog. Não posso remeter ninguém ao texto, pois foi neste ano de 2011 que bloqueei quase mil textos deste blog (ele está chegando hoje aos 1100). Decidi bloquear meus textos depois de coisas que ouvi em dezembro, e que me fizeram refletir muito, muito e mais muito. Minha vida não é novela, então, quem não participa dela, perdeu o direito de me seguir. Deixei de escrever tanto e de me expor como antes.

Comecei o ano no consultório do dr. Tarcício, médico homeopata e profissional que escolhi para mudar minha vida. Minha vida emocional, minha ansiedade, e meu estado de obesidade que tanto me faz mal.

Após uma longa e demorada consulta, muitas lágrimas e caixas de lenços (PAUSA: se você nunca foi a um médico homeopata, e sente que precisa chorar muito, marque uma consulta imediatamente, porque chora-se litros na sala de um homeopata, mas que em qualquer sessão de terapia - DESPAUSA), o médico me deu um remédio para que eu tomasse UMA GOTA por SEIS DIAS. Isto mesmo. Com seis gotinhas, minha vida começaria a mudar. E mudou.

No terceiro dia, desencadeei uma alergia na pele absurda. Segundo a homeopatia, tudo que se acumula no pulmão, desova na pele. Vinda de um ciclo de três pneumonias seguidas, em um intervalo de dezoito meses, meu pulmão limpou tudo que podia e jogou para minha pele. Meus braços ficaram em estado de miséria. O colo do peito ficou horrível, tive sangramento e dor. No quarto dia, o médico suspendeu a medicação. No décimo quinto dia, pedi desesperadamente, via Facebook, um dermatologista. E foi aí que fui para o segundo calvário do ano.

Cheguei ao consultório da dra. Fátima e agradeci muito por ter a oportunidade de estar lá. Primeiro por ser a um quilômetro da minha casa. Nunca tinha ido a um médico a um quilômetro da minha casa, nem quando eu morava em Moema, reduto de muitos bons médicos. Segundo porque a médica era muito boa. Entrou com uma alta dosagem de corticóide e em três dias, a dor e o sangramento haviam cessado. Em quinze dias, já quase não tinha vestígio de nada. Fiz acompanhamento bissemanal, de modo que na quarta consulta, quase um mês e meio depois da primeira, a médica percebe que estou falando estranho e entortando o lado esquerdo da boca: princípio de AVC. Pressão arterial 20x14. Medicou-me imediatamente e queria chamar o SAMU. Recusei. Sai de lá para o consultório da cardiologista.

E assim começou minha terceira saga. A dra. Ana é uma médica excepcional. Pediu um check up completo para detectar lesões. Fui internada para exames diversos, passei duas semanas fora de casa fazendo exames e mais exames. Comecei a ser medicada para pressão, passei a tratar com uma nutricionista e com a acupunturista, esta, semanalmente. Nos meus exames, detectou-se dificuldade de enchimento da vesícula e tumores no sistema reprodutor, entre útero e ovário. Decidi que trataria primeiro o coração e a pressão, para depois ver o resto. Três meses foi o prazo que a médica deu para que a pressão estivesse normalizada, com uso diário de dois medicamentos, e então eu estaria liberada para atividades físicas. Estes três meses seriam na segunda quinzena de junho. Depois do meu aniversário.

Por estar viva, decidi comemorar meus 37 anos. Havia passado um susto tremendo e nada como comemorar. Escolhi a dedo cinquenta pessoas queridas. Destas que estão sempre comigo e me ajudam e participam de minha vida e tals...e nada de pessoas que precisam ser convidadas porque precisam. Só cinquenta pessoas especiais. No dia da festa, eu escorrego em uma poça de água, levo o tombo mais estúpido que já vi na vida e fraturo a fíbula. Vou para a cirurgia, coloco sete pinos e uma placa na perna e fico oitenta dias sem andar, com risco de trombose, tomando injeções diárias de Clexane na barriga por 24 vezes. 

Finalmente, meus pés voltaram para o chão. Decido então retomar de onde parei. Onde foi mesmo? Ah, no consultório do dr. Tarcísio - o médico homeopata. Não, vai que ele me dá outro remédinho para limpar as mágoas, não. Medo. Então a dra. Marilza, pediatra homeopata dos meus filhos, me indica a dra. Maria Regina, uma homeopata endocrinologista, e lá vou eu à consulta.

Adivinha o que aconteceu? Chorei mais litros. Sai do consultório direto pra farmácia, para comprar litros de soro. Mentira, não cheguei a desidratar, mas foi por pouco. Daí a dra. homeopata endocrinologista analisa todos os meus exames, todo o meu histórico, e diagnostica várias coisas: o excesso de corticóide que tomei, enfraqueceu meus óssos, por isto tive uma fratura tão séria com um tombo tão besta. Meus tumores são fáceis de serem tratados, e rapidamente eliminados, e para isto, terei de fazer uso de medicação alopata. Graças a estes dois tumores, tenho comprometido o funcionamento do sistema pâncreas-fígado-vesícula. E por isto que tenho passado tão mal desde abril, com dores fortes que a princípio achei ser estômago, até que minha acupunturista me mostrou um desenhinho do corpo humano, e me ensinou onde fica o estômago e o fígado. Assim, descobrimos que eu passava mal pelo fígado.

Nunca tivemos um ano financeiramente tão próspero. Nossas vidas sempre foram pautadas pelo sacrifício. Fomos galgando coisas materiais a custa de muito trabalho, muita abdicação, muitas restrições e muita economia e sacrifícios. Conseguimos quitar nosso apartamento, e ano passado conseguimos escriturar. Sem prestações, intermediárias ou qualquer outra parcela alta de investimento, foi possível pagar a vista os cursos de inglês e espanhol das crianças. Fizemos um cruzeiro no Natal do ano passado e fomos para um hotel fazenda em Águas de São Pedro em janeiro, passar férias com as crianças. Viajamos no carnaval para um lugar que adoramos, outro hotel fazenda e passamos deliciosos dias. Três viagens em dois meses. Foi às vésperas do Natal que o marido trocou de carro. E em abril, me deu um carro novo de presente, sem antes termos vendido o meu velho, o que significou que ficamos por algum tempo com três carros em casa e apenas um carnê de prestações. Programamos nossa viagem de férias de julho para a Europa. Talvez ainda desse para ir passar o Natal nos EUA, como tínhamos combinado no início do ano. Compramos as passagens pra Europa. Definimos o roteiro: Irlanda, Holanda, Bélgica, França e Inglaterra. Com direito a três dias na Eurodisney com as crianças. Mas o tombo nos tirou da rota no primeiro ano, depois de tantos e tantos de luta e de trabalho, que estávamos conseguindo viver alegrias que a vida material pode proporcionar: carros, festas, viagens...

Ano que vem meu filho precisa mudar de escola. Não por causa da "fantástica viagem de formatura", mas porque considero a escola um pouco fraca para a capacidade que hoje ele nos apresenta. Também vamos nos mudar. Venderemos este apartamento, rumo a novos caminhos. Mas a vida anda tão confusa, tão bagunçada, que nada anda: viagem, saúde, casa, trabalho. Comecei o ano muito feliz ao ter sido aprovada na especialização em psicanálise. Seriam dois anos e meio de estudos, conhecimentos, aprendizados e desafios. Contudo, tantos problemas de saúde me tiraram desta rota.

Não tenho como não associar as coisas boas materiais que a vida e o duro trabalho nos proporcionou, com a energia das pessoas. Tem gente que olha e pensa que enriquecemos do dia para a noite. Ninguém vê o relógio despertar cinco e meia da madruga. Ninguém está na garagem quando meu marido sai seis da manhã de casa. Ninguém sabe os problemas que enfrentamos dentro da nossa casa. Ninguém sabe a que horas meu marido volta, e o quanto ele trabalha por vários finais de semana. Ninguém segura a barra que eu seguro como mãe solteira de duas crianças que vivem doentes, como mulher que abriu mão da vida profissional por duas vezes, para cuidar da família e dar suporte ao marido e aos filhos. Ninguém vê que na nossa casa não temos mãe ou sogra para nos ajudar em nada, absolutamente nada. Ninguém vê que há anos não vamos a um teatro, não vamos a um jantar, não temos vida social de adulto, porque não temos ninguém que olhe nossos filhos. Durante os dias em que fiquei na cama, com as pernas para o ar, contei com a ajuda de amigos para cuidar dos meus filhos, principalmente nas férias escolares. Foram meus amigos que trouxeram comida, palavras de conforto, alegria e cuidado com meus filhos. Amigos estes que podem ser contados nos dedos de uma única mão, mas que são fiéis, prestativos, verdadeiros.

Quando estamos no fundo do poço, sempre há alguém que surge com um caso pior que o seu. Não gosto disto. Não quero parear meus problemas com os de ninguém. Os meus problemas são os piores, pois são os que Deus me deu e os que sou capaz de enfrentar. Nem mais, nem menos. Estar com a perna fraturada pode ser tão grave para mim, quanto um leve resfriado para alguém que nunca espirrou na vida. Cada um sabe em que parte do pé que o sapato aperta. Contudo, são poucas as pessoas que emprestam seus ombros para que possamos chorar. São poucas as pessoas que não esperam que peçamos ajuda, mas que tocam sua campainha e estão ali, prontas para o que der e vier. São poucas as pessoas que agem, que tomam atitude, que se fazem presentes. Posso dizer que apesar de tudo, a lição que tirei de toda esta história, é que tenho estas poucas pessoas ao meu lado, e sou feliz e grata por cada uma delas.

Agora eu acredito em olho gordo. Acredito que não devo falar pra ninguém que quero emagrecer. Deixa todo mundo pensar que sou feliz com um quadro de obesidade mórbida. Não conto pra ninguém que vou viajar. Quando me procurarem e eu estiver bem longe, deixa pensarem que eu morri. E quando eu trocar de carro, vou jogar nele um líquido mágico, para que ele assuma o formato exterior do carro velho, assim ninguém pensa que estou rica. 

Porque se tudo que estou vivendo neste ano não é olho gordo, é o quê?

terça-feira, 30 de agosto de 2011

Sobre a "formatura" do meu filho de CINCO ANOS

Recebi uma circular da escola do meu filho, que me deixou bastante chocada. Vou reproduzí-la abaixo, e depois fazer algumas esplanações.

"Formatura Infantil II 2011 - O Fantástico Mundo dos Musicais

Srs. Pais

A formatura dos alunos do Infantil II acontecerá dia 01/12/2011 às 20h, no auditório Elis Regina do Palácio de Convenções Anhembi. Visando minimizar custos e facilitar as contratações que viabilizam este evento, a Escola oferece a todos os pais, 04 (quatro) opções de serviços que estarão à disposição.

O tema da formatura será: "O fantástico mundo dos musicais". De acordo com os personagens do tema escolhido, os pais necessitarão providenciar a aquisição e ou a confecção de uma fantasia para seus filhos.

Oportunamente enviaremos via agenda uma cópia colorida da fantasia com o nome dos componentes do grupo e nome/telefone das mães, para que possam combinar entre si a maneira mais prática de confeccioná-las.

Bassta assinalar com um x no campo escolhido.

(  ) Formatura - 440,00
(  ) Formatura + filmagem em dvd duplo - 600,00
(  ) Formatura + Álbum com 15 fotos - 620,00
(  ) Formatura + filmagem + álbum com 15 fotos - 780,00

Qualquer opção poderá ser paga em três parcelas iguais com vencimentos em 25/09, 25/10 e 25/11.

Obs.: Para pedidos extras de fotos, as mesmas terão o custo de 12,00 por unidade.

Solicitamos que nos enviem a opção desejada acompanhada de todos os cheques pré datados com maior brevidade para nos organizarmos.

(...)"

Vamos aos pontos:

1. Data escolhida: 01 de dezembro - QUINTA-FEIRA. Isto lá é dia de fazer evento deste porte, já que os pais e mães trabalham, e ninguém trabalha na esquina de casa?

2. Horário da escolha: 20h. Horário EXTREMAMENTE infeliz. Estamos falando de crianças de CINCO ANOS. 

3. Local escolhido: auditório Elis Regina. Gente, que mundo é este? Um rito de passagem praticamente insignificante para as crianças, ser realizado no Elis Regina?

4. Tema da formatura: podemos dizer que trata-se de um evento escolar de final de ano, jamais de uma formatura. Pois uma formatura é a entrega solene de um diploma, simbólico ou não. Não tem dança, show, tampouco tema.

5. Aquisição de roupas: como os pais não tem o que fazer da vida, a escola cria o evento para agradar os próprios pais que gostam de circo eventos. E os pais que são normais, que levam seus filhos para a escola com intuitos pedagógicos e não circenses e sociais, são obrigados a se reunir com outros pais para, juntos, confeccionarem fantasias de palhacinhos.

6. Vamos aos pagamentos. Percebamos que a primeira opção, trata-se apenas do pagamento da locação do Elis Regina. E mais alguns papéis que a escola deve entregar, e que jogaremos fora após a primeira semana do tal evento. Para quem paga QUATROCENTOS E QUARENTA DINHEIROS para uma "formatura" de uma criança de CINCO ANOS, será que deixará de filmar e fotografar? Então, consideremos como ÚNICA opção a quarta - SETECENTOS E SETENTA DINHEIROS.

Graças a Deus, na nossa família, temos a condição hoje de pagar os 770 dinheiros pelas fotos, vídeo e "formatura", pagar pela fantasia, pagar pelo traje de gala (que provavelmente deve ser pedido mais pra frente, suponho eu), pagar estacionamento, e lá vamos nós. Mas não vamos pagar.

Por quais razões?

1. Eu, enquanto mãe, não estou de acordo com eventos deste porte na escola. Como educadora, abomino por completo, pois o retorno pedagógico ou social para a criança é NULO!
2. Não quero expôr meu filho, a dançar no palco do Elis Regina, juntamente com outras aproximadas 100 crianças de cinco anos, numa quinta-feira, oito da noite (claro, óbvio, que jamais o evento começará oito da noite. Alguém truca?).
3. Agora falando apenas como professora: as professoras passarão dias e dias ensaiando as pobres marionetes crianças, perdendo seus tempos preciosos de aula, quando poderiam estar trabalhando com as crianças aulas de expressão corporal, teatro, apresentações dentro de sala de aula. E depois lá vão as coitadas, a grande maioria sem carro, ficar até meia-noite (alguém acredita que termine antes disto?) e depois estarem prontas, lindas e aptas a se apresentarem no dia seguinte, sete da madruga, em seus postos de trabalho.
4. Se aos CINCO ANOS, eu proporcionar para meu filho a participação em um espetáculo circense evento deste porte, o que oferecerei a ele quando ele ganhar seu diploma de bacharél?

Ainda bem que meu filho é uma criança muito bem orientada, e a primeira coisa que me disse, ao me entregar a agenda, foi que não quer participar desta "formatura". Como prêmio por não fazer parte destas maluquices, vai ganhar um passeio muito legal com a família, e se quiser, com os amigos, e ser muito mais feliz. E sem sono. 

Contudo, não culpo a escola. A culpa é apenas dos pais, que acreditam que quanto maior o espetáculo, melhor é a escola. Aceitam este tipo de proposta, assinam três cheques e sujeitam seus filhos a este tipo de coisa. Que cobram da escola que a "formatura" seja no mesmo nível da "formatura" do filho da amiga que foi um circo parecido. A escola só cumpre seu papel no mundo capitalista: fazer com que as pessoas consumam seu produto e sintam-se satisfeitas. Só se esquece de que o produto da escola é outro; chama-se EDUCAÇÃO!

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Sobre o mundo em que vivemos. Mais especificamente, sobre um lugar chamado Brasil!

Quem me conhece sabe que sou um ser revoltado com o mundo. Porque meu ideal de mundo é pura utopia, mas o de quem não é? Quem é que não sonha com um mundo sem violência, sem roubo, com pessoas honestas, transparentes, solícitas? Acho que muita gente. Só que, como diz o marido Toruboi, temos ainda muito a evoluir. Enquanto espero a tal evolução, juro que tento fazer minha parte.

Não ficar revoltada toda hora é uma boa parte, em busca da tal evolução. Tenho trocado a minha por trabalho voluntário, pois não consigo não me revoltar. Alguém me entende?
Saímos nas ruas. Esburacadas. Calçadas intransitáveis. Pessoas querendo devorar pessoas. Dirigir é um exercício de sobrevivência. Conto até dez. Até cem. Até mil. Canso de contar e volto pra casa. Faço um mantra qualquer, tomo um banho frio, tento me acalmar. Juro, eu estou tentando. Mas meu nome é Úrsula Hummel, e não Madre Tereza. E mesmo meu tio achando que eu sou um ser que veio à Terra para substituir o atual Buda (só devido às minhas formas semelhantes às dele), não, não tenho espírito de Buda.

Acordei hoje e, como de praxe, liguei o iPad para carregar jornais e notícias. Uma passadinha básica pelo Facebook. Vejo o link do blog da Rosana Hermann falando sobre educação (quem quiser ler, procura aí na internet porque estou com preguiça). Ponto de vista espetacular. Vindo de uma pessoa formadora de opiniões. O Brasil só vai evoluir quando investir em educação, principalmente nos professores que fazem esta educação. Ok, utopia, pois isto não está longe de acontecer. Simplesmente não vai acontecer por aqui. Nossos governantes estão preocupados demais com seus estúpidos salários para seus cretinos serviços.

Novo link: minha vizinha colocou no Reclame Aqui uma reclamação da Etna. Fui ler. Fiquei impressionada com o número de reclamações que havia da mesma loja. Porque prestadores de serviços, o varejo em geral, está se lixando com o seu consumidor.


PAUSA

Moro ao lado de um lixóping. Sábado fui eu e minha perna robô até lá. Passei nas Americanas para comprar algumas coisinhas, que dariam em torno de 250 dinheiros. Vou para a fila do caixa. Sou a primeira. DEZ caixas, apenas um ocupado. E a moça me ignora. Pergunto se posso ir até lá. Ela me manda esperar. Espero. Pergunto se posso ir depois de algum tempo. Ela me ignora. Insisto, ela pode não ter me ouvido. Ela me ignora. Seu colega chama-a, e ela ignora. Revoltei. Joguei TUDO no chão e saí. A gerente veio falar comigo. Soltei o verbo. Fui até a loja de esmaltes. Feira da Vaidade. Comprei esmaltes, lixas, acetonas e afins. 29 dinheiros. Perguntada se quero a NFP, respondo que sim. A vendedora que diz que não dá para emitir, pois acabou de cancelar uma compra e só depois de passar uma compra sem NFP, poderá emitir de novo a nota. Explico que isto é sonegação. Decido não comprar. Ela dá um jeito, fica com medo da minha cara de fiscal da Fazenda. Emite minha nota. Vou até a Marisa Lingerie tentar comprar o que deixei para trás nas Americanas. Entro e pergunto pra vendedora se tem De Millus. Ela me responde negativamente. Antes de ir embora, resolvo dar uma olhadinha. E o que vejo na primeira gôndola? Produtos De Millus. MUNDO CÃO, NINGUÉM ESTÁ AFIM DE VENDER, DE TRABALHAR, TEM QUE FICAR DESEMPREGADO, BANDO DE VAGABUNDO.
DESPAUSA.

Voltando à educação. Como moro na Zona Norte de São Paulo, um lugar quase esquecido por Deus, pelos governantes e pelos investidores de progresso, decidi que poria meus filhos para estudar depois do rio. Em junho, fiz uma pré-inscrição em um colégio, para conhecê-lo. Hoje me ligam, para agendar a data. A funcionária do colégio foi muito atenciosa, muito gentil e por não ter sido meu primeiro contato com o colégio, me impressionei com o nível de seus funcionários, tão solícitos, capacitados e prestativos. Até que.... Por que tudo na vida precisa de uma adversativa no meio da frase? A atendente pediu o número do meu CPF, explicando que geraria um boleto de oitenta dinheiros para cada um dos meus filhos, para conhecê-los. Espanei. Não fui grosseira com a moça. Seria deselegante da minha parte. E eu sou revoltada, mas deselegante, só algumas vezes e hoje não era o caso de gastar meu latim. Expliquei para a funcionária que eu queria apenas conhecer o colégio, que não sabia se queria que meus filhos estudassem lá. Que eu em momento algum, jamais, ever, never, pagaria oitenta dinheiros para que eles avaliem meus filhos, pois sou educadora e totalmente contra uma prática inibitória destas. Agradeci, desliguei o telefone.

Voltei para o Facebook, minha válvula de escape.Um lugar onde posso falar ao mesmo tempo com o mundo todo, onde todo mundo me ouve e muitos me respondem. Desabafei. Recebi mensagens solidárias. Tive a certeza de que não estou louca. Ou estou, sim. Louca, cheia de loucos, vivendo num mundo perfeito e o qual só vemos defeitos. Preciso de internação. Vou até o Facebook pedir uma vaga no Pinél.

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Sobre uma intimidade

Outro dia, marido e eu estávamos conversando e falei para ele que a última vez que fizemos coisas que marido e mulher fazem, tinha sido a segunda melhor vez da minha vida. Curioso, ele quis saber quando tinha sido a melhor, já que meu comentário foi meio jogado ao vento, sem contexto.

"A melhor vez ainda não aconteceu, porque a próxima sempre será a melhor, mas quando ela passar, terá virado a segunda melhor, e ficarei aguardando a próxima para que seja a melhor."

Pareceu confuso. Parece confuso. Mas não é!

Estou em constante busca pelo melhor na vida. Quero evoluir, progredir e prosperar, seja no sentido material, seja no espiritual. Não posso manter um alto padrão, achando que aquilo que estou vivendo é a melhor coisa da minha vida, porque o melhor sempre está por vir. O melhor é aquilo que estou buscando, e só vou encontrar no dia seguinte. Mas se eu me contentar e me satisfazer com aquele melhor atingido, tendo a estagnar, a estancar minha busca pelo meu melhor, pelo melhor que a vida tem a me oferecer. Por isto quero sempre encontrar amanhã algo que seja melhor que hoje!

Concorda?

domingo, 14 de agosto de 2011

Sobre a difícil tarefa de ser mãe de um moleque safado

Ser mãe é uma missão, e quando se trata de ser mãe do meu filho, uma missão difícil demais. Porque muitas vezes, é quase impossível conseguir conter o riso.

O garotinho em questão está prestes a completar seis anos, e sofre de enurese. Quer dizer, para ele, está tudo muito bom, muito bem, quem sofre somos nós. Contamos os segundos para o dia em que conseguiremos tirar a fralda noturna. 

Em comemoração ao dia do papai, confidenciei para ele um segredo: "filho, já pensou como o papai ficaria feliz se sua fralda amanhecesse sequinha no dia dele?". Bingo. A fralda amanheceu seca.

Já no final do dia e ele me fala: "mamãe, que sorte eu tive de a fralda ficar seca bem no dia dos pais né?".

- "Não." Respondi. "Não foi sorte não filho. Na vida, nada é sorte, tudo é luta e conquista. Você sabe quais são as etapas na vida para que a gente possa se dar bem?"

- "Sei sim."

- "Então qual é a primeira etapa?"

- "Saber ler. "

Contive o riso. Ele estava levando nossa conversa muito a sério.

- "Ok filho, então qual é a segunda etapa para se dar bem na vida, algo muito importante?"

- "Aprender a fazer o aeiou em letra cursiva!"

- "Muito bem filho. E depois, qual a próxima etapa?"

- "Aprender a fazer todas as letras do alfabeto em letra cursiva!"

Melhor deixar pra lá. Definitivamente, valores mais profundos não vão entrar na cabeça dele, neste momento em que ele só pensa nas letras cursivas!

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Sobre cultura, economia e afins

Sou uma pessoa que gosta de cultura. Acho super importante ser culto, mas estou há anos luz de distância de atingir o que considero um nível ideal.

Só há uma forma de se adquirir cultura: lendo. E lendo de tudo, sem nenhum tipo de discriminação ou preconceito. Ouvindo de tudo, da mesma maneira. Assistindo a tudo, idem. Não se pode julgar algo como ruim baseando-se apenas na opinião dos outros. A leitura ajuda a formar a nossa cultura, os nossos conceitos sobre as coisas, a desenvolver nossa opinião crítica para a vida.

Tenho consciência do quanto sou crítica com as coisas. A comunidade da minha vida é "eu me irrito com...". Vivo irritada com muitas coisas e muitas pessoas e há algum tempo, uma das coisas que mais me irrita é a televisão.

Não há nada que passe de interessante. Da gama infinita de canais, principalmente os fechados, os quais se têm disponível, quiçá seja possível eleger um, com sorte dois programas "assistíveis" por semana. Por conta disto, fui abandonando a tevê.

Cada vez mais fui mergulhando em seriados, a ponto de hoje ter um número considerável de temporadas completas em um armário de casa. Deve estar beirando cem temporadas, se já não passou disto.

Até telejornais, que sempre gostei muito de assistir, abandonei. Vez ou outra, contudo, dou uma espiadinha para dar imagem àquilo que leio e nestas horas, "eu me irrito"!

Os assuntos presentes são sempre os mesmos: o grupo "crimes-assaltos-roubos-assassinatos-acidentes", o grupo "roubalheiras e patacadas do governo municipal-estadual-federal" e a economia mundial.

Neste momento da economia, "eu me irrito MUITO". Têm coisas que são matemáticas: o mundo é dotado de recursos naturais, e a grande maioria é escassa. Não se planta o maior bem do planeta: água. O povo consome mais rápido do que se pode produzir os bens renováveis. Os governos vivem na gangorra: para a economia crescer, dá-se crédito ao povo. O povo consome muito e se afunda. Os bens começam a se esgotar. É preciso conter o crédito. O país entra em recessão. A economia pára de crescer.

A economia é um ciclo e tudo, absolutamente tudo está calcado na natureza. Enquanto cada cidadão não tomar consciência de que as coisas acabarão, que a casa vai cair mais cedo ou mais tarde, os noticiários serão sempre os mesmos.

Estou desabafando porque todo ciclo econômico é um tanto confuso: os EUA, a Irlanda e mais algum outro lugar liberam crédito para a população. O país fali, fica desesperado ou retém o crédito do povo. A moeda desvaloriza. Outra moeda supervaloriza. O país da moeda valorizada precisa conter sua economia. 

Que tal resolver tudo apenas parando de dar crédito? Será que não facilitaria o fim do endividamento individual, e, consequentemente, atingiria uma escala mais macro?

Fica a dúvida!

quinta-feira, 21 de julho de 2011

O triste fim de um blog abandonado

Prezados amigos, parentes, familiares, serpentes, leitores, cobras e lagartos,

Durante mais de um mês, abandonei minha vida de blogueira. O que não quis dizer que deixei de ler os blogs. Sei tudo que está se passando na vida de cada um dos autores de blogs da minha "timeline". Só perdi temporariamente o interesse de escrever, de comentar, de atualizar algumas coisas.

Semana passada, coloquei um post aqui, e só duas pessoas comentaram.

Quem me acompanha há muitos anos, sabe que nunca fiz blog para dar IBOPE. Nunca "linkei" nenhum blog porque a pessoa passou aqui e escreveu "me segue que eu te sigo". Meu blog é (?) meu diário, meu registro de fatos e sentimentos. 

Com o passar dos anos, amizades foram se formando por aqui e nem quero listar ninguém para não ser injusta. Mas eis que no post da semana passada me senti abandonada. Pensei: "caramba, ninguém mais passa por aqui. Paciência, Panda preguiçosa!". Achei que era o fim da minha carreira internacional de blogueira!

Eis que ontem resolvi falar sobre o dia do amigo. Em nenhum momento reli meu texto e, portanto, não senti a carga de emoção contida nele. Ao longo do dia, reli o que tinha escrito a cada vez que recebi um comentário. E chorei em todos eles.

Obrigada, pessoas amadas, por me fazerem limpar todas as lágrimas acumuladas dentro de mim e por permitirem que hoje eu acordasse literalmente de alma lavada!

Dedicado à: Tha, Carolzinha, Isa, Ká, VEMCHA e MV e àquelas pessoas que passam por aqui para saber como estou, seja qual seja a finalidade deste "saber"  

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Sobre ser pai, ser mãe, ser filho e ser amigo

 - Ser pai: o que meu pai foi para mim
- Ser mãe: aquilo que sou e sempre quero ser para meus filhos
- Ser amigo: aquilo que meu pai foi pra mim, o que quero sempre ser para meus filhos, e o que somos eu e meu marido

Assim formo o conjunto das pessoas mais importantes da minha vida.

Estou vivendo o momento mais difícil da minha vida. Claro que como sempre, tento disfarçar e ser forte, mas não sou. Estou desmontada e em frangalhos, me sentindo um farrapo. Contudo, com forças para caminhar e seguir em frente.

Há quarenta e dois dias perdi o controle das coisas por completo. Não só o andar, o caminhar. Perdi o controle emocional para algumas coisas. Não tenho conseguido ler, me concentrar nas coisas. Eu, que em condições normais costumo realizar todas as minhas tarefas e ainda assistir a uma temporada inteira de qualquer série em dez dias, estou há quarenta e dois dias para assistir a doze capítulos de uma temporada que adoro. Hoje, finalmente, consegui chegar ao capítulo treze.

A história primária da série não tem nada que ver com o que me emocionou, apenas um detalhe da história: a filha do protagonista, grávida aos quinze anos, casa-se, e ele faz o discurso durante a cerimônia. Neste discurso, conta que a filha ainda pequena disse-lhe que ele sempre seria o seu melhor amigo. E eu chorei.

Tudo bem, chorar tem sido uma constante para mim no último mês e meio. Na verdade acho que choro a vida inteira, mas acho que chorar é uma forma de dizer: “estou viva, sinto e me emociono”. Não tenho problema em chorar, tampouco em me emocionar.

Lembrei-me então do meu casamento e do meu pai. Quando completei dezoito anos e disse ao meu pai que ia me casar, ele disse-me com todo o amor que me dedicou a vida inteira: “filha, o papai tem a certeza de que você está errando e que este moço não é alguém que te mereça. Mas se é o que você quer, o papai assina o que precisar, e quando der errado, eu sempre vou ser seu pai e estarei aqui pra te dar forças”.

Nunca consegui entender a sabedoria do meu pai. Ele não tinha estudo nenhum. Mas foi a pessoa mais culta que já conheci, e talvez a mais sábia.

Hoje, lamento não ter mais meu pai perto de mim, até por conta de uma doença muito triste que acometeu trinta e cinco anos da sua vida. Só que tive meu pai ao meu lado nos dois momentos mais difíceis que enfrentei: quando me casei, e passei por muitas dificuldades, físicas e emocionais, e quando me separei, sete anos depois, grávida de dois meses da minha filha.

Naquele segundo momento mais difícil, quando todas as pessoas se afastaram de mim, por eu não poder mais oferecer festas e reuniões todos os finais de semana na minha casa, por eu não poder mais participar de festas, viagens e baladas, foi ao lado do meu pai que encontrei conforto. Era pra casa dele que corria todo final de semana, e lá era recebida por ele e pela esposa, com as comidinhas que eu gostava e com mimo, amor e carinho.

Meu pai era assim: exalava amor por onde passava. Uma pena que a única pessoa que mereceu todo o seu amor, não o teve: ele próprio.
Nunca quero viver a experiência de ver minha filha vestida de branco, aos quinze anos. Não para o baile de debutantes, mas para vestir um véu na cabeça. Deve ser muito triste e doloroso. Então sempre quero ser sua amiga, para poder orientá-la e instruí-la no que for preciso. Tampouco quero ver meu filho assumir a responsabilidade de um casamento antes da maturidade.

Queria poder apertar o botão mágico que é bem simples: minha filha faz dezoito anos e entra em medicina numa faculdade estadual ou federal. Forma-se dali alguns muitos anos e encontra o seu grande amor. Compram a casa própria, casam-se e são felizes para sempre. Meu filho entra na USP para cursar engenharia, economia ou direito, forma-se em primeiro lugar, entra num grande programa de trainee, vai morar fora do Brasil, casa-se com o seu grande amor estrangeiro e também vive feliz para sempre.

Sei que meu pai também sonhou isto para mim: que eu estudasse, encontrasse o grande amor e fosse feliz para sempre. Ele viveu para conhecer meu grande amor: meu melhor amigo e alguém que também chamo de marido.

Meu marido é uma pessoa maravilhosa. E desde que nos conhecemos, sempre digo para ele o quanto ele se parece com o meu pai: é culto, inteligente, gosta de coisas parecidas com as quais meu pai gostava, e mesmo sendo apaixonado por Ferraris, BMWs e Porsches, são apenas sonhos de meninos, coisas intangíveis, pois a simplicidade é o que fala mais alto nele.

Assim como meu pai, meu marido é meu amigo: sabe compreender minha chatice, respeita meu jeito mandão de ser, sabe a hora certa para me contrariar nas minhas birras de menina mimada. Sabe me dar colo sempre que preciso, sem eu precisar pedir. Faz tudo que quero e o que está ao seu alcance para me deixar feliz.

Muitas pessoas me chamam de muitas coisas: apelidos, formas carinhosas, mas nada na minha vida superava ouvir meu pai me chamar de “filhinha” aos trinta anos de idade. Amava ouvi-lo me chamar assim. Por isto só consigo chamar meus filhos pelo nome quando estou brava com eles. Chamo-os de filhinho e filhinha o tempo todo. É minha forma de dizer a todo momento o quanto os amo.

Sempre falo para meu marido da importância da cumplicidade e de fazer algumas coisas com as crianças, do tipo levar na banca de jornal e deixar comprar todas as revistas que quiserem.

Quando criança, éramos muito pobres, mas só hoje percebo as dificuldades financeiras nas quais vivemos. Porque dentro daquelas limitações, meu pai me dava dinheiro escondido da minha mãe para comprar doces na porta da escola, deixava eu comprar sonho na padaria, fiado, antes de ir à escola, pedia para eu comprar alguma coisa e me dava o troco pra gastar com minhas bobagens. Era tão pouco, mas foi tanto, que só quem viveu estas coisinhas escondidas, sabe o quanto foi bom.

Adoro ser cúmplice dos meus filhos. Não faço nada que meu marido não saiba, mas adoro pegar os dois e falar: “vamos ao shopping só nós três e tomar sorvete escondido do papai?”. Não, meu marido não nega sorvete para as crianças, mas quero criar neles a cumplicidade de algo só nosso. Eles adoram. Também gosto de levá-los à banca de jornal, e de dar dinheirinho para eles, mesmo que eles não precisem do dinheirinho, pois diferente da minha infância, podemos entrar no mercado e comprar absolutamente qualquer coisa que eles queiram, podemos entrar na padaria e comprar toda a fornada de sonho para eles, mas o fazer juntinho e meio que “em silêncio” vai deixar momentos marcados em suas cabecinhas.

Hoje é dia do amigo. Muitas pessoas entram e saem das nossas vidas. Não existe um melhor amigo para a vida toda, porque a vida de cada indivíduo se torna diferente em vários momentos, as pessoas se distanciam, se separam, mesmo que ainda exista aquele grande carinho entre elas.

Meu pai sempre será guardado dentro de mim como um grande amigo. Assim como meu marido é o melhor amigo que já tive, e este, não quero ver jamais se distanciar de mim, pois quero sempre caminhar ao seu lado e viver com ele os seus e os meus desejos. E espero sempre poder estar perto dos meus filhos, e por eles ser considerada alguém para contar, como contamos com amigos.

Feliz dia do amigo!

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Mesmo assim, e apesar de assim...

Durante catorze anos da minha vida, tive o prazer e a felicidade de trabalhar com os maiores executivos deste país: diretores e presidentes de empresas multinacionais de grande porte. Digo "prazer e a felicidade" não pelo fato de serem grandes executivos, mas por saber que só se tornaram os melhores por serem cabeças pensantes.

Depois de anos e anos estudando em diversos cursos de nível superior, tive a felicidade, mais uma vez, de me tornar uma educadora, e conhecer muitos educadores que fazem a diferença e valem a pena. A eles, chamei de colegas, com muito orgulho.

Infelizmente a vida não é feita só de coisas boas. De um ano pra cá, parece que recebi o desafio de conviver com mentecapitas e energumenos. Pessoas sem a menor capacidade de agir ou pensar, sem discernimento para separar o joio do trigo, e que precisam se auto promover o tempo todo para conseguir se sentir alguma coisa.

Para cada dez pessoas que passam por mim, só uma é capaz de pensar. Por quê?

Tenho em casa uma funcionária. Vinda de uma região pouco favorecida do nosso país. Chegou em Sampa há quinze anos e mal sabia ler e escrever. Trabalhando orgulhosamente como doméstica, e seu marido como porteiro, conseguiram comprar a tão sonhada casa própria. Tiveram a consciência de ter apenas um filho, para que este tivesse o melhor. O filho tem computador. Notebook. E em breve ganhará um modem para usar internet 3G. 

Dá para entender o que quero dizer? Não é o executivo apenas que pensa. Se você é empregado doméstico ou presidente de multinacional, precisa ser o melhor.

Ser o melhor é ser humilde. É estar aberto a aprender. É saber ensinar. É saber abaixar a cabeça (abaixar mesmo, de se colocar abaixo), é fazer o bem sem olhar a quem, é encenar um espetáculo sem pensar nos aplausos no final.

Fui tirada de circuito por alguns dias*. Para umas pessoas, poucos dias. Para mim, muitos dias. Nestes dias, tentei encontrar caminhos para compreender o que estou passando. E deparei-me com a história da Ana Luiza, uma pequenina de apenas sete anos que veio ao mundo para ensinar muita gente a como ser grande. Se quiser conhecer a história dela, acesse o blog da Carol, sua mamãe, criado para contar dos dez meses os quais a Aninha padeceu de um tipo raro de câncer: www.vidAnormal.blogspot.com.

Ana Luiza faleceu há seis dias. Hoje tive o privilégio de ler um dos textos mais bonitos publicados durante o padecimento desta família, encerrado por palavras de Madre Tereza de Calcutá, as quais me fizeram refletir. Espero que sirva para muitos:

"As pessoas são irracionais, ilógicas e egocêntricas.
Ame-as MESMO ASSIM.
Se você tem sucesso em suas realizações, ganhará falsos amigos e verdadeiros inimigos.
Tenha sucesso MESMO ASSIM.
O bem que você faz será esquecido amanhã.
Faça o bem MESMO ASSIM.
A honestidade e a franqueza o tornam vulnerável.
Seja honesto MESMO ASSIM.
Aquilo que você levou anos para construir, pode ser destruído de um dia para o outro.
Construa MESMO ASSIM.
Os pobres têm verdadeiramente necessidade de ajuda, mas alguns deles podem atacá-lo se você os ajudar.
Ajude-os MESMO ASSIM.
Se você der ao mundo e aos outros o melhor de si mesmo, você corre o risco de se machucar.
Dê o que você tem de melhor MESMO ASSIM.
Veja que, no final das contas, é entre você e Deus.
Nunca foi entre você e as outras pessoas."

Então é isto. Quero entender que a vida é muito maior do que as pessoas medíocres que tem cruzado meu caminho, e MESMO ASSIM, e apesar destas pessoas, quero continuar acreditando no ser humano, e quero continuar fazendo o bem. Mesmo que ninguém saiba. Mesmo que ninguém veja. Porque no final das contas eu serei recompensada: vou dormir em paz! 

*Para quem não tem um contato mais próximo comigo: no último dia sete de junho, na noite do meu aniversário, tive um acidente chegando à festa, onde comemoraríamos meus trinta e sete anos, os quarenta e dois do marido Toruboi e nossos nove anos de casados. A festa foi cancelada antes que a comida começasse a ser servida. Tive uma fratura na fíbula esquerda, e vinte e quatro horas após a queda, consegui fazer a cirurgia no hospital Sírio Libanês, graças à influência de um vizinho e amigo que é médico. Implantei sete pinos na perna e uma placa de titânio, e desde então, não sei mais o que é sentir o chão. Estou em repouso absoluto e não posso deixar a perna para baixo por risco de trombose.

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Quando o valor e a ética fazem a diferença

Muito tenho pensado em valores e quanto mais penso, mais angústia vai me dando.

Não sei muito bem se angústia é a palavra certa. Sei que é uma sensação ruim, que queima o peito e chega até a doer.

Quando uma família decide morar em um condomínio-clube, é porque pretende passar a maior parte do seu tempo em casa, usufruindo da estrutura de lazer que tem à disposição. Dentro desta proposta, acabamos por construir boas relações de amizade, e mais, construímos uma grande família. Assim, temos passado boa parte dos nossos dias em nossa casa ou na casa destes novos amigos, que já nem são tão novos assim, uma vez que nos mudamos há um ano e meio.

E o que faz com que pessoas que nunca se viram na vida, em tão pouco tempo, virem melhores amigos de infância?

Valores. É só esta a resposta que vem à minha cabeça!

Em conversas e encontros, percebemos que tínhamos 247 famílias para "escolher" ou para sermos "escolhidos", mas a afinidade nos princípios fundamentais da vida fizeram com que esta meia dúzia de família se juntasse.

Uma destas amigas estava passando por um problema grande. Não grave, apenas difícil devido às variantes da sua vida neste momento. E eu tentando ajudar, na medida do possível. Dei-me conta de que ela estava tendo algumas atitudes que dificultariam ainda mais a solução imediata deste problema e fiquei sem saber o que fazer.

Acredito na amizade e na profundidade dela. Contudo, mais profundo é o respeito pelo espaço e o limite que devemos ter com o nosso próximo, seja vizinho, seja amigo, sejam filhos, sejam pais. Em quase uma década de casada, não me vejo no direito de dizer para meu marido como deve ser. Porque o que é certo para mim, não é certo para ele. Ninguém tem o direito de dizer algumas coisas para outrem, pois por mais que haja a boa intenção e a boa fé, a forma como o "palpite" é recebido pode magoar e até afastar.

Fiquei sem saber como ajudar uma pessoa tão querida. Então abordei seu marido, que é uma das pessoas mais centradas que já conheci. E ele me disse assim: "se você é amiga dela, diga o que tem de dizer". Fui e disse. De forma muito sutil, delicada e minimalista. Hoje falei cedo com minha amiga e o "feedback" foi excepcional. Ela disse que pensou no que escrevi, concordou com algumas coisas, mudou suas ações e o problema está sendo solucionado. Fiquei feliz.

Sei que muitas pessoas teriam tocado sua campainha e feito de outra forma. Se fosse comigo, teria abominado. Nada pode ser mais ofensivo ou invasivo do que dar palpite na vida das pessoas. Porque o palpite de hoje vira dois palpites amanhã e depois de amanhã encontramos uma bola de neve, cheia de mágoas e rancores.

Minha angústia fica por conta então dos valores que tenho, éticos e morais, e que são muito fortes. Não gosto de ser a senhora Certinha. Pessoas assim sofrem. Eu sofro. Nos últimos tempos, tenho me deparado com situações muito próximas à mim que vão contra tudo que já aprendi e tudo que acredito. Honestidade e caráter são coisas preciosas, e até quem não tem pode desenvolver. Só que muita gente prefere a forma mais rápida de ascensão, prefere acreditar que status vale mais que caráter, e subestimar todos que estão ao seu redor. Seja na minha casa, seja no Palácio do Planalto, a máscara um dia cai.

Resta saber como as pessoas de valores lidarão com tudo!

terça-feira, 19 de abril de 2011

Por que estou sumida?

Estou sumida por estar tentando me encontrar. E quando entramos em um processo de busca, acabamos encontrando mais coisas que procurávamos. É aí que mora o perigo da terapia. Só que meus encontros não são apenas pessoais. Estou reencontrando o mundo. E nele me revolto cada vez mais.

Vivemos em um mundo desprovido de valores. Por várias vezes, arrependo-me de ter posto filhos neste. Pessoas são fúteis, preocupadas cada vez mais com o seu eu. Será que isto traz felicidade?

Não consigo enxergar felicidade em tirar vantagem do próximo. Não consigo entender mais o trânsito caótico e cada um pensando em si. Carros estacionados nas vagas de idosos e deficientes físicos. Pessoas furando fila. Consumindo pirataria. Burlando fiscalização.

Todo mês de abril é a mesma coisa. Revolto-me com o lixo que é o país em que vivo, no qual só pago, só tenho obrigações e nenhum dos meus direitos são cumpridos. 

Revolto-me ainda mais ao ler o blog de um jornalista brasileiro que abandonou tudo: estabilidade de emprego na maior empresa de telecomunicações da América Latina, outro emprego em uma emissora pouco menor, família, amigos e foi encontrar a paz do outro lado do planeta. Por acaso, este cara especificamente é meu irmão. Contudo, há várias outras histórias, como a dele, mundo afora. E quando acordo e me deparo com um texto destes, questiono-me mais ainda: o que o Brasil oferece para nós?

Sem querer abusar da metalinguagem, mas já abusando, encontro ainda este texto. Outro jornalista brasileiro, que saiu e foi embora. Só que este voltou. E encontrou a realidade brasileira na volta. Com a experiência de que existem lugares decentes para se viver, a revolta se torna ainda maior.

E já que estou abusada, trago outra amiga jornalista. Uma pessoa inteligente ao extremo. Sua inteligência, contudo, empata com sua humildade. Não é o que estou acostumada a ver. Pessoas muito cultas e muito inteligentes tendem a ser arrogantes, a se acharem melhor que as outras. Esta minha amiga é especial, pois sua simplicidade serve de exemplo para muita gente. E dentro desta sua humildade, conversávamos no chão da minha sala sobre a educação dos nossos filhos. Sobre a falta de uma escola que eduque nossos filhos de modo que eles possam competir com o mundo lá fora, um mundo que não é este Brasil. Nossa conversa daquele dia me deixou reflexão para vários outros. Será que existe aqui o que estamos buscando?

O povo brasileiro é um povo politicamente engajado. Engajado em denegrir a imagem da Arezzo, que usou pele de animais para criar 300 peças da sua nova coleção. Pagou seus impostos e fez tudo dentro da legalidade. Porque as pessoas preferem comprar peles de animais de maneira ilegal. As pessoas sentem-se felizes em usar "fakes" de bolsas Louis Vuitton. Dá status. É glamouroso. As pessoas sentem-se felizes em ter, pouco preocupando-se com o ser.

Gosto de coisas boas. Um bom restaurante, uma boa viagem, um bom carro, um bom lugar pra morar. Quem não gosta? Só que as coisas são boas para mim, não para mostrar status para meu vizinho. Não para levantar bandeira do ecologicamente correto. 

Minha parte para o mundo eu estou deixando. Chamam-se Isabela e Leonardo, e por mais que achem que eu seja rígida demais na criação do meu legado, é assim que vai ser. Ensinarei a estes dois seres que pessoas são mais importantes que coisas, sempre. Que coisas vão embora e que pessoas ficam. Que fidelidade e lealdade são riquezas mais valiosas que o dinheiro. Que por mais injustas que sejam as leis, elas precisam ser cumpridas, para que possamos acordar todos os dias e sair de casa com a cabeça erguida. E que felicidade não precisa ser dita; quando ela existe, está estampada dentro de nós que transparece num olhar.

Infelizmente, não é possível entrar no mundo de Poliana. Pois se fosse, com certeza lá seria o melhor dos mundos para mim. Entretanto, continuarei lutando e tentando. Se eu conseguir fazer bem feito este meu árduo trabalho de mãe, e transformar duas pessoinhas em seres de bem, terei feito algo grandioso.

Uma Feliz Páscoa para todos. Que este momento da Ressurreição de Cristo sirva para que cada um possa refletir na sua responsabilidade com este mundo tão grande. Pois independente do Deus que existe para cada um, ou até mesmo para aqueles que Deus não existe, temos um compromisso com um futuro. E que ele seja bom para se viver em qualquer cantinho deste mundão.

sábado, 9 de abril de 2011

Realengo: somos todos culpados

Meu nome é Úrsula, tenho 36 anos, sou mãe de duas crianças e também professora. Além de ser humano que habita este planeta insano. Portanto, nada do que eu venha a dizer tem a ver com insensibilidade. Pelo contrário, tem a ver com indignação.

INFORMAÇÃO 1: Antes de mais nada gostaria de deixar claro que tenho depressão crônica diagnosticada oito anos atrás (quase nove, na verdade), já tive crises de pânico alguns anos atrás e tenho graves casos de doenças psiquiátricas na parte feminina da minha família materna.

INFORMAÇÃO 2: Também gostaria de dizer que sofri bulling na infância. Não foi fácil chamar-me Úrsula. Fui alvo de chacota e gozação por muitos anos. Também sofri bulling porque tinha a testa grande. Minha mãe me ensinou que era sinal de inteligência, e como modéstia a parte sempre fui inteligente, comprei a história dela e vivi feliz com as chacotas. Na época, elas nem se chamavam bulling e jamais eu teria aparecido na Rede Globo em horário nobre por ser alvo de gozações devido à minha testa grande.

INFORMAÇÃO 3: Odeio o PT. Desde criança. Odeio o Lula. Também desde criança. E odeio a Dilma. Mas esta só desde o ano passado, e ainda assim, porque ela pertence ao partido do Lula, quem eu acho um charlatão, aproveitador e manipulador de pessoas. Talvez se ela pertencesse a qualquer outro partido, pouco me importaria.

Imaginem só se eu resolvo trocar um computador ou uma máquina fotográfica por uma arma. Alguém acha que seria difícil? Não quis pesquisar na internet. Tenho preguiça. Mas acho que a dificuldade seria zero. E não tem nada que ver com arma legalizada ou não. Não tem nada que ver com o plebiscito nacional que liberou o uso da arma de fogo. Com ou sem liberdade, elas são usadas da mesma maneira.

Então eu consigo a arma ilegalmente. Aprendo a atirar. Entro na escola dos meus filhos. Ou em uma escola para lecionar. Ou ainda em outra escola que eu resolva pedir para o diretor, para o coordenador, ou para qualquer outra pessoa que tenha acesso à escola, que eu também tenha o acesso. Na minha normal aparência, tenho certeza de que eu teria dificuldade zero para adentrar qualquer instituição de ensino, pública ou particular. Assim, munida com a arma ilegal, atiro e mato algumas pessoas, crianças ou adultos.

DE QUEM É A CULPA?

A culpa é do bulling sofrido na minha infância? Do meu histórico de "loucura" familiar? Do Lula e da Dilma? Ou ainda da impunidade que nosso judiciário permite, por ter leis tão mansas, num país cujo indivíduo tem o direito a matar uma vez na vida e sair livre depois de alguns anos vivendo às custas do Estado? Ou será ainda a culpa de Deus, que não protegeu a escola? Ou das religiões que pregam fanatismo?

Não adianta buscar culpados. Não há um culpado específico. Há, sim, uma imensidão de culpados. Começando por cada um de nós.

Somos culpados quando permitimos que nossos filhos cometam pequenos deslizes. Sabotem um amigo, desrespeitem um professor, não obedeçam a nós, seus pais. Somos culpados quando terceirizamos a educação dos nossos filhos, responsabilizando as escolas por tudo de ruim que acontece. Quando permitimos que um filho faça coisas que venham a ferir princípios éticos e morais. E pior, somos culpados quando erramos e permitimos que nossos filhos convivam com estes erros.

Vivo em um mundo medíocre e hipócrita. No meu mundo, pessoas jogam cocô pelas janelas das suas sacadas, mas ninguém de fora pode saber que isto acontece. É como jogar o erro debaixo do tapete. Tampar o Sol com a peneira. A sociedade em que vivo é medíocre a ponto de um indivíduo se achar no direito de boicotar a comunicação coletiva, por não estar de acordo com a política que seu líder adotou. Este é o cidadão que cria os futuros matadores nas escolas.

Indivíduos mandam seus filhos para as escolas, muitas vezes julgando que aquela escola é a melhor. A melhor escola para meus filhos é a minha casa. Qualquer outra é apenas complemento.

Na escola da minha casa procuramos ser politicamente corretos. Não consumimos pirataria. Não fazemos contrabando. Não toleramos falta de respeito. Quando não estamos de acordo, tentamos argumentar, mas pregamos o respeito ao próximo. Educamos nossos filhos para um mundo no qual eles serão muitas vezes vítimas de preconceito e discriminação, exatamente por estarem fora dos padrões: a corrupção, a malandragem, o jeitinho brasileiro, que não acontece só em terras tupiniquins, mas em qualquer parte do mundo.

Peço profundamente em minhas preces para que haja muita luz para tantas e tantas famílias que todos os dias são vítimas do sistema que nós próprios criamos. E que não precisem ocorrer catástrofes como a da escola do Realengo para que repensemos a maneira com a qual estamos criando nossas crianças.

Paz no mundo. Utopia? 

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Reaprendendo a viver

Todo recomeço é mais difícil que qualquer começo. Quando começamos, não temos vícios, nosso corpo, nossa consciência e nossa alma estão livres de manias. Recomeçar significa apagar da memória todos os erros para que a experiência possa dar certo. Nesta nova fase da minha vida, tive que mapear tudo que estava errado e recomeçar. 

Na última consulta à cardiologista, nove dias atrás, saí com encaminhamento para várias especialidades médicas. Foram três semanas quase que vivendo dentro de clínicas e laboratórios. Se eu tivesse saído de casa de roupa branca nos últimos vinte dias, teria sido chamada de doutora, pois minha presença foi constante em alguns lugares. Todo este processo me desgastou horrores. 

Na última quarta-feira, passei quatro horas e meia em consulta domiciliar com a nutricionista. De início, tive três opções de profissionais, e tenho a certeza de que fiz a melhor escola. A profissional trabalha uma linha nutricional muito ligada à medicina ortomolecular. Acredita que nosso organismo é reflexo daquilo que inserimos nele, e no caso do meu, tudo está apodrecido.

Sei precisar exatamente o momento em que virei minha vida do avesso: quando parei de trabalhar, de estudar, de fazer academia diariamente e fui morar em outro país, cuja comida eu detestava. Depois de um ano, mudei-me para um novo país e em mais um ano voltei para o Brasil, onde cheguei e engravidei. Mais um ano que passou e resolvi mudar, mas da forma errada, tomando anfetaminas, sibutraminas e todos os inibidores de apetite existentes no mercado. Contudo, em nenhum momento me dediquei aos exercícios físicos, em nenhum momento voltei a comer bem. Simplesmente não comia. Preferia usar todas as minhas calorias diárias em um pote de sorvete, sem enviar para dentro qualquer coisa saudável.

Junto com a nutricionista, também iniciei outro tratamento alternativo: terapia holística. A profissional também foi indicação e a melhor que poderia ter tido. A terapeuta holística trata o ser humano como um todo, energizando o organismo em seus pontos falhos através da acupuntura, da cromoterapia, do uso de florais. 

Como já estou na segunda semana com a terapia holística, vejo melhoras absurdas. Desde o início não tive mais dor de cabeça. Uma vitória imensa. Meus rins restabeleceram funcionamento, voltei a urinar normalmente. Melhor ainda, minha evacuação teve uma mudança brusca, o que significa que meu intestino também vai bem, obrigada. Outras descompensações, como na vesícula e no baço serão "consertadas" com a alimentação.

Estou fazendo uma dieta de desintoxicação. Ela tem finalidade específica: preparar meu organismo para receber as vitaminas necessárias. Através dela, também tenho a regularização da pressão arterial e das vitaminas que estavam faltando no meu organismo. Consiste em fazer um desjejum com água morna e gotinhas de limão. Desacreditei quando tomei a primeira vez e, pasmem, adorei. Cada dia há uma novidade no café da manhã. Dieta preparada especificamente de acordo com as minhas necessidades e com os alimentos que gosto. O almoço de hoje, por exemplo, terá arroz integral, legumes no vapor, lentilha (amo de paixão), escarola refogada e omelete com alho poró e atum. Tudo gostoso e saudável. Faço três lanches diários (manhã, tarde e pós-jantar). O jantar de hoje é sopa de mandioquinha com espinafre e frango desfiado. Não dá para fazer cara feia, não dá para não gostar.

Minha assistente do lar tem sido a pessoa mais importante, depois de mim, neste processo todo. É ela quem tem preparado tudo com o maior carinho. Substituímos o suco artificial, muito consumido em casa, por natural. Eu tomava umas seis latas de refrigerante por dia. Na última semana, tomei apenas uma no almoço do sábado e outra no do domingo (ainda não estava na desintoxicação). Não posso tirar o refrigerante da minha vida, pois é um vício e o corte não deve ser radical. Mas a diminuição foi drástica: de mais de quarenta latas semanais, para duas. Vitória.

A acupuntura tem me ajudado a ficar calma. Na primeira sessão, dormi a tarde inteira. Ela também zerou minha dor de cabeça. Esta foi a primeira noite que dormi inteira, sem sequer levantar para fazer xixi. Com o sono restabelecido e o medicamento, minha pressão está em torno de 9x6 ou 10x7. Pressão de bebê. Os batimentos cardíacos ficam entre 60 (ao acordar) e 80 (depois de caminhar bem leve). 

De sábado até ontem tive muita falta de ar. A terapeuta aplicou tratamentos para que o pulmão, enfraquecido, voltasse ao normal. Foi resultado imediato e se não fosse comigo, duvidaria por ouvir alguém contando.

Ainda tenho um último exame para fazer e consulta com o ginecologista. Meus tumores não são de risco, e o máximo que pode acontecer, em algum caso muito extremo, é ter que tirar útero e ovário. Já tenho dois filhos, nenhuma intenção de ter outro, e retirar os órgãos do aparelho reprodutor não fará diferença na minha vida. Mas sei que não precisaremos desta histerectomia.

Devo voltar à cardiologista em duas ou três semanas, com este último exame, quando ela deve me liberar para exercícios leves em água. Quero voltar a nadar.

Junto a todo este processo de medicina alternativa que adotei, tive a felicidade em ter de volta ao Brasil minha ex-personal e amiga, que voltou ao país com várias técnicas novas no trato do indivíduo e me auxiliará na parte da recuperação física.

Dentre as mudanças adotadas, a parte de aprender a tomar café da manhã e almoçar têm sido as mais importantes para mim. Forço-me a comer pela manhã, e também a almoçar sagradamente ao meio-dia. Assim, tenho tido forças durante o dia e fome zero a noite, momento do dia onde eu cometia verdadeiras orgias alimentares.

Nos armários da minha casa não é mais possível encontrar salgadinhos, bolachas, bolos e porcarias. Não há qualquer pote de Haggen Daz no freezer. A fruteira está cheia de frutas e a gaveta de verduras e legumes abastecida. Uma grande vitória é eu fazer uso de tudo que abasteço nestes lugares.

Em menos de um mês, minha vida deu a volta. Sinto que agora estou voltando ao ponto de onde saí nove anos atrás. Para cuidar de mim, tive que esquecer dos outros. As crianças vão de transporte escolar agora e eu não me estresso mais no trânsito. Não me sinto culpada em ir com o marido fazer compras no final de semana, pouco me importa se der tempo de a casa ser limpa, o que me importa é que minhas verduras estejam limpas e bem servidas à mesa. Não quero saber dos problemas de ninguém. Preciso ser egoísta para estar inteira. Não ligo mais o computador todos os dias. Ele era um grande companheiro dos refrigerantes, então, está em "stand-by". Tirei férias da pós-graduação e só retorno na segunda quinzena de maio. 

Tenho lido muito. A psicanálise é minha companheira e me faz entender tudo que estou vivendo. Minha orientadora é alguém importante para este meu redescobrimento. 

É preciso chegar ao fundo do poço para subir. Sei que sem recursos financeiros, não poderia ter acesso a nada do que estou tendo, pois todos os profissionais custam muito caro. Então meu marido, provedor deste meu momento de luxo, é uma pessoa importantíssima nisto tudo, mesmo que não me dando toda a atenção que eu gostaria neste momento e estando envolvido profundamente nos seus problemas. Mas o dinheiro que ganha com seus problemas resolve os meus problemas. Não deixa de ser uma parceria, egoísta de ambos os lados, mas uma parceria.

Importante também ter recebido tantos emails nestes últimos dias, de apoio, de força, de orações, de carinho, de fé. Obrigada Deus, por ter pessoas ao meu redor, e principalmente por todas estarem respeitando este meu momento de solidão, o qual foi preciso para que eu pudesse entender tudo. Obrigada a todos pelas vibrações e palavras positivas, que me fizeram entender que o mundo precisa de mim de alguma maneira e ainda não era hora de eu deixá-lo.

Espero imensamente que pessoas que vivenciaram este meu processo de alguma maneira, entendam o quanto uma alimentação saudável é imprescindível para uma vida plena.

"Carpe Diem"

terça-feira, 29 de março de 2011

Notícias de mim

Acho meio prepotente, arrogante, pedante, postar um texto com este título. Embora eu não seja o José Alencar e embora ninguém abra o computador para saber notícias de mim, as notícias estão sendo postadas para as pessoas que se interessam, sejam poucas, sejam muitas.

Ontem retornei à cardio com 27 laudos. Só um exame que não havia ficado pronto.

Os tumores existem, e segundo a médica, o do ovário é bem grande, o do útero pequeno. Encaminhou-me ao meu gineco (parte boa: ele é lindo!), mas disse que esta é a última parte a ser vista. Parte boa 2: não deve ser grave. Perguntaram-me se é mioma. Não é. Se é benigno. Não sei. Por ora, este assunto ficará dormindo por uma ou duas semaninhas, até que eu agende a consulta no gineco.

A pressão consegue ser controlada com remédio, desde que eu não fique nervosa, ansiosa ou irritada. Ou seja, a pressão só é controlada por remédios se eu estiver deitada, vendo tevê, sem filhos em casa, sem telefones e longe do computador. Contudo, foi afastada qualquer possibilidade secundária de aumento de pressão. Vamos tratar a causa: Prozac. Diminui a ansiedade, a irritabilidade, me deixa feliz, dando risada o tempo todo e mexe com a minha libido e vai ajudar a controlar a pressão. 

O coração vai bem, obrigada. Apaixonado pelo mesmo homem há nove anos e batendo forte por ele. Assim continuará. Nenhum risco com ele. TG.

A dor de cabeça persiste. E hoje descobrimos a causa dela: eu não durmo.

Mas antes de falar especificamente de mim, queria deixar um alerta para as pessoas que tem insônia: ela pode acarretar vários outros problemas de saúde: pressão alta, dor de cabeça, alteração nas funções renais e hepáticas. Não se convenceu? Procure um médico da área. Ele chama-se Especialista do Sono. É uma função relativamente nova na medicina, desconhecida por muitos, com poucos médicos disponíveis na área, mas que podem resolver nossos problemas.

Minha polissonografia: é um exame feito para monitorar todo o sono e o comportamento do indivíduo durante o sono: se baba, se ronca, se solta puns, se mexe as pernas, as mãos, a cabeça, quantas vezes pisca, acorda, dorme, por quantos segundos. Enfim, jamais imaginei que o resultado era tão complexo. A médica me perguntou porque eu durmo do lado esquerdo, e quando viro para o direito me incomodo e já volto para o esquerdo. Pensei rápido e respondi: porque durmo do lado esquerdo da cama e gosto de dormir com o braço direito (que fica por cima do corpo) dentro da gaveta do criado-mudo. É a mais pura verdade. Quando marido vai viajar, durmo do lado dele e, portanto, do lado direito da cama (e com a mão esquerda dentro da gaveta dele).

O resultado do meu exame mostra que, em sete horas, dormi apenas 10% deste tempo. Tive 100 (CEM mesmo, ninguém leu errado) micro-despertares, 13 despertares completos e nenhum descanso. Diagnóstico: não durmo. Logo acordo com dor de cabeça. Logo sobe a pressão. Logo altera o funcionamento do meu rim e fígado. Que afeta o funcionamento do pâncreas e da vesícula. Assim, acordo cansada. Logo quero ficar deitada. Logo não consigo fazer nada, pois falta ânimo. Logo a única coisa que faço é comer. Logo engordo. Logo fico com uma papada dentro do pescoço que trava minha língua pra dormir. Nem sei explicar direito a história da língua, porque é complexo demais para mim. 

Toda a culpa é por eu não conseguir dormir.

Próximos passos: liberada para começar a acupuntura (começo hoje). Amanhã vou colocar o aparelho para fazer o monitoramento da pressão arterial (e continuo com os 3 medicamentos). Estou tomando as vitaminas que fugiram de mim: B12 e D. Por isto fiquei careca e as unhas não cresciam. Segunda-feira tenho consulta com o Especialista do Sono. É o papa da ciência no Brasil, o precursor dos estudos, e vou ao consultório particular (pois é óbvio que ele não atende convênio) pela quantia de tantos dinheiros que nem escreverei aqui. Depois vou ao neuro, ao endocrino (a obesidade é a segunda culpada de tudo), ao gineco e ao gastro. E depois de tudo resolvido, viveremos felizes para sempre mesmo que com a conta bancária estourada.

Fica um alerta: nosso corpo é uma máquina, preparada para funcionar perfeitamente. Se a unha não cresce, algo está errado na máquina. Devemos estar atentos ao menor sinal de mudança.

Boa sorte para todos nós!

domingo, 27 de março de 2011

Casos reais na vida de uma família que consome

Há exatos quinze meses, meu microondas que tinha catorze meses de uso quebrou. Geralmente, as coisas quebram em casa logo que a garantia vence e com o microondas não seria diferente. 

Meu primeiro aparelho de microondas, comprado dezenove anos atrás, ainda está vivo. De uma marca que só vi aquele eletrodoméstico, e nunca mais: Goldstar. Depois deste, tive mais uns cinco, seis, ou mais. Juro que não consigo contar. Todos duraram pouco.

Quando o aparelho quebrou, liguei na assistência técnica da Brastemp. Eles vieram em casa e depois  me ligaram para aprovar o orçamento de duzentos e vinte e oito dinheiros, pela troca da placa. Não aprovei, claro.

O aparelho ainda funciona. Só que apenas um botão funciona. O botão de "um minuto". Então se preciso usar o aparelho por um minuto e trinta, tenho que desligá-lo da tomada para "reiniciar" o seu computador interno. Sim, porque o botão "desligar" não funciona.

Este aparelho durou um mês a mais que o seu antecessor, da marca Panassonic. Troquei de fabricante por recomendação de um técnico, que disse que esta marca não prestava.

Hoje, depois de mais de um ano ligando e desligando o microondas da tomada, resolvi comprar outro. Mentira, resolver eu já tinha resolvido há muito tempo, mas primeiro não tinha dinheiro, segundo que não era prioridade, terceiro que ele ainda funcionava, cumprindo sua única função aqui na nossa casa: esquentar a comida.

Para minha surpresa na pesquisa de preço, este aparelho da Brastemp, idêntico ao "quebrado", custava duzentos e noventa e nove dinheiros. Vou pagar quase que o mesmo preço cobrado pela empresa pela troca de apenas uma placa. Apesar da raiva pelo roubo deles, e concluindo que nenhuma marca presta, optei por este aparelho básico e barato, que vai me servir por mais um ano e pouco, me fazer sentir raiva de novo e partir em busca do próximo. 

E assim caminha a vida de quem consome...

Notícias atualizadas

Perdoem-me os que aguardaram por notícias. Na sexta-feira estava tão mal que tudo que consegui fazer foi deitar e chorar o dia todo. Mas passou. Chorar faz bem e limpa nossas angústias. Chorei todos os litros que precisava e agora estou em pé, firme e forte para encarar o que for preciso.

Nesta mesma sexta, terminei de fazer o último exame, o mais preocupante para mim. Além de detectar que tenho uma vesícula "muito pequena e murcha" (palavras dos médicos), foram detectados dois tumores, um no útero e outro no ovário esquerdo.

(neste momento perguntam-se como de uma dermatologista que detectou problemas no coração cheguei a um tumor no útero)

Dentre os muitos exames que minha cardiologista solicitou para este check-up mais que completo, havia uma ultrassonografia abdominal total e pélvica com doppler. Bingo. Vesícula e útero na área de risco da minha saúde.

Ainda na sexta sairam outros resultados de exame. Fiquei impressionada com o monitoramento do meu sono, que detecta que em sete horas de sono, eu tive 100 (CEM, e não há zero a mais) despertadas leves e 13 profundas. Apenas 10% do meu sono atinge nível satisfatório. Ponto para finalmente detectarem o porquê de minha cabeça doer. Quem não dorme, não descansa nunca, logo, a cabeça dói. Isso é o que posso chamar de insônia profunda detectada.

Já digeri tudo e já parei de chorar. Estou pronta para tratar o que for preciso. Da forma que for preciso.

A notícia boa: chegaram todos os resultados dos meus 28 exames e todos os exames do coração foram bem, obrigada. Nenhuma alteração em nenhuma válvula mitral ou suas amiguinhas. 

Amanhã retorno à médica para avaliação final e início de novas etapas. Faz parte da vida iniciar sempre novas etapas, e minha vida é composta de 36 anos de pura adrenalina.

Estou muito feliz com a oportunidade de ter feito este tão completo check-up. Primeiro porque o problema com a vesícula pode explicar minha fome constante, e logo, o porquê de eu engordar (engordo porque como). Segundo porque minha cabeça dói desde que eu sei falar. Durante anos e anos, corri pelos papas da neurologia em Sampa, gastei horrores de dinheiros com médicos particulares, fiz ressonâncias e tomografias computadorizadas e nada, nunca apareceu nada na minha cabeça. Agora está lá, comprovado e laudado por médicos do melhor laboratório do país: eu não durmo, não desligo, não relaxo. E isso me deu um alívio enorme, pois finalmente encontrou-se o mapa da mina, a chave do problema.

A minha pressão está sob controle já pelo sexto dia. Acordo, tomo os três medicamentos e dali duas horas posso medí-la: 10x7 é a média. Assim, espero que a doutora me libere para começar a nadar em poucos dias, para frequentar o pilates, para fazer acupuntura, drenagem e ser feliz.

Agora é tocar a vida e deixá-la me levar, mas em ritmos muito diferentes dos tocados outrora. "Eu só quero ser feliz..."!