quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Lembranças de um passado distante

Depois de uma noite mal dormida, consequência de um dia tenso ontem, acordo e antes mesmo de despertar, corro para ver as novidades na internet. A minha lista de blogs acusava: post novo do irmão. Corro para ler.

Interessante saber que imagens de infância registram-se tão fortemente em nossas mentes. Assim como meu irmão, tenho muito forte a imagem do meu pai longe e distante das cozinhas, aquele marido cuja única contribuição para casa era o dinheiro (e que contribuição sagrada!).

Talvez eu, por ser a mais velha (nem tanto assim), tenha tido oportunidade de ver e viver coisas as quais meu irmão não teve acesso. Por exemplo, em 2003, pouco antes de partirmos para viver no Chile, foi meu pai quem ficou tomando conta da Bibizoca, então com três anos de idade. Além do papel de vovô, aquele que leva na padaria e compra todos os doces que a neta quer (e ela nem quer tanto assim, mas já que está oferecendo...), ainda lavava as roupinhas dela, fazia sopa cheia de legumes e toda a comida que ela pedia. Tive a chance de provar bolo de chocolate com brigadeiro por cima, com direito a uma panela lotada de brigadeiro, para o caso de a netinha querer comer só a cobertura. Típico do meu pai, que na sua simplicidade, sempre ofereceu fartura, mesmo que o oferecido fosse um simples ovo: tinha que ter muito!

Uma pena que meus filhos não tiveram a chance de conviver mais com o vovô. Peteleco sequer teve a felicidade de conhecê-lo. Carrego comigo a sensação de que meu pai foi para mim e para meus irmãos muito mais um tio ou um avô: nunca impôs regras, nunca brigou. Só fazia a parte boa, que era estragar a educação que minha mãe dava, contrariando regras e fazendo tudo de errado com os filhos, as coisas que deixam as boas lembranças. Talvez ele já soubesse que não viveria para estragar seus netos...

Saudades!

10 comentários:

  1. Caralho! Esse pegou na alma. Não tive a chance de ver o velhusco cozinhar brigadeiro, mas não esqueço o tanto que ele estragava a gente com doces e porcarias diversas. Saudade da gota!
    Love u

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  2. Lindo! Meus filhos tb tiveram boas lembranças dos avós, quem não teve fui eu... mas nada é perfeito!

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  3. Oi amiga. Tudo bem?
    Tem selinho pra vc aqui http://gidaniprasempre.blogspot.com/2010/12/selinho.html
    Beijos

    Depois volto pra ler o post.

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  4. Úrsula, essa doeu em mim também...
    Mas o que nos restou foi isso, lembrar das coisas boas dos nossos paizinhos.
    beijão

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  5. Muito bom o texto, parabéns pelo Blog. Fica um convite para visitar o meu também: http://olhodeprosa.blogspot.com. Abraço, Celso Cavalcanti.

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  6. Nossa, parece q a dor se manifesta de tds os lados.
    O problema de ser mãe e ter a obrigação de ser a unica a educar os filhos, é q no final as recordações sobre ela ñ são tão doces.
    Mas espero q minha parte seja lembrada tbm com amor.
    bjs

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  7. É que a gente tende a dar mais valor só ao que perde...é a arte da ingratidão humana...

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  8. Si, probabilmente lo e

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