domingo, 28 de novembro de 2010

Tolerância: ZERO

Nunca escondi minha admiração pela polícia novaiorquina, que com a política de tolerância zero, conseguiu reduzir drásticamente a onda de crimes no estado de Nova York. Sempre acreditei que, se resolvessem fazer algo parecido do lado de cá, crime seria algo em extinção; claro que a longo prazo.
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Revolto-me todos os dias ao sair nas ruas. Carros estacionados em locais proibidos, motoristas indecisos nas tomadas de ações e ao mesmo tempo com a certeza de serem os donos do pedaço. Se falta emprego, por que não empregar pessoas para sair multando por aí, transformando, ao menos a cidade de São Paulo, numa indústria de multas, com tolerância zero? No dia 7 de outubro, fomos a uma festa de aniversário. A cidade estava tomada pela chuva, muitos pontos de alagamento e outros tantos pontos sem energia elétrica, e lá fomos nós, atravessá-la para conseguir chegar até a festa. Passados 30 dias, chega a multa. Passar por farol vermelho. Em um momento daqueles em que carro não anda, nem pra frente, nem pra trás, e chega no meio do caminho, o farol fecha.
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Há oito anos, estive no RJ trabalhando. Hospedei-me em um hotel vizinho do Copacabana Palace, de frente para o mar. O trabalho? Do outro lado da cidade, na avenida das Américas, Barra da Tijuca. Viajamos de carro em uma tarde de domingo e chegamos à Cidade Maravilhosa ao final do anoitecer. Estranhamos o movimento policial, o Rebouças travado. O tempo levado entre Sampa e Rio, foi o mesmo levado entre adentrar a cidade e chegar em Copacabana. No dia seguinte, surpresa: não podíamos deixar o hotel. Os traficantes desceram o morro e tomaram a cidade. O comércio fechou, as pessoas se aprisionaram em suas residências, e nós lá, presos em um hotel, refém de algo que nem sabíamos direito o que era. Foi aterrorizante e, graças a Deus, não houve (para nós) maiores consequências.
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Já comentei em algum momento, acho, sobre o livro Abusados, do jornalista Caco Barcellos. Ao término da leitura, fiquei do lado dos bandidos. Incrível, mas a leitura de qualquer cidadão é esta: pena dos bandidos no desenrolar da história.
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Estou assistindo a cobertura completa da invasão ao Complexo do Alemão. As forças armadas brasileiras unidas para tomar uma atitude. Pessoas de bem presas dentro das suas casas. A polícia comemora vitória, por ter "tomado" o morro sem resistência por parte dos bandidos. O país todo assiste ao "evento" e comemora a vitória do "bem".
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Ontem, assistindo ao Profissão: Repórter, em reprise na Globo News, havia a denúncia em hospitais públicos em todo o país. Pessoas morrendo sem assistência médica, direito constitucional do indivíduo.
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Tenho V E R G O N H A de ser brasileira. Sempre tive. Não bato a mão no peito cheia de orgulho, dizendo que SOU BRASILEIRA, como vejo tantas pessoas fazendo. Moro em um país cuja menor corrupção é esta que hoje está acuada no Rio de Janeiro. A corrupção mora muito mais em cima. Pago diariamente impostos altíssimos, e NADA tenho em troca. Não tenho uma escola decente para meus filhos estudarem. Não tenho assistência médica e hospitalar. Não tenho segurança. Não tenho uma rua em bom estado para trafegar. Não tenho direito a lazer nenhum. Que bom que no Brasil não existem catástrofes da natureza. Que bom que é um povo alegre, hospitaleiro e gentil. Mas E AS PENAS? Que pena que aqui tanto se rouba e as atitudes só são tomadas quando há algum interesse maior. Neste momento, o interesse é mostrar ao mundo que o país sede da próxima Copa do Mundo, e a cidade que sediará as Olimpíadas de 2016, é um país seguro, cujas atitudes  diante de uma onda de crime são imediatas. Se o governo era tão capaz de fazer algo, por que foi que esperou veículos serem incendiados, pessoas serem mortas, para tomar atitude?
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A tolerância no país é total, pois existe interesse de algum lado. Claro. Hoje temos um circo armado contra a corrupção. Corrupção esta que existe com a conivência da polícia, aquela mesma que deixou o assassino do filho da atriz Cissa Guimarães fugir, após extorquir dez mil dinheiros em julho passado. Alguém se lembra? Fica aqui mais uma pergunta: a quem recorreremos, para prender os grandes bandidos, aqueles que assaltam diariamente nossos bolsos, em prol da roubalheira que existe no governo brasileiro?

2 comentários:

  1. Minha análise é bem parecida. Vai arrumando as malas aí que a hora tá chegando....

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