domingo, 14 de novembro de 2010

As controvérsias da vida

Todos os dias reclamo por viver no Brasil, uma terra de malandros e sem lei. Porém, apesar da malandragem, há por aqui pessoas de bem e pelas quais ainda vale a pena estar por aqui. 

Por dois anos, vivemos como expatriados e sentíamos falta de muitas coisas. Quando a Bibizoca completou cinco anos, vivíamos em Portugal, e achei uma das coisas mais absurdas não encontrar kits com todos os temas possíveis para fazer seu aniversário. Tive de inventar. Achei uns guardanapos vermelhos com o Piu Piu desenhado. Aqueles guardanapos serviram para que eu fizesse toda a decoração da festa, comemorada na escola com os amigos e familiares (no caso eu, Toruboi e a filha mais velha da minha prima). 

Quantas vezes não senti vontade de comer bife? E quando morávamos no Chile, o quão difícil foi saber onde encontrava alhos e o básico feijão? A primeira vez que cozinhei feijão, morávamos no flat. As camareiras sentiram o cheiro e começaram a bater em nossa porta. Queriam saber o que era aquilo que cheirava tão bem. Mostrei a elas que era simplesmente feijão. Quiseram experimentar e desacreditaram ao saborear o "poroto" brasileiro. Virei atração no flat.

Não é fácil estar longe e sentir tanta faltas de coisas que crescemos consumindo. Por isto, o expatriado sofre. Acredito que se o indivíduo não tivesse estômago ou paladar, não sentiria tanta saudade.

E por que estou dizendo tudo isso? Porque recebi a ilustre visita de um expatriado brasileiro, morador hoje da cidade de Lyon, na França, país que sempre tive sonho de morar. Ele comenta sobre os adultos no aniversário das criancinhas Hummel, afirmando que lá na França, os pais não participam das festinhas infantis.

Fiquei morrendo de vontade de me mudar imediatamente para aquele país. Afinal, não há silhueta materna que resista à maratona de festas que enfrentamos.

Mas faz parte da vida... sempre desejamos estar onde não estamos, e o melhor seria uma máquina de teletransporte, para os momentos nos quais queremos estar no reino de tãotão distante, com a chance de voltar assim que a vontade passasse.

Dedico este post a todos os amigos e familiares que estão distantes do arroz com feijão brasileiro, das coxinhas e pães de queijo, das comilanças em festas infantis, porém em busca dos seus sonhos.

3 comentários:

  1. Opa! Foi o Léo, né? Não ter de ir a festas infantis é bom. Mas eu até encararia algumas só pra poder comer coxinhas e afins. Ô saudade...
    bjoca

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  2. Ah, eu tb sinto uma saudade... Agora com a gravidez, a coisa piorou. Outro dia, ao ler um comentario da minha irma no twitter cheguei a chorar de vontade de comer o que ela comia :(

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  3. Poxa deve ser difícil mesmo e eu hoje triste porque lembrei tarde e cheguei o supermercado estava fechado, pelo menos amanhã sei que é garantido.

    Dispenso muito o feijão aqui, mas é incrível como quando não tem feito da vontade de comer.

    Abração para todos!

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