terça-feira, 29 de junho de 2010

Sobre crianças

Aqui no Solar, cada andar tem quatro apartamentos. Temos duas entradas em cada apartamento, sendo que só a entrada de serviço é comum aos quatro apartamentos, e a entrada social conta com um elevador para cada dois apartamentos.

Nosso andar é habitado ao todo por dezesseis vidas, o que dá uma média de quatro por unidade. Mas a conta não é bem assim. No nosso Solar somos em quatro, os vizinhos da frente são dois, um casalzinho lindo recém-casado, ao lado deles uma família de pai, mãe e um casal de filhos, mais o cachorrinho, e minha vizinha Noel com o marido, o lobinho e os dois filhos.

É um andar formado por muitas crianças, todas lindas e inteligentes. Os filhos da vizinha Noel são muito engraçados e me divirto quando encontro com os dois. O pequeno, de sete anos, é o cara que vai se juntar com o Peteleco no futuro para incendiar este condomínio, pois os dois não são flor que se cheire. Outro dia, pegamos a dupla espionando a Bibizoca pelo buraco da fechadura. É mole? O mais velho, já é mais sério, mais intelectual, e costumo brincar que vai casar com minha filha. Ontem cruzei com a dupla, com carinha de criança aprontando e já dou risada só de olhar na cara deles. O pequeno correu todo arteiro para me dizer: "o lobinho está em casa". Lobinho, aliás, já está todo adaptado à casa nova, e nem late mais.

Fiz este texto todo para falar que a coisa que me deixa mais feliz por aqui é saber que estes dois meninos, que são os meus vizinhos de hall social, portanto, somos os únicos que ouvimos o barulho um do outro, são crianças saudáveis; como toda criança saudável, fazem com que os pais soltem bons gritos com eles.

Minha vizinha Noel é uma pessoa calma e tranquila, e desde que nos conhecemos, ela diz que grita com os filhos, mas é mentira, não ouço-a gritando nunca, o que me deixa culpada na porta de cá, já que dou vários berros por aqui e fico me odiando por isto. Já o pai, ah, este faz minha alegria. Vibro cada vez que ouço seus berros, e sinto-me livre dentro da minha própria casa, para dar bons berros do lado de cá.

Admiro pessoas que criam filhos sem gritos. Acho que o grito é uma maneira de não infartar, pois a turminha é da pesada. Não falo palavrão em meus berros, só "puta que pariu", mas já aprendi que "puta que pariu" não é palavrão, então pode.

Meu vizinho é mais educado e polido, não fala nem "puta que pariu", e acho que meus gritos são bem mais altos que os dele. Agora chegaram as férias, vamos ver quem vai gritar mais, quem vai ganhar o troféu paciência.

Se as criancinhas Hummel e mais as criancinhas Noel se juntarem, vão escolher fazer parte do "Troca de Esposas" e ficarão com os pais que não gritam. Aí não vai mais ter graça o nosso tão animado andar...

Um comentário:

  1. Que pilantra! Entregou o vizinho na cara dura. Não pode...

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