sábado, 12 de junho de 2010

Sobre a Copa do Mundo e o Dia dos Namorados

Há cada quatro anos, no mês de junho, a metade masculina dos brasileiros fica atenta para a grande paixão mundial, canalizando suas energias na Copa do Mundo. A metade feminina dá a mesma atenção ao Dia dos Namorados, mais uma data comercial inventada para esquentar as vendas em um mês cujos gastos com quermesses e afins já estoura o orçamento financeiro de qualquer família.
O ser humano é gregário por natureza. Thomas Hobbes já teorizou isto alguns séculos atrás, e John Lock afirmou pouco tempo depois. Um humano precisa do outro para viver, aprender, trocar e acasalar.
Muitas pessoas levam a necessidade de se ter um par ao pé da letra. Sofrem 364 dias do ano, e hoje sentem a mais profunda vontade de morrer, pelo simples fato de não ter seu par. Sabem por quê? Porque muita gente não aprendeu que cada um é a melhor companhia para si mesmo. Se não conseguimos entender e compreender a felicidade por completo enquanto estamos sós, como vamos praticar com um parceiro?
Acho o sofrimento da solidão do dia 12 de junho, no Brasil, uma grande bobagem. Claro que vão dizer que falo isto porque tenho o Toruboi como companheiro. Mas nem sempre foi assim. Quando tinha 14 anos, completados cinco dias antes do dia dos namorados do ano de 1988, comecei a namorar. Não foi o primeiro namorado, mas foi o primeiro que eu achei que levaria a sério. Ele me pediu em namoro exatamente naquele 12 de junho, e estava tão certo de que eu ia aceitar, que levou junto com o pedido um ursinho de pelúcia, com a inicial do nome dele bordada na roupa do ursinho, junto com uma caixa de bombons Garoto e um vaso de flor. Nem sei se eu gostava dele de verdade, mas o gesto tão romântico fez com que o namoro durasse por seis meses. No dia dos namorados seguinte, já namorava aquele que seria meu primeiro marido, com quem comemorei os próximos nove dias dos namorados. No último o qual estávamos casados, mas já sem viver um casamento, comprei uma passagem aérea e voei para Buenos Aires. Comemorei o 12 de junho no Planet Hollywood junto com minha ex-chefe e foi muito divertido.
No ano de 1999, estava grávida da minha filha, e separada havia dois meses. Experta (e humilde) que sou, marquei uma baita festança para comemorar meus 25 anos bem no final de semana do dia dos namorados. Assim, não passei a data sozinha. No ano seguinte, reuni todos os meus amigos homens solteiros (e eram muitos), e convidei-os para pagar um jantar para mim. Como faço aniversário cinco dias antes do dia dos namorados, aproveito a desculpa para nunca estar sozinha, e quando fiz 27 anos, tive o melhor dia dos namorados de todos. Reuni 120 pessoas no Bourbon Street (como eu conseguia ter 120 melhores amigos??????). Nunca houve uma data na qual eu ganhasse tantos presentes, flores e paparicos como naquele ano. Em 2002, quando completaria 28 anos, chamei um grande amigo para me pagar um jantar. Fomos para a Oscar Freire, a um belo restaurante e demos muitas risadas, principalmente falando de negócios. E três dias depois me casei com o Toruboi.
Dia dos namorados é uma grande bobagem, assim como o dia das mães, dos pais, das crianças e do Natal, data esta que muita gente esquece de agradecer, ao menos uma vez no ano, a oportunidade de estar vivo.
Dia de namorar é todo dia. Dia de amar também. Amar primeiramente a si próprio, e depois amar alguém. Namorar debaixo do edredom é gostoso todos os dias, principalmente em dia de inverno. Um jantar romântico, um café da manhã na cama, uma bela tarde de sexo apimentado, tudo isso seduz muito mais se acontecer fora do dia 12 de junho, pois ninguém espera nada nos outros dias do ano. E é aí que mora a surpresa.
Vou deixar um conselhinho registrado aqui. Para as pessoas solteiras, que sofrem pela solidão, convidem um amigo, uma amiga, um familiar, para fazer alguma coisa legal. Surpreenda! Para as pessoas que já encontraram seu par, deixem que hoje seja apenas mais um dia, e daqui a uma semana arrasem na criatividade. E para mim, não há conselho a ser dado, pois preciso fazer as contas para pagar o meu presente... de aniversário!

6 comentários:

  1. Oi Ur (já me sentindo intima...rss...)
    Amei o post e assino embaixo, dia dos namorados é todo dia.
    Beijão,
    Gi ;)

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  2. Oi!!!
    Hj eu to top comentarista aqui, hein....kkkkk
    Amiga, o Ed compartilha do mesmo discurso. Eu fiquei triste pelas limitações da cirurgia e não, não pude dar um jeitinho e namorar...rs... Daí ele me disse exatamente isso, que dia dos namorados é todo dia, q amor a gente constroe todo dia...
    Bjs!

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  3. DaniDani, pensa que daqui a pouco vc vai querer namorar "de todos os jeitos"... então vamos aproveitar um dia por vez... guenta coração...rs... bejus

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  4. O "experta" tem alguma outra conotação?!?! rsrsrsrs

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