quinta-feira, 3 de junho de 2010

Pequenos gestos, grandes atitudes

Tem vezes que fazemos alguma coisa que, para quem faz, pode não parecer nada. Quem recebe a ação pode sentir-se premiado na loteria. Tenho uma amiga muito querida aqui no condomínio, que se mudou há duas semanas. Nossas filhas tem a mesma idade e... mesmo nome. Hoje passei o dia sentada e trabalhando, elaborando provas, corrigindo trabalhos, fazendo relatórios e planejamentos. Peteleco gruda no pai e Bibizoca fica meio "peixe fora d'água". Estamos com alguns problemas com ela, que graças a Deus, estão sendo solucionados. Mas ela anda muito triste e apática. Minha amiga Mirian a chamou para ir até a casa dela.
Nossa família é muito pequena. Aqui somos apenas eu, marido e as criancinhas Hummel. Tenho um vínculo forte com meu irmão, mas não é o fato de ele estar na Irlanda que nos distancia, pois quando ele estava por aqui, só trabalhava. Minha mãe e minha irmã vivem em outro mundo,, nos falta vínculo, nos falta assunto, e não adianta estarmos junto com elas só para estar com alguém. A família do marido nos excluiu há muito tempo. Sou uma pessoa direta, que não tem meias palavras, que não aceita hipocrisia e falsidade. Na família dele, que é bem pequena, todo mundo fala mal de todo mundo e quando se encontra, se beija, se abraça. Não entramos neste jogo e fomos eliminados de todas as partidas. Meu pai está no Céu, e não pode bater papo, conversar, estar junto. As irmãs da minha mãe vivem no mesmo mundo que minha mãe e minha irmã. A do meu pai mora em Portugal, outro irmão do meu pai em Minas Gerais e o que mora em Sampa é um "bon vivant", que sempre viveu só a vida dele. Tenho minha tia Cristina, ex-mulher deste último tio, que viaja muito, tem vida social intensa, mas com amigos solteiros como ela, da mesma faixa etária, então vemos pouco. E minha Dinda, que também tem muita família fora e vive viajando. Quem resta? Nós quatro.
A minha Isa foi brincar com a Isa da Mi. Na casa dela, estavam tios e avós. O brilho nos olhos que minha filha voltou pra casa foi muito grande. Ela não precisa, neste momento em que está com problemas, de amigos para jogar Wii, para jogar totó, para brincar pelo condomínio. Ela precisa de aconchego e foi isso que encontrou na casa da Mi. Voltou toda contente, disse que fizeram brownie, o tio Claudio comprou pão de queijo e todo mundo era muito legal. Tomou um banho e dormiu no sofá, sem jantar, às oito da noite. Cansaço emocional.
Sentimos muita falta de casa de pai e mãe, e sentimos muita falta de pai e mãe para estar em nossas casas. Meus filhos nunca tiveram avô para brincar, para ser cúmplice de coisas erradas, para levar até a banca de jornais e comprar gibis, comprar sorvete na padaria em dia de inverno, quando a criança está com dor de garganta e a mãe jamais permitiria o sorvete. Eu sei o quanto isso faz falta, e sei que, se meu pai fosse vivo e vivesse próximo de nós, ele seria o melhor avô do mundo para as crianças.
Infelizmente não podemos dar tudo para os filhos, pois há coisas que o dinheiro não compra. Mas podemos ter amigos de verdade que, vez ou outra, emprestam suas famílias aos nossos filhos. E quem disse que um bom amigo ou um bom vizinho não é nossa família?

5 comentários:

  1. Ótimo post Úrsula =)
    Eu passo por algumas situações parecidas aqui.. somos só eu e o Gu, temos alguns amigos brasileiros, que agora se tornaram muito amigos mesmo, que estão sempre conosco, o que é muito bom.. claro!
    Sinto a ausência constante dos meus pais, pricipalmente da minha mãe, sou muito ligada a minha familia no Brasil, falo todos os dias com a mamãe, ela vem pra cá sempre!
    Mais quando se tem seu marido e seus filhos, por mais que haja ausência de algumas pessoas fundamentais, ai estão vocês para dividir as coisas boas =)
    Beijos querida, um final de semana LEKKER.
    E ah, não vais visitar seu irmão? quando for me avise, e claro de uma passadinha por aqui, adorariamos recebe-la, com sua familia.

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  2. Oi Úrsula tudo bem?
    Que post lindo, carinhoso, meigo...
    Que ten um amigo, tem um presente de Deus.
    Desejo que sejas feliz com a sua família maravilhoso.
    Beijos,
    Gi :)

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  3. Ah Gabi, que delícia sua msg, claro que se um dia estivermos por aí, vamos sim te visitar. Mas por enquanto não está nos planos. Ìamos neste ano pra Europa, mas minha família que mora aí vem toda pro Brasil, minha prima em agosto, meu irmão em setembro e o outro primo (da Alemanha) em dezembro. Quem sabe ano que vem? E vc, costuma vir à SP?

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  4. Ah sim Úrsula =)
    Então, eu vou todos os finais de ano!
    Mais eu creio que este ano nós vamos ficar mais uma semaninha, ou seja.. vamos ficar 3 semanas no Brasil.
    1 em Cuiabá (onde eu morava, e onde está minha familia) e uma em BH (onde o Gu morava e onde está toda a familia dele) e a outra não sabemos.. se vamos fazer alguma viagem! Mais eu sempre fico uns 2,3 dias em SP, qualquer coisa eu te aviso ok? e digo o mesmo! Beijos

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  5. Gabi, vindo para SP, me avisa com antecedência para programarmos um encontro, uma visita em casa, qq coisa! Costumamos viajar no final do ano, então vamos fazer nossas agendas casarem tá? Beijo grandão.

    Gi, muito obrigada pelo carinho! Gd beijo

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