quarta-feira, 16 de junho de 2010

A gratidão de uma profissão

Semana passada se foi tão rapidamente, que faltou dizer várias coisas, dentre elas, que meus alunos do 8o e do 9o ano fizeram festinha surpresa de aniversário para mim. Amo minhas crianças, são umas fofas, dedicadas, inteligentes e queridas.

Hoje foi dia de prova bimestral. Não sei se já disse aqui o quanto sou contra a formalidade de uma prova. A pessoa fica tensa, nervosa, sofrendo e não consegue render tudo que pode.

Ano passado, fui aplicar uma prova para um aluno do 5o ano, com 10 anos de idade. Era a última prova deles naquele ano, na minha disciplina. Quando entreguei as provas e disse que podiam começar, o Raul começou a chorar desesperadamente. Disse-me que se não tivesse boa nota na prova, não ganharia presente de Natal e não viajaria ao Rio de Janeiro. Presente de Natal é bobagem, mas perder uma viagem para o RJ, nem pensar. Perguntei quanto ele queria tirar e ele respondeu na lata: "DEZ"! Coloquei a nota DEZ naquela prova em branco. Pedi para que o menino fosse tomar água, lavar o rosto e fazer a prova quando se acalmasse. Ele voltou e respondeu a prova em segundos. Se eu pudesse, teria dado ONZE, tamanha a perfeição de todas as respostas. Quando tirei a pressão do lombo da pobre criança, tudo ficou mais fácil.

Dia de corrigir prova é dia de várias sensações; algumas provas dão calafrios, ao pensar como é que o indivíduo consegue viajar tanto nas respostas. Outras, são verdadeiros orgasmos a cada sinal de certo nas questões.

Tem aluno que é aluno dez, mesmo que a nota na prova não seja o dez. O professor conhece o aluno que participa, que presta atenção, que estuda e que sabe, e não são as respostas da prova que vão mudar o posicionamento do professor.

Hoje minhas turminhas de espanhol me surpreenderam, nunca dei tanta nota boa, e de quatro turmas, só um aluno teve nota abaixo da média exigida pelo colégio. Mas para ele, nem eu, tampouco a escola, vemos mais solução... uma pena!

2 comentários:

  1. Ta na hora de montar a escolinha da tia Panda...

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  2. Aí acaba a graça... é que nem os botecos, a coisa é boa enquanto é pequena, personalizada...

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