segunda-feira, 10 de maio de 2010

Nos bastidores do varejo


Muita gente me pergunta o que o marido vai fazer na China. Ninguém entende a relação "Pão de Açúcar x Muamba chinesa". Quando conheci o Toru, ele trabalhava no Carrefour. "A priori" imaginei que marido fosse caixa de supermercado, pois temos a tendência a limitar algumas coisas: se fulano fala que trabalha na Ericson, imaginaos que se trata de um engenheiro de telefonia ou um técnico, mas esquecemos que toda e qualquer empresa (principalmente as grandes), para funcionar, precisa de uma estrutura que envolve obrigatoriamente departamentos administrativo, financeiro e comercial. Claro que se for uma empresa séria, também terá a área de Recursos Humanos.
Vou explicar então um pouquinho só da dinâmica da área Comercial de uma empresa de Varejo. A empresa é segmentada, e no caso do Grupo Pão de Açúcar, existem duas grandes divisões: alimentar e não-alimentar. Marido trabalha na não-alimentar, que é subdividida em: bazar, eletro e têxtil. A área do marido é bazar, que ainda é subsub (existe isto?) dividida em: casa, papelaria, automotivo e mais alguma coisa que eu não me lembro. Marido cuida da casa (do Abílio Diniz e eu cuido da nossa!).
O mundo casa envolve uma gama infinita de produtos, mas não se trata de tudo que vai na casa. Como Gerente Comercial, marido conta com uma estrutura de compradores e cada comprador ainda tem seus assistentes de compra. Agora vamos ao negócio: para que possamos chegar ao supermercado e encontrar nas gôndolas panelas, pratos, copos, talheres, travessas, potes plásticos, houve um grande trabalho atrás, de pesquisa, de desenvolvimento, de compra, de negociação para venda e, finalmente, podemos trazer produtos para casa.
Na China existe um grande número de fábricas, de tudo que imaginamos. Depois de estudar a tendência para a próxima temporada (sim, existe moda específica para prato, garfo e copo!), marido e sua equipe desenvolvem os produtos e vão lá para o interiorzão da China comprar em grande quantidade, para vender aqui com preço menor, sem atravessador nenhum. Há empresas que fazem especificamente este trabalho, mas para conseguir ganhar em preço da concorrência (Carrefour e Wall Mart são os maiores), ele vai até lá negociar e comprar para a próxima temporada.
Quando os produtos chegam ao Brasil, é preciso que cada uma das quase seiscentas lojas do grupo no Brasil (lojas Extra, Compre Bem, Pão de Açúcar e Sendas) façam suas compras para a matriz. A logística é encarregada da distribuição das quantidades compradas por cada uma das filiais, que recebem as mercadorias e são responsáveis pela estocagem e por ações de vendas. Cada loja precisa fazer o seu melhor, pois todas concorrem entre si para ser a melhor filial do grupo.
Parece tudo simples, mas é complexo, exige muito mais nos bastidores do que possamos imaginar. E porque contei tudo isso? Bom, sábado fui trabalhar com o marido. Depois de todo o trabalho descrito acima, ainda é preciso visitar as lojas para ver se estão vendendo, e em caso negativo, o porquê de a venda não ocorrer. Apoiar as lojas e as equipes responsáveis por abastecer as gôndolas, colocar preço visível, ter a certeza de que a empresa que pagou para expor seus produtos na gôndola central está com seu produto na devida exposição. E claro, visitar os concorrentes, bairro por bairro, zona por zona, cidade por cidade, estado por estado, para saber que aquela panela de pressão de 4,5 litros que levou dois meses de negociação e agora está sendo vendida por R$ 39,00, não se encontra na casa do vizinho por R$ 38,90. Complexo não?
Depois de quase uma década de casamento, muitos quilômetros rodados e horas e horas sem marido, já conhecia bem o esquema acima. O que nunca tinha visto foi a gana que cada profissional envolvido neste esquemão se doa de corpo e alma. Em véspera de dia das mães, era celular e rádio tocando sem parar; gerentes, diretores, compradores, estoquistas misturavam-se aos clientes Brasil afora. Tudo para garantir uma bela mesa no nosso dia. E o salário no fim do mês!

7 comentários:

  1. Eu adoro profissional dedicado, daqueles que vestem a camisa não importa o cargo.

    O seu marido tem um emprego legal e estimulante, apesar de estressante com certeza, mas é aquilo, se ele não tivesse uma mulher a altura colocando tudo pra funcionar em casa, de nada valeria o esforço, né não?

    Que ele continue assim e cresça ainda mais.

    P.s.: Obrigada pela aula . :)

    bjs

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  2. É Ká, infelizmente pouca gente reconhece o esforço que existe por detrás da "esposa de um executivo". Confesso que rola muito estresse em casa por conta das 14, 15 horas diárias longe de casa. Mas tudo na vida tem um preço, e o nosso conforto tem este! Beijo grandão

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  3. Oi!!!
    Caramba, deu uma aula certinha hein!!
    Falo com propriedade porque já fiz muuito isso que seu marido faz agora, mas eu era do canal alimentar, comprei carnes, flores, frutas, etc... Já rodei bastante.rsrsrs Fins de semana em lojas, viagens pelo Brasil; meu marido sofreu até entender a rotina...hahaha
    Agora continuo no varejo mas em uma área mais burocratica, cuido da negociação de contratos... E já não viajo ou visito lojas com tanta frequencia. Mas sinto falta daqueles dias...
    Agora vc não contou da melhor parte do varejo: o fechamento do mês...hahahaha
    Um beijão!!

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  4. Tb gostei de saber os detalhes. O trampo do cunha é interessante, sem dúvidas. Mas, como o nome diz, é trampo. Cuida bem do homem!
    bjo

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  5. Ei MV, tem uma música para o trampo dele: LELE, LELE, LELELELELELE

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  6. ursula
    as pessoas acham que quem é do departamento de compra ..é só ir lá...comprar e trazer
    esta pesquisa é necessaria, pois imagine o tanto de encalhe que teria sem esta pesquisa!

    tem uma loja aqui, a mulher que faz as compras é uma anta.
    já vi roupas de invernos irem pra arara entra ano e sai ano...e ninguem compra!
    qdo a gente comenta com alguem da loja, elas fazem aquela cara: isos foi a maria qeu comprou!
    hahahahahah

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  7. kkkkk.... se um dia for à sua cidade Lilly, vou querer ir até a loja da Maria...

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