segunda-feira, 31 de maio de 2010

História inventada

Chego a ser tão velha, que na minha infância ainda havia a diferença entre história e estória. Hoje é tudo a mesma história. Seja qual for, a grafada com E ou com H, gosto de ambas. Se não tivesse optado por ser Panda por profissão, seria contadora de estórias.
Sempre exerci meu lado "Pink Dink Doo" com as criancinhas Hummel e adoro a fascinação deles por minhas maluquices.
Quando minha filha era pequena, sempre foi muito chorona e escandalosa. Por qualquer coisa chorava e abria aquela boca enorme e eu morria de raiva. Quando fomos morar na Europa, ela tinha 4 anos e marido morria de medo dos escândalos dela, medo de alguém chamar a polícia e pensarem que eu espancava a criança. Como sair da situação? Inventei para ela que em Portugal havia o Disk Cuca e o Disk Saci. Ambos tinham a dinâmica de funcionamento semelhantes.
Todas as vezes em que ela começava o escândalo, pegava o telefone e fingia discar para o Disk Cuca ou para o Disk Saci. Contei para ela que, ao serem solicitados, enviavam imediatamente uma "carrinha" (como os portugas chamam as lotações escolares) para nossa casa, e a levariam para o reino de Monteiro Lobato. Lá, ela seria transformada em Cuca ou Saci. Se fosse Cuca, deixariam-na verde e com cara de jacaré; se fosse em Saci, jogariam nela um balde de tinta para que ela ficasse da cor do Saci, e cortariam sua perna. Com o passar dos tempos, os escândalos diminuiram. E somente agora, aos 10 anos de idade, que ela parou de gritar.
Quando minha filha era pequena, pegava o pé dela e dizia que era uma saborosa bisnaguinha comprada na padaria. Com meu filho, dizia que era um bife bem suculento. Ele foi crescendo e perguntou onde eu tinha comprado o resto dele, já que o pé era um bife. Contei que comprei ele todinho no açougue. "Como mamãe?". "Simples filho, a mamãe chegou no açougue e pediu a carninha mais gostosa e saborosa que eles tivessem. Então comi a carne e de lá do Céu, o Papai do Céu jogou uma sementinha, que caiu na minha barriga bem onde estava a carne, e se transformou em um bebê". Ele pede várias vezes para que eu reconte a história de vida dele, tão bonita e romântica.
Hoje a mais velha já não acredita mais, só que o pequeno ainda sim, na história de formação da nossa família. "A família era só a mamãe. Aí veio a Tatá (irmã) e éramos uma família bem pequena. Um dia, passando na rua, vi um cachorro bem sujo e sarnento. Peguei o cachorro, levei pra casa, dei banho, tosei os pelos e dei um beijo nele. De repente, o cachorro se transformou no papai. E quando faltava ainda alguém muito especial para nossa família ficar completa, a mamãe foi no açougue."
Alguém aí duvida da minha sanidade? (rezando para o Conselho Tutelar nunca ler meu bloguinho e tirar meus filhotes de mim)

2 comentários:

  1. kkkkkk....só posso dizer isso! rsrsrsrs

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  2. Amiga Than, em breve nosso pequeno bb Strina El Adas estará por aqui para eu ensinar de onde ele veio...kkkkk

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