sábado, 17 de abril de 2010

Escolas na Zona Norte

Já disse e torno a insistir que uma das coisas que mais me entristecem é a banalização das escolas e a prostituição do ensino privado no Brasil. Vou, porém, enxugar um pouco a extensão, o alcance da coisa e trazê-la ao meu mundo. Mais exatamente no Estado de São Paulo, na cidade de mesmo nome, na Zona Norte da cidade. Das escolas elitizadas, uma é a que meus filhos estudam. Apostilou pelo Etapa que, na minha opinião, é o melhor apostilamento, mas se torna o pior quando a equipe não tem a capacidade de aplicar o que o sistema propõe. Eles não têm. Um colégio de padres que demitiu boa parte do quadro para contratar professores inexperientes e recém-formados, a preço de banana. Outra de freiras, que está largada às traças. Outra católica, ligada à PUC, largada às moscas. Mais uma católica (estranho não?), que não é mais nem cogitada entre as melhores. O colégio alemão que desandou após a morte do patriarca. Por último, um colégio com algumas unidades, onde cada criança é um número e cada professor... ensina errado e corrige errado. Tudo que estou pontuando foram coisas que EU VI, COMPROVADAMENTE, não se trata apenas de coisas que ouvi. Vivenciei com pessoas de perto, de cada uma das instituições. Gastamos 2300 dinheiros por mês com a escola das crianças. Para quê? Desisti e optei por procurar uma escola menor, mais barata, que vai ser tão ruim quanto a que eles estão. E comecei por uma na porta de casa. Colégio CERMAC. Cheguei eu, meus dois filhos, minha vizinha com um de seus três filhos. CINCO CRIANÇAS NOVAS. É dinheiro ou não é? Para o CERMAC não. Depois de aguardar por quinze minutos sem satisfação de ninguém, fomos informadas GROSSEIRAMENTE pela recepcionista: "podem aguardar pela coordenadora, ela não desceu ainda porque vocês não agendaram horário". Não estou falando do Porto Seguro, do Cervantes, do Santa Cruz, do Arquidiocesano, do Dante Alighieri. Estou falando do CERMAC, uma escolinha situada no humilde bairro do Lauzane Paulista na periferia da ZN de Sampa. Ao questionar a recepcionista, obtivemos a resposta: "são normas da escola...". Viramos as costas e não esperamos mais, pois era capaz de vir o complemento: "... se não gostou, procura outra!". O que fazer? Quem fiscaliza isso tudo? Ninguém. É Brasil minha gente! O que eu acho de verdade? Que as escolas privadas são hoje uma maneira de a classe média se vangloriar de ter um pouco mais de dinheiro, onde os pais se ferram mais que os de alunos do ensino público, já que este custa muitos dinheiros menos que aquele.

3 comentários:

  1. atendimento ruim é foda até no posto de gasolina. mas qdo o negócio é ensino, é de doer...

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  2. O mais triste é saber o número de dinheiros que se paga para ter o que temos...

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  3. Nossa, estava pensando em colocar minhas meninas nessa escola... já desisti! Se na recepção já é assim, fico imaginando o restante!

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