sexta-feira, 12 de março de 2010

O executivo e o terno

Na antiguidade, as pessoas andavam peladas. Não sei precisar há quantos mil anos, mas podemos ver que na época de Cristo já havia roupas. Então, a falta delas vem de antes. O tempo foi passando e tradições foram surgindo. Até onde conheço (e não conheço a fundo), a formalidade ao vestir partiu-se da nobreza. Na Inglaterra, no período vitoriano, homens que andassem pelas ruas sem os clássicos ternos e cartolas eram tidos como baderneiros e execrados pela sociedade. Falo o clássico terno, já que hoje muitos homens usam terno para trabalhar, mas um terno de duas peças, o que não é um terno. O terno possui três peças, que inclui um colete entre a camisa e o paletó, além da calça.

O mundo foi se modernizando e a rigidez inglesa diminuiu. Só que a veste já estava disseminada mundo afora. E no Brasil, terra de índios e a mais tropical das tropicais, faz-se obrigatório o uso do terno.

Muitas empresas cairam na real, botaram as mãos em suas consciências e aboliram a veste. O Grupo Pão de Açúcar, com alguns muitos mil funcionários aderiu e marido deixou de usar terno e gravata. A qualidade do trabalho aumentou. E se isso não fosse fato, grandes empresas não copiariam.

É chique ver um homem de terno. Mais chique, porém, é ver um homem limpinho, já que terno é quente, faz o cara suar e ficar com aparência gosmenta.

O terno também remete ao "executivo". E pessoas adoram status, adoram ser chamadas de executivas. O executivo, porém, nada mais é do que aquele que executa, portanto, quem menos deveria ser chamado de executivo são os grandes líderes de empresas, já que só ordenam e nunca executam.

Durante minha década e meia trabalhando em RH, vivenciei momentos interessantes. Quando se trabalha em uma sub-área específica, denominada "recrutamento e seleção de executivos", todo mundo quer ser seu amigo. Comigo não foi diferente. Ainda mais quando o mercado fez uma pequena mudança para "recrutamento e seleção de executivos de alto nível". É muito nome para pouco trabalho. Todo mundo quer levar o nominho no seu crachá, pois o ser humano possui quase que naturalmente a síndrome do pequeno poder. O quase fica por conta das exceções.

Fato é que o terno também remete o homem à imagem de poder, tanto que as duas peças, terno e calça social, foram adotadas para o uso de seguranças pessoais ou corporativos.

Aqui no condomínio, nossos seguranças são obrigados a usar paletó e gravata. Até os que ficam fazendo a segurança externa (entenda-se NA RUA). Sob o calor desumano que tem feito em Sampa, o uso de vestuário pesado torna-se um fator desumano, que atrapalha o serviço de qualquer indivíduo, transforma a capacidade de raciocínio do ser. Quem consegue produzir dentro do forno, tostando feito a pururuca do leitão na ceia de Natal?

Ponto positivo é que nossa "diretoria executiva" do condomínio vai abolir o paletó dos nossos seguranças externos, após muita pentelhação e insistência minha. Moramos apenas em um condomínio e precisamos que ele seja seguro, mas o terno não vai barrar a entrada do ladrão. O que vai impedir que soframos algum grande dano em caso de ataque é a rapidez e esperteza do profissional que estiver na guarda na hora do ocorrido (que nunca ocorra!!!!). Com o peso do terno e a inconveniência que ele causa, quem conseguirá usar a esperteza na hora "H"?

3 comentários:

  1. apoiado!! terno no Brasil é absurdo! deixa o pobre homem respirar...

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  2. Também acho certo, nao temos clima no Brasil adapto pra isso!
    Nem aqui na Italia se usa...

    Olha te entendo muito com sua sinusite, passo pelas mesmas coisas, principalmene qdo chega a primavera aqui, que começam as alergias por causa do pòlem. Um horror

    Espero tua visita no blog to cheia de coisas novas da Italia.
    beijos

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