quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Você tem madrinha?


Quando era criança, me apresentaram para uma moça bem bonita e disseram que ela era minha madrinha. Com o passar dos anos, fui crescendo e aprendendo que madrinha era alguém que sempre dava mais presente que os outros, no aniversário, no dia das crianças e no Natal. Aos nove anos, fui fazer catecismo e a igreja não mudou a minha idéia de madrinha. Uma semana antes da primeira comunhão, tive uma cerimônia chamada de “confirmação de batismo”. A tia Inês, minha catequista, disse que tínhamos de levar nossas madrinhas para que disséssemos para Deus que era aquela pessoa mesmo que queríamos ter como madrinha. Eu levei a minha, gostava dela como madrinha. Acho que todo mundo levou aquela pessoa que os pais escolheram no nascimento. Muitos anos se passaram e um dia eu cresci. E mais uns anos se passaram até que eu me tornasse mãe. Quando fui batizar minha filha, tive de fazer um cursinho de batismo e só então descobri quais eram as funções de madrinha. Não tinha nada a ver com dar presentes. Tinha a ver com dar amor, com dar instrução, com ensinar o caminho de alguma fé. Descobri, então, que minha madrinha tinha cumprido seu papel. Minha madrinha foi e é um exemplo para mim, um modelo a ser seguido. Ela sempre esteve presente na minha vida, sempre me apoiou, nunca me criticou em nada. Para ela, o mundo já critica o suficiente e temos que amar as pessoas. Tenho trinta e cinco anos com minha madrinha ao meu lado, desde a barriga da minha mãe. Quando eu era criança, minha mãe me dizia que eu cresceria e me pareceria com minha madrinha. Quem me dera ser tão evoluída quanto ela. Não consigo passar nem perto de tudo que ela é, de todo o desprendimento material que ela tem e de toda a evolução espiritual que ela representa. Meus filhos também foram batizados na igreja católica. Escolhi a madrinha da minha filha no dia em que soube que estava grávida dela. Era minha melhor amiga? Não. Era uma amiga, não a melhor. Com o tempo, fui me arrependendo cada vez mais. O padrinho acabou abandonando a madrinha depois de treze anos de namoro. Ele casou e sumiu, já que eu tomei partido da madrinha na separação. Mas ela também sumiu, sem sequer casar. Magoou minha filha profundamente e podemos perdoar tudo na vida, menos quem magoa nossos filhos. Quem deveria ter sido a madrinha da minha filha é a madrinha do meu filho. Minha amiga, a única que tenho em qualquer hora e em qualquer ocasião. E já são vinte e seis anos de uma jornada de vida conjunta. Um dia, minha filha questionou o porquê de não ter a madrinha do irmão como sua. E a madrinha do irmão disse que a cerimônia do batismo é só um detalhe, que ela é madrinha dos dois. Minha filha quer fazer crisma só para consagrar oficialmente a madrinha postiça como real. Ter madrinha é muito importante. Para mim foi. Para meus filhos também. Hoje, os dois enchem a boca para chamar a madrinha. Amam a ela igual ela os ama. E sou grata a Deus que nos deu a oportunidade, aos meus filhos e a mim, de termos nossas madrinhas, boas, honestas, amorosas e fiéis. Para nós, nossas madrinhas são nossas fadas mágicas!

3 comentários:

  1. que lindo isso que você escreveu. Meu padrinho sumiu, encontro com ele de vez em quando quase nunca. Minha madrinha é gente boa.

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  2. putz... eu sou um desapadrinhado. snif!

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  3. Ká, eu tenho padrinho, é meu tio... mas acho que ele nem sabe, nem que é tio e nem padrinho....

    MV, antes só que mal acompanhado!

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