domingo, 31 de janeiro de 2010

Comédias da vida: para rir ou chorar


O domingo prometia. Apesar da noite mal dormida por conta dos pensamentos focados nos problemas, levantei cedo e bem disposta. Liguei o computador para por minhas idéias no papel. Conectei a internet. Nada de sinal. Desliguei o modem e liguei novamente. Nada de sinal. Desliguei tudo da tomada e liguei de novo. E nada de sinal. Reiniciei o computador. Nada de sinal. Repeti toda a via sacra dez vezes e... nada de sinal. Paciência. Fui para a sala e me esparramei no sofá. Liguei a televisão. Nada de sinal. Fui até o quarto do Leleco, era um problema do modem HDTV. Mas nada de sinal. Tentei o quarto da Isa. E nada de sinal também. Tomei banho para sair e quando saí do banho, marido tinha acordado já. Tentei ainda a tevê do quarto com um fiozinho de esperança. Nada. Sem sinal. Sem telefone, sem internet, sem televisão. Vamos até a Leroy comprar filtro de linha. Ufa, tudo sem trânsito, que beleza, o dia ainda tem salvação. Chegamos ao estacionamento. Sinto algo estranho. Meu brinco caiu. Sim, um brinco da Vivara. Excelência em tarraxas ruins para brincos. Compramos tudo o que precisávamos e pegamos o caminho de volta. Paramos na Di Cicco para tentar encontrar o que ficou faltando, suporte para as televisões. Achamos tudo o que já tínhamos comprado por menos da metade do preço. Mas não tinha suporte para tevês. Vamos para casa. Ponte do Limão, nosso acesso direto: fechada. A da Casa Verde é próxima. O trânsito, porém, está caótico. Domingo, não são nem onze da manhã, como pode? Chegamos. Ponte fechada. Paciência, só mais um pouco, a ponte das Bandeiras está chegando. Só meia horinha no trânsito. Ai meu Deus, ela também está fechada. Vamos até a da Cruzeiro do Sul. Também fechada. Encontramos um funcionário da CET e reclamamos. Ele riu, disse para reclamarmos por telefone. Conseguimos entrar na ponte da Vila Guilherme. Estávamos muito longe da nossa casa. Fazer o quê? Desisti de passar no mercado, preciso fazer o almoço. Vou assar um tender. Uma massa fresca com molho fresco. O tender está assado. Nossa, que dificuldade de tirar da forma. O que aconteceu? Ah, já sei: assei o tender com plástico. Paciência. Vamos comer o macarrão. E depois dormir para descansar. Senhor, festa no salão de festas do condomínio ao lado. Eu tenho fé. Vou conseguir. A NET só tem gente para vir em casa amanhã a tarde. De que adianta ligar novamente todos os aparelhos de DVDs se amanhã terão de desligar tudo? Vamos fazer pastéis assados de doce de leite. Quinze minutinhos no forno e tomamos um lanche da tarde. O que acontece hoje heim? Os pastéis abriram. O doce vazou. Já era. Vamos tomar sorvete. Tem um pote de sorvete lacrado na geladeira, que o Pão de Açúcar entregou as compras, feitas pela internet, sexta-feira a tarde. Quem deslacrou o pote? Como assim ninguém? Isso está aberto. E só tem metade. Ninguém tomou? Veio assim. Vamos jogar fora. Melhor irmos até o mercado comprar lanches para as crianças, já que as aulas começam amanhã. Ninguém na fila dos frios. Beleza. Como assim a balança quebrou? Tem certeza? De repente? Levamos apenas queijo branco então, obrigada. Ao menos algo de bom: o refrigerante está em uma super promoção. Vamos levar duas dúzias. Sem fila no caixa. Tem algo errado. A compra passou. Faltam os refrigerantes. Ah não, não vai me dizer que a máquina parou de ler os códigos de barra. Digitar um por um? Vinte e quatro garrafas? Fala sério! Como assim tem que dar baixa de um em um? Estamos na idade da pedra? Senhor, vai escurecer, o dia está acabando. Vou chegar em casa, dar um lanche para as crianças, tomar um banho e dormir. Lanche acabado. Vamos escovar os dentes. Acabou a água? Não é possível. Vou ligar na portaria. Boa noite, estamos sem água? Ah, o senhor não sabe se o condomínio tem caixa d’água. Claro que tem. Todo condomínio tem que ter caixa d’água. Ah, o senhor é novo. Tudo bem. Tenho certeza de que deve haver uma caixa d’água. Obrigada, boa noite. Crianças, vamos dormir todos fedorentos. E nada de descargas. Nada de comer doces para não dar dor de barriga. Marido foi até a portaria. Só nossa torre não tem água. A manutenção, que a diretora da Cyrela disse ser 24 horas não atende o Nextel. E já não bastava o problema de ontem com as janelas. Senhor, daí-me paciência. Vou rezar. Só Deus para salvar o dia de hoje.”

Um comentário:

  1. A Vivara, além de tudo, insiste em não registrar a Nota Fiscal Paulista. Lamentável.

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