terça-feira, 13 de outubro de 2009

Parlendas


Há algum tempo, meu irmão postou no blog dele uma dúvida: “hoje é domingo, pé-de-cachimbo”, ou “hoje é domingo, pede cachimbo”?

Vou ter que confessar hoje, e ele vai ler minha confissão, que nunca havia pensado na segunda possibilidade. Para mim, desde a infância, domingo, pé-de-cachimbo. Mas ao ler a indagação, comecei a rir. Onde já se viu um pé-de-cachimbo? Ficava óbvio que usava-se o verbo pedir, e não o substantivo composto pé-de-cachimbo. Aproveitei a oportunidade para rir um pouco dele e chamá-lo de burro. Perde-se até o parente, mas jamais a piada.

Ontem, após chegarmos da festa e colocarmos as crianças para dormir, meu marido ligou a televisão na Cultura. Estava passando o programa do professor Pasquale e falava-se sobre as Parlendas. Claro que assistir a um programa assim, até para quem não é da área de Linguística ou goste de aprender curiosidades da própria língua, é sempre enriquecedor, culturalmente falando. O programa de ontem, porém, foi hilário.

O primeiro tema foi exatamente a parlenda questionada por meu irmão tempos atrás. Ainda mostraram vários desenhos de supostos “pés-de-cachimbos”. A explicação, óbvia, foi que o usado é o verbo, e não o substantivo.

O mais curioso, porém, foi outro clássico de qualquer infância, “batatinha quando nasce”; nessa, acho que nem meu irmão, que tem tempo de sobra para pensar em questões tão fundamentais para a vida, pensou. Todo mundo recita: “batatinha quando nasce, se esparrama pelo chão”. O professor brincou muito, passando ao fundo da tela da televisão, imagens de batatinhas se esparramando por um chão qualquer. Então, qual é o correto? “Batatinha quando nasce, espalha rama pelo chão”. Eu e meu marido demos boas risadas com as descobertas até o final do programa. E ao dormir, sonhei com um grande pé-de-cachimbo.

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