terça-feira, 27 de outubro de 2009

A vida na Irlanda do meu irmão


Já conheci gente de tudo que é tipo, raça, religião, nacionalidade. Já conheci inglês, italiano, alemão, americano, ucraniano, português, polonês, afegão, libanês, turco, chinês, holandês, belga, indiano, até paquistanês. Mas nunca um irlandês. Na verdade, mal tinha ouvido falar sobre a Irlanda, não fosse lá a terra natal do maior escritor da língua inglesa, James Joyce. Até que um dia, meu irmão resolve morar na Irlanda. Isso já tem um ano e meio e, desde então, venho conhecendo cada dia mais particularidades sobre a ilha de Joyce. Que meu irmão já se apossou de sua.

Ele costuma dizer que o povo lá é pra lá de vagabundo. Sem nenhum caráter, no melhor estilo Macunaíma. Que Mário de Andrade me perdoe no túmulo se eu ofender ao seu herói. Porém, por tudo que meu irmão conta, Dublin é a terra de Macunaíma. Lá, as pessoas só vão trabalhar se estão com vontade. Quer dizer, às vezes também vão sem vontade, para rir da cara dos manés brasileiros que ficam se matando. Meu irmão é um deles. Se bem que ele conta que se mata, mas eu não acredito muito. Ou será que ele já se esqueceu dos bons tempos de jornalista, jornada dupla entre Globo e Band e ainda faculdade? Ou de quando morávamos no Horto Florestal, ele estudava na Zona Leste e a Globo se mudou para a Berrini? Chamar “fritar uns ovinhos” de trabalho, para mim, é para querer parecer trabalhador. Ok, ele está na Irlanda.

Vagabundices a parte, estou tão cansada de viver na terra dos manés, que tenho pensado seriamente em me mudar para a Irlanda. Para que o estresse que vivemos aqui diariamente? Não levaremos nada desta vida. As notas da faculdade ficarão arquivadas no sistema e, quiçá, impressas em uma folha de papel, denominada histórico escolar. Não vai para o túmulo. O dinheiro que ganhamos a vida toda, se for muito, servirá para a discórdia entre os filhos. E se for pouco, também. Não vai para o túmulo. Tudo que fizemos de bom durante a vida ficará na memória das pessoas. Mas ficará mesmo em evidência qualquer mínima pisada de bola que tenhamos dado. E não levaremos os louros para o túmulo.

Desculpem-me pelo excesso de anáforas; é que cada vez que meu irmão fala da vida boa que é na ilha dele, tenho vontade de apertar a tecla “FODA-SE” e me mudar para lá. Desde que na Irlanda tenha antialérgicos para a família toda, senão, teremos de continuar como manés por aqui mesmo. E Mané no Brasil trabalha tão mais que um brasileiro dando de Mané na Irlanda...

4 comentários:

  1. A vida na ilha é tão boa, que não precisa nem de antialérgico. O ar é bacana, a água é de graça. Mas, sim, tem que ralar um bocado. E, acredite, às vezes é pior do que Globo, Band e facul ao mesmo tempo. Sem contar a saudade. Ainda assim vale a pena. Ô se vale...

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  2. Ah... se com tudo isso ainda assim vale a pena... vamu simbora MV... to fazendo as malas... viver sem antialérgico? Aprendo até a tomar cerveja!

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  3. Nossaaa...é bom saber que sempre procura esta conosco...
    Vamos melhorar sempre por vcs...
    Não nos deixe de nos acompanhar hein???Mesmo com as letrinhas minusculas....rsrsrsrs
    Bjks...
    Nat e Carol

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  4. Meninas, nem sempre dá para escrever, mas aproveito o meu tempo para ler TUUUUUDDDDDOOOO... amo!!!! Beijos nas Costureiras mais famosas do Brasil

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