quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Qual é o conceito de uma infância perfeita?


No livro do Gabriel Chalita, há uma passagem em que ele fala sobre o massacre o qual vivem nossas crianças: excesso de aulas, de informação e falta de infância.

Sou uma das pessoas mais críticas que conheço com relação a isso. Minha casa é cheia de blocos de montar: tem Lego, Mega Bloks dos Carros, da Dora Aventureira, do Pooh, quebra-cabeças, brinquedos de madeira, caixas com canetas, lápis, giz de cera, cola, tesoura, durex, jogos diversos. Acho que criança só tem uma função neste mundo: ser criança.

Nesta semana, a Roseli Sayão escreveu um artigo muito interessante em seu blog, sobre a fuga da infância. Só que já tem muito tempo que a infância foi mandada para o espaço. O excesso de informação que temos no mundo, faz com que as crianças se tornem cada vez mais interessadas por coisas que não pertencem a infância.

Meu marido ligou da China. Disse que todos os colegas que estavam com ele, comprariam o Wii em Chicago, pois o preço está 1/5 do valor do Brasil, mas já com todos os acessórios inclusos. Perguntou se deveria trazer um também. Respondi que não. Estamos há dois anos e meio sem viajar, sem fazer nada em nossas vidas para investir em um apartamento que é o dobro do tamanho do que moramos hoje e tem tudo que se pode imaginar na área de lazer. Vou querer meus filhos jogando Wii? Quero que eles brinquem de amarelinha, apostem corrida, joguem bola na piscina, peteca na praça do Sol, voltem para casa imundos de tinta depois de passar horas no ateliê de pintura. Mas não escravizados pelo Wii. Não é porque o mundo usa, que eu tenho que aderir.

De quem é a culpa do sumiço da infância? Quem roubou-a das crianças? Hoje, minha filha me disse que seu maior sonho é brincar na rua. Utopia nos dias de hoje, mas como sempre, se cada um fizer só um pouquinho, tenho certeza de que conseguiremos resgatar um pouco da infância de outrora que fez tantos de nós felizes!

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