terça-feira, 29 de setembro de 2009

Indignação ou Indigna Ação?


ÍNTEGRA DA CARTA ENVIADA AO INSTITUTO DE EDUCAÇÃO DA UNIVERSIDADE BANDEIRANTE DE SÃO PAULO


Ao
Instituto de Educação

Prezadas Professoras Roseana e Coleti,

Sei que esta mensagem será apenas mais uma enviada à Uniban e que não terá retorno de ninguém. Se bem que na última reunião que houve entre alunos e Coordenação, a professora Coleti garantiu que mensagens enviadas a ela seriam respondidas e é com a esperança de sua promessa que vou usar do meu precioso tempo para fazer um desabafo ou uma reclamação.
Primeiramente, peço desculpas caso o nome da Professora esteja grafado de maneira errada.
Hoje, sai da minha casa para ir até a Universidade, assistir quatro importantes aulas, quais sejam, duas de Língua Inglesa e duas de Literatura Comparada. Para tanto, deixei meus dois filhos na escola doentes. A mais velha, com nove anos, estava com 39 graus de febre. Como não tenho com quem deixá-los, a única opção para não perder as aulas foi deixá-la na escola.
Ao entrar em sala de aula, fomos comunicados sobre o evento que estava ocorrendo, organizado pelos alunos do curso de Turismo. Os professores teriam de nos levar para assistir o mesmo. Em consenso, a sala optou e pediu para que a professora ministrasse sua já preparada aula, uma vez que sua disciplina é a que os alunos possuem maior dificuldade.
Após o intervalo, nossa professora, Doutora Ieda, pediu nossa colaboração para assistir e prestigiar o evento dos colegas, o que não nos custava nada. Citou, inclusive, o caso de um palestrante ter desistido de sua apresentação na jornada de Letras do ano passado, por falta de quórum.
Alguns pontos:
1. Em 1998, ingressei na Uniban, no curso de Direito. Naquele ano, a Jornada Jurídica, organizada pelos Coordenadores e responsáveis pelo curso, trouxe para as palestras: Dr. Miguel Reale (in memorian), Dr. Rubens Aprobatto Machado (Presidente da OAB na ocasião), Dr. Carlos Miguel Aydar (precursor em Direito), dentre outros importantes nomes. O anfiteatro do campus Maria Cândida sempre foi pequeno para o número de alunos que participavam das Jornadas, pois nos eram trazidos nomes interessantes e pessoas que agregaram, e muito, ao vago conhecimento dos estudantes.
2. Em 2007, quando ingressei na Uniban para o curso de Letras, tivemos uma reunião no primeiro semestre entre a Coordenação e os Representantes de Classe. Na ocasião, sugeri para a professora Roseana e para o professor Bene, que tais eventos anuais são de extrema importância aos alunos. É importante que pesquisemos temas e participemos da jornada. Mas é muito mais interessante que venham pessoas de renome na área a qual estudamos, falar sobre nossas futuras profissões.
3. Durante catorze anos, trabalhei como Consultora na área de Recursos Humanos, com as mais renomadas empresas multinacionais e tive a oportunidade de realizar vários eventos. Uma coisa importantíssima ao realizar um evento é saber: QUEM É O PÚBLICO PARA ELE?
Agora, expostos os fatos acima, venho dizer que quando fui para a Universidade hoje, fui para assistir aulas de meu total interesse. Não estou estourada em faltas, não estou precisando de notas, já sou formada e também não preciso de diploma. Mas as aulas que estou tendo no curso de Letras mudaram o curso da minha vida em termos de conhecimento de mundo, coisa que nenhuma das outras duas faculdades as quais cursei me proporcionou. As duas professoras que ministram as aulas de hoje são professoras que fazem a diferença na vida de qualquer indivíduo, seja ele aluno ou não.
Daqui seis semanas, começam nossas avaliações. Em Língua Inglesa, chegamos até a metade da matéria do semestre. Em nenhum momento, por incompetência da professora; pelo contrário, por excesso de competência e por fazer questão de sanar individualmente toda e qualquer dúvida dos alunos, que são muitas.
Em Literatura, temos o total de onze obras a serem analisadas neste segundo semestre. Mais uma vez, por excesso de eficiência da professora, que não deixou lacunas ou dúvidas em toda a matéria vista até agora, estamos muito atrasados. O tempo é curto e em seis semanas, temos nada menos que: Clarice Lispector, Nelson Rodrigues, José Lins do Rego, Raquel de Queiróz, João Cabral de Melo Neto, Guimarães Rosa e o término de Carlos Drummond de Andrade, com suas respectivas obras que constam do conteúdo curricular da disciplina, para analisar, discutir e compreender. Será que o Instituto de Educação tinha ciência do que estávamos perdendo, ao “solicitar” nosso prestígio aos colegas do curso de Turismo?
Sei que vivemos hoje em um mundo individualista. Cada um pensa apenas em si e devemos mudar tal conceito. Mas fazemos caridade quando nos é possível e quando desejamos fazê-la, o que não era o caso de hoje.
Não basta apenas criticar, há que se sugerir uma solução. Sugiro, então, que as Jornadas que ocorrem anualmente em vários cursos da Uniban, sejam melhor programadas e estruturadas. Que as mesmas não sejam impostas aos alunos, mas que possam oferecer algo para os alunos de cada um dos cursos. Mais ainda, envolvam pessoas que tenham interesse em participar das mesmas. O saber não ocupa espaço, mas há vezes em nossas vidas que o espaço é curto demais para benevolências.
Tomo a liberdade de copiar todos os professores do 3o. ano de Letras do campus Marte - período matutino, para que não haja nenhum mal entendido com relação ao conteúdo da minha mensagem, que tem o intuito apenas de mostrar minha indignação com a medida arbitrária da Universidade e total desacordo com a mesma.
Desculpo-me pela tomada de tempo das professoras do Instituto de Educação e agradeço, atenciosamente.

ÚRSULA HUMMEL – 3º. Ano de Letras – Campus Marte – Matutino
R.A. 307831850 – Curso de Letras
R.A. 798492295 – Curso de Direito

4 comentários:

  1. SÓ FALTOU COMENTAR QUE EU GASTO QUASE 3 HORAS PRA CHEGAR ATÉ A FACULDADE!!

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  2. Muris, faltam 6 semanas, faltam 6 semanas, falta um pouquinho, e mais um pouquinho e vamos terminar!!!! IUPPPIIII, adeus Jekyll and Hyde

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  3. E naquele lugar há espaço para anjo????

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