quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Getúlio x Lula

Hoje, a caminho da escola, minha filha perguntou-me sobre quem foi Getúlio Vargas. Como é difícil não ter acesso ao Google quando estamos dirigindo. Respondi o que me veio de pronto na cabeça. Que foi um dos presidentes mais “populares” que o Brasil já teve. Não achei a resposta apropriada. Fiquei insegura na minha afirmação e afirmar algo para minha filha é um perigo, pois com toda a certeza, ela chegaria na escola repassando a informação aos amigos e professores. Troquei pela palavra “famoso”. Também julguei imprópria. Às seis e meia da manhã, e sem encontrar o vocabulário adequado, decidi então, como ex-jurista, falar sobre um grande feito de GV, que foi a Consolidação das Leis Trabalhistas. Expliquei que ele governou o Brasil por duas vezes, mas devido à insatisfação do povo em seu segundo mandato, ele se suicidou dentro do Palácio do Catete. “Mas mamãe, se ele foi eleito duas vezes, como as pessoas podem não ter gostado dele, para que ele se matasse?”. Encerrei o assunto Getúlio Vargas e voltei com ela aos dias de hoje.

“Filha, pergunte para as pessoas que conhecemos, pessoas com estudo e inteligência, com algum poder econômico, mas que trabalham 14, 15 horas por dia, como o papai, que votou no Lula na primeira eleição, se votaria novamente”. Ela respondeu que minha Dinda votou uma vez já no Lula, querendo fazer a associação “inteligência x poder econômico”. Então veio a tal pergunta que eu já esperava: “mamãe, por que você não gosta do Lula?”.

Não tenho motivos para gostar ou não gostar do Lula. Só não aceito a forma de governo assistencialista e paternalista dele. Ontem a noite, veio em casa a mãe de um amiguinho do meu filho, trazer-nos o convite de aniversário do menino. Disse que mais uma vez estava sem empregada. A última, com meia dúzia de filhos, disse que não compensava trabalhar, pois ela ganhava muitas latas de leite Ninho, as quais vendia muito mais da metade e já arrecadava um bom dinheiro. As crianças ficavam no CEU em período integral, portanto, não tinha despesas com escola ou alimentação. E como mandava as crianças para a escola, ganhava o Bolsa Família, o Vale-gás e mais outras bonificações do governo. Então, disse para a patroa: “Dona Andréia, não está compensando pra mim ficar trabalhando. Eu ganho mais se ficar em casa”.

Minha filha respondeu: “é aquela base da pirâmide que você me explicou outro dia não é mamãe? Porque se o Lula não ajudasse os pobres, seria muita gente não gostando dele e ele teria que se matar também né?”.

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