quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Casas e casos das sogras



Não tem figura na árvore genealógica que leve pior fama que a sogra. O repertório para piadas de sogra é tão grande quanto o de piadas de português, de bêbado ou de qualquer outra figura que sirva de bode expiatório aos “piadeiros” de plantão.

Tenho uma relação muito boa com a minha sogra. Ela é o tipo de mãe que jamais se intromete na vida de nenhum dos três filhos. Sabe que cada filho tem seus defeitos, assim como suas duas noras e seu genro. Mas tem muito claro em sua mente que isso não é problema dela, que sua parte está feita e pronto. Criou e educou os filhos. O que eles fazem de suas vidas agora, é problema de cada um.

Logo que me casei, enfrentei alguns problemas no meu relacionamento com meu marido. Não eram coisas que tinham que ver conosco, mas com sua ex-mulher. Naquele momento, minha sogra foi uma peça fundamental para que continuássemos casados. Me apoiou, me aconselhou em todas as vezes que precisei e me mostrou muitas coisas que eu não conseguia enxergar. Acho que se não tivesse recebido o apoio dela e da minha cunhada naquele momento difícil, não teríamos continuado casados.

Sinto falta de não ter mais tempo para conversar com a minha sogra. Ela é uma mulher muito culta, tem uma história de vida difícil. Não uma vida sofrida, mas uma vida de abdicações em prol da família. Acredito que tais abdicações deixaram algumas amarguras em sua vida, mas nada que interfira na minha relação com ela. É importante sabermos amar e respeitar nossos sogros, afinal, eles são a extensão de nossa família (ou será que nós é que passamos a fazer parte da extensão familiar deles?).

Todo esse papo de sogra foi para falar de uma pessoa muito especial em minha vida, que também é sogra. Ela tem três filhos homens. Nunca imaginei ter apenas filhos homens, afinal, querendo ou não, a mulher é quem domina e comanda uma casa, um casamento, uma relação. E se eu tivesse filhos “bananas” com noras dominadoras, que odiassem a minha pessoa e me afastasse dos meus filhos?

Foi essa pessoa quem me fez enxergar de maneira diferente o universo das sogras. O filho mais velho casou-se há pouco mais de um ano. Como homem tem sua dependência emocional da mãe, apesar de casado, o filho não sai da sua casa. Reclama da esposa quando ela faz coisas que não são iguais as que a mãe fazia. E ela parte em defesa da nora, sempre.

Achei sua visão uma das maiores provas de amor ao filho. Primeiro: casamento hoje é algo banalizado; casa-se e separa-se com uma facilidade incrível. Para que a relação seja duradoura e tenha mais consistência, é preciso do apoio familiar. Quando ela apóia a nora, está fortalecendo a união do filho, trazendo os dois sempre para seu lado. Mostra ao filho que a nora é esposa e ela é mãe. Trata-se de duas pessoas de diferentes idades, com diferentes relações e diferentes funções na vida dele. Assim, ele consegue amar e respeitar as duas, sem que nora e sogra entrem em conflito, pelo contrário, fortaleçam laços familiares, como mãe e filha.

Contei duas histórias de sogras muito diferentes, mas ambas histórias felizes. Um dia, serei sogra. E quero poder aproveitar um pouquinho de cada um desses e de outros exemplos que surjam em minha vida, para que eu seja uma sogra feliz e faça meus filhos, nora e genro também felizes.



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