sábado, 19 de setembro de 2009

A vida de tantas Terezas


Bastião e Tereza se conheceram ainda na adolescência. E construíram uma vida juntos por mais de duas décadas. Ambos se formaram na mesma profissão, mas cada um trabalhava em uma área. Na verdade, Tereza abriu mão da sua vida profissional para seguir os passos do amado Bastião, assim que se casaram. Saíram de sua cidade natal rumo a um lugar bem distante. Os anos passaram e voltaram para casa. Queriam um filho e o filho não vinha. Tentaram alguns tratamentos. Nada. Decidiram adotar. Bastião foi convidado para trabalhar do outro lado do mundo. Tereza, que já se estabelecera profissionalmente, abandonou mais uma vez sua vida pessoal para seguir Bastião. E lá foram os dois. Na verdade, três, pois o tão sonhado bebê estava na barriga. Gravidez longe da família, país de língua estrangeira, povo difícil em lidar e um parto sofrido: quarenta e oito horas até que Bastião Júnior nascesse. A família já começava a se adaptar, mas Bastião voltou para o Brasil com todo mundo. Mais uma vez, Tereza foi buscar um rumo profissional. Sempre fora a melhor aluna da escola, do Ensino Médio técnico, da faculdade, não era justo desperdiçar tanto talento. Compraram sua casinha e enquanto Bastião continuou seus estudos, Tereza trabalhava, cuidava da casa, do filho e do marido. Até que ele decidiu voltar para aquela primeira cidadezinha. Lá foram os três para Camaçari. Vida difícil, de novo longe de tudo e de todos, de novo uma readaptação ao povo, ao clima tão diferente daquele que haviam crescido. Enquanto ele trabalhava, ela lutava com a escolha da escola, da empregada e começou a trabalhar por conta própria. Por vezes, teve de correr até São Paulo para finalizar trabalhos, mas nada que lhe fizesse sofrer. Estava ao lado do seu grande amor. Espontaneamente, veio a segunda gravidez e nasceu Terezinha, para completar a felicidade da família. Bastião seguia sua função masculina: trabalhar e prover o sustento da família. Tereza, a sua feminina: trabalhar para complementar o sustento da família, cuidar dos dois filhos, da casa, das escolas, do marido. Até que um dia, Terezinha e Bastião Júnior foram ameaçados de morte. Bastião arrumou uma amante, também casada. Quando o marido traído descobriu, decidiu fazer justiça com as próprias mãos. Mas não contra Bastião, e sim, contra seus filhos. Tereza saiu de Camaçari para a capital, Salvador, escoltada pela polícia local. De lá, voltou para a casa da mãe com seus dois filhos, onde permanece em segurança física. Pois a emocional desabou. Essa Tereza não é Batista, portanto, não se cansará da guerra e continuará sua batalha. E assim como tantos contos, esse termina aqui. FIM

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