terça-feira, 15 de setembro de 2009

A saúde sempre em primeiro lugar

Este é um assunto que há muito tempo quero expor. Nunca fiz segredo para ninguém sobre os sessenta quilos que ganhei nos dois anos que morei fora do Brasil. Logo que cheguei, fiquei grávida do meu filho caçula e depois do seu nascimento, aquela gordura estava me fazendo mal física e psicologicamente. Até que um dia, encontrei um médico milagroso, que fazia as pessoas emagrecerem e nunca mais engordarem. Fui até o médico. Ele disse que no primeiro mês, emagreceria no mínimo quinze quilos. Emagreci dezessete. Ao final de seis meses, havia eliminado os sessenta quilos. Como? Com doses diárias altíssimas de anfetamina (anfepramona e femproporex), diuréticos, reguladores (?) intestinais e hormônios de tireóide (t3 e t4). Ao final dos seis meses, já tomava oito comprimidos pela manhã e oito a noite.

Com os sessenta quilos, foram embora também os meus cabelos. Isso me deixou tão deprimida que não conseguia mais tomar remédio algum. Minha saúde ficou totalmente debilitada. Contraí uma pneumonia, tive crises seguidas de sinusite e os antibióticos não faziam mais efeito. Minha pele perdeu o brilho, meu rosto encheu de espinhas (coisa que nunca tive). Um dia, uma amiga me disse que era melhor uma gorda com um cabelo lindo como o que eu sempre tive, a uma magra careca. Achei que se eu comesse tudo novamente, a gordura e o cabelo voltariam. Só a gordura voltou. Os cabelos ainda estão crescendo. Uso produtos importados super caros, já tentei diversos tratamentos, mas o cabelo que está nascendo agora é feio, fraco, opaco. É um cabelo triste.

Tudo isso aconteceu entre o final de setembro de 2007 e abril de 2008. Eu jamais poderia ter parado de tomar as altas doses de anfetamina que tomava, repentinamente, sem acompanhamento médico. O segundo semestre do ano passado foi muito difícil. Voltei a engordar. Dez quilos vieram, depois vinte. Voltei ao médico. Voltei a usar os remédios. Mas tinha muitas náuseas ao engolir tantos comprimidos. Achei que conseguiria chegar a algum lugar sozinha e sem remédios. Cheguei: tive depressão e início de síndrome do pânico.

Em março deste ano, iniciei o tratamento com psicóticos. O máximo que eu dormia após as anfetaminas eram quatro horas por noite. Fui melhorando. Em julho, uma das minhas mães postiças me indicou uma médica que fica em Osasco (eis o que tanto faço em Osasco). A médica é filha de um dos maiores pesquisadores endocrinológicos do nosso país. Com o pai na casa dos oitenta anos, ela foi assumindo sua clientela, enquanto ele continua se dedicando às pesquisas. Fui com meu marido. A consulta inicial durou uma hora e meia. Ouvi coisas que nunca nenhum outro endócrino admitiu: OBESIDADE É DOENÇA. E MATA. Obesidade é doença para ser tratada por toda a vida, assim como o diabetes, assim como a hipertensão. E nenhum tratamento saudável elimina sessenta quilos em seis meses.

Chorei muito durante uma hora e meia na consulta. E tive da médica o colo que precisava. Ela disse o que eu e todo mundo que me conhece sabe. Sou muito ansiosa, tenho pressa que as coisas aconteçam, quero liderar tudo para não perder o controle e para que tudo dê certo, não confio nenhuma tarefa para ninguém, quero tirar nota dez em tudo: como mãe, esposa, aluna, profissional, dona-de-casa, amiga, filha. Não dá. Ninguém é nota dez na vida.

Eu já havia RE-engordado cinquenta e cinco quilos. E meu caso não é cirúrgico. De nada adianta cortar o estômago, o intestino, amarrá-los, seja lá o que for. O problema está na cabeça. Passei quase que um dia todo no Fleury fazendo os exames solicitados. Comecei a ser medicada, principalmente com vitaminas, para recompor todas que perdi. A médica me disse que nosso tratamento não seria de perder peso, mas de conscientização de coisas da vida.

Nos últimos dois meses, aconteceram muitas coisas na minha vida. Tenho a sensação de que entrei em um furacão e ele está girando, girando, girando. Sinto que não consigo colocar os pés nos chãos, pois surgem problemas por todos os lados, em todos os momentos. E com tudo isso, sendo medicada para a coisa certa, da maneira correta, perdi oito quilos nestas oito semanas. Fiquei muito feliz ontem na consulta, por saber que estou virando finalmente gente grande, que estou aprendendo a lidar com algumas coisas da vida e que, acima de tudo, estou cuidando da minha saúde como se deve. E que tudo dê certo até o final!

6 comentários:

  1. E PODE APOSTAR QUE A FALTA DE UM AMIGO PARA FAZE-LA SORRIR TODAS AS MANHÃS E TE COBRIR COM UM MONTE DE BOBAGENS NÃO SERÃO PROBLEMAS SE DEPENDER DE MIM! AFINAL VOCÊ ME ADOTOU COMO IRMÃO...E NÃO IMPORTE SUA APARÊNCIA...NÃO IMPORTE QUE ANDE COM UM SACO DE PÃO NA CABEÇA...SEMPRE SEREI UM VAGABUNDO VAGANDO AONDE VOCÊ ESTIVER!!! NÃO IMPORTE POR ONDE O RIO DA VIDA NOS LEVE..SEREMOS SEMPRE ÁGUA!!!

    ABRAÇOS DE SEU AMIGO!!

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  2. E com certeza dará tudo certo amiga....
    Sabe porque????
    porque agora vc buscou a formula certa....

    torço por vc!!!!!

    bjuuuus e mtas saudades.....

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  3. Muriçoca, vc é um vira-latas... só não é o maior do mundo, pois existe meu irmão biológico para fazer par com você. Eu só ia ser sua amiga até protocolar os estágios, mas posto que te amo, terei de ser sua amiga até a eternidade!

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  4. Minha amiga querida e amada... eu sei o quanto você torce por mim... e você sabe o quanto a recíproca é verdadeira... nossas histórias de vida são cheias de percalços que se transformam em vitórias. Ganharei mais este troféu! Amo vc!

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  5. O Murilo e a Marta deram o exemplo do que eu queria acrescentar ao post: saúde e amizade em primeiro lugar. Ninguém precisa de nada além disso pra ser feliz.
    Love ya

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  6. É isso aí my brother!!!!! E preciso ganhar cinco pilas, que com juros, correção monetária, já devem ser quase dez... pq eu tb preciso de dindin pra ser feliz!

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