terça-feira, 18 de agosto de 2009

Surpresa que realmente surpreende

Queria que o computador fosse capaz de mostrar o tamanho, a beleza,
a delicadeza, a textura, o relevo, enfim, o trabalho peculiar que é esta caixa!


Sabe aqueles dias em que temos mil coisas para resolver e sabemos que o dia acabará e ainda sobrarão novecentas coisas? E que não será por incompetência que elas deixarão de ser resolvidas, mas simplesmente porque o tempo acabará? Assim eu acordei hoje. Aliás, se quis fazer jus a ser uma Ursa, não falhei na tentativa. Ontem, depois de tanto nervoso com a famigerada Editora Abril, um dia inteiro sem comer, problemas com a empregada e a sensação de que algumas vezes estamos com a vida imantada, atraindo todo e qualquer problema, dei banho no meu filho e as sete da noite ele já estava dormindo. Aproveitei para deitar e tirar um cochilo. Só que o cochilo durou até quase seis da manhã de hoje.

Acordamos as crianças, para que eles dessem o tal presente de dia dos pais atrasado que a escola só pode mandar agora, despedimo-nos do meu marido, segui o ritual banho, uniformes, lancheiras, mochilas, sacola da natação e galochas e capas de chuva para o tempo horrível que estava lá fora e partimos rumo às nossas escolas. Deixei os dois na escola e fui para a minha.

Quando cheguei, queria conversar com alguém, mas sou a primeira a chegar e liguei para minha amiga Antinha. Papo vai, papo vem e ela me perguntou se eu não havia recebido nenhuma encomenda hoje pela manhã. Respondi que não e ela ficou muito brava com o porteiro do meu condomínio. Disse-me que assim que chegasse em casa, era para passar pela portaria.

Foram tantas coisas acontecendo até que eu voltasse, que desviei meu pensamento. Não tive tempo de raciocinar sobre o que minha querida amiga estava aprontando comigo. Como curiosidade mata, ao chegar em casa, fui subindo com as malas e meu filho e pedi para que minha filha buscasse a tal encomenda na portaria. Chega ela com um enorme pacote. Deu até medo de abrir. Fui devagar, desfiz o laço e o que havia dentro do saco? A caixinha preta de tigre que encomendei da nossa outra amiga, a Jacque. Fiquei intrigada. Por que a Jacque deixou a caixinha na casa da Antinha e não na minha? Dentro, havia uma carta. De feliz aniversário atrasado. Fiquei um pouco constrangida, afinal, gostei muito da caixinha e queria comprá-la, não era para a Jacque me dar de aniversário. Mas o presente não era da Jacque, e sim, da Antinha.

Por que me emocionei? Porque sou uma pessoa muito difícil de ser presenteada. Não gosto de presentes em datas, já disse isso e me sinto pressionada a comprar presentes muitas vezes para que as pessoas não se sintam menos prezadas por não ganharem nada em seus aniversários. Emocionei-me por ganhar uma coisa que queria, uma coisa que não esperava ganhar, de quem não esperava ganhar e sei o tamanho do carinho com que aquela peça, tão belamente trabalhada, me foi oferecida.

Meus olhos encheram-se de lágrimas. Em segundos, porém, já estava rindo. Meu filho queria saber por que dentro da caixa não veio presente e só veio um papel, que já estava todo escrito e nem dava para desenhar. Não dá para explicar certas coisas para crianças. Nem para adultos.

Ao ligar no trabalho da Antinha para agradecê-la, não tive palavras. De verdade, fazia muito tempo que alguém não me surpreendia assim. E o presente tem um significado especial, pois nossa amizade é especial e só nós somos capazes de entender até que ponto ela chega. Até o fim dos nossos dias.

Amiga Antinha, obrigada, de todo o meu coração. Amo você!

2 comentários:

  1. Pandoca, adorei a matéria, aliás vc tem que escrever sobre mim todos os dias!!!!!!!Bjos, I love you tumém...

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  2. Antinha, somos as únicas animais que sobrarão no Zooooooooo

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