quinta-feira, 27 de agosto de 2009

O dia em que desejei com todas as minhas forças ir embora pra Pasárgada, mesmo sem ser amiga do rei

Faço uma citação à Bandeira no título deste post, pois foi assim que me senti ontem. Queria fugir para Pasárgada, o paraíso criado pelo poeta durante sua vida inteira de reclusão total, devido à tuberculose, que o fez um indivíduo solitário até os 83 anos, sem família nenhuma, sem mulher, sem filhos, mas com uma mente brilhante para criar os mais belos escritos do movimento Modernista brasileiro; sempre paradoxais; sempre cheios de esperança; sempre cheios de vontade de sumir.

Gente, ontem foi o primeiro dia de aula e ao final, achei que não sobreviveria, por isto, quis ir embora para Pasárgada. Se muito antes de aderir ao magistério, já defendia jornada única para professores com salários justos ao trabalho insalubre que é cuidar de tantas crianças ao mesmo tempo, agora iniciarei um movimento até que vire um projeto no Senado.

Sai da escola às 17h30. Meu pulmão doía. Alguém já sentiu dor no pulmão por falar tantas horas sem parar, em um tom de voz que não é o seu, com todos os alunos, de todas as turmas, querendo falar com a nova “Prô” ao mesmo tempo? Eu nem imaginei que a tal dor existisse. Dei a sorte de, na hora de vir embora, pensar em um caminho alternativo, que me fez chegar em casa em 40 minutos em pleno horário de pico. Minhas pernas mal conseguiam movimentar-se. Desejei, pela primeira vez na vida, um carro automático. Mas sonhei profundamente com o meu maior desejo: ter meu motorista particular. Porém, sobrevivi.

Cheguei em casa cheia de saudades das crianças, eles também de mim. Deitamos na minha cama, contamos histórias, nos abraçamos e há muito tempo não vivia um momento tão gostoso com eles. Muito antes das oito da noite, todos dormíamos. Acordei dez da noite, com meu marido ligando de Chicago. Sei que falei com ele, só não sei o que, pois desliguei o telefone e desmaiei até o amanhecer de hoje.

Valei a experiência e não vejo a hora de chegar a próxima aula. Foi bom me sentir útil depois de tantos anos sem entrar em uma empresa, cheia de pessoas, para trabalhar novamente.
E para quem não conhece o poema citado, vale a pena lê-lo!
http://www.releituras.com/mbandeira_pasargada.asp

5 comentários:

  1. Parece que vc gostou. Mas não dá pra ter certeza... É isso mesmo? Qual a idade dos pupilos? Quantos dias por semana? Se quiser não responder por aqui, te pergunto tudo depois de novo por skype...
    bjoca

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  5. Então MV... dentre tantos assuntos, faltou este aqui... vamos anotar para a conversa do mês... quiçá em Pasárgada

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