sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Dor de cabeça: você já teve?



Quando eu era bebê, meus pais sofreram um acidente de carro ou de ônibus comigo. Como estou com preguiça de ligar para minha mãe para perguntar (pois lembrem-se, ODEIO TELEFONES), deixarei a dúvida pairar. Minha mãe bateu o queixo na minha pequena cabeça, quebrando os dentes. Desde então, minha cabeça dói.

Aos 10 anos, após passar todos eles fazendo tratamentos para sinusite e ver se a cabeça parava de doer, minha mãe me levou a um curandeiro (que esqueci o nome e também não vou ligar para ela e perguntar). Ele disse que minha dor de cabeça só passaria no dia em que eu menstruasse pela primeira vez e não lavasse a cabeça durante todo o período daquele primeiro ciclo. Cética como eu só, menstruei com quase catorze anos e qual foi a minha primeira atitude? Lavar a cabeça para provar que o velhinho (que agora lembrei o nome, Sr. Procópio) estava errado. Resultado: continuei com dor de cabeça.

Já fui levada de ambulância para o pronto socorro por duas vezes. Um dia, quis me jogar do 3º andar do edifício em que trabalhava, na avenida Paulista. O amigo que me socorreu entrou na Beneficência Portuguesa exigindo que a esposa dele fosse tratada de imediato ou ele chamaria a polícia. A esposa em questão era eu.

Quem conhece meus amigos, pode perguntar quem já me socorreu. Depois de esgotar os plantões da Beneficência, mudei para o Nove de Julho e depois para o Oswaldo Cruz. Procurei por todas as especialidades médicas, fiz ressonâncias, tomografias, e mais todo e qualquer exame que tivessem inventado. Sempre torci para encontrar um tumor na minha cabeça, pois assim, operaria e a cabeça não doeria mais. E nada.

Dois anos atrás, quando meu pai morreu, achei que partiria junto. Chorava dia e noite e a cabeça doía mais ainda. Já não existia nenhum remédio que me fizesse efeito. Meu ginecologista, que é meu médico desde que tenho 15 anos de idade e fez o parto dos meus dois filhos, sugeriu o DIU. Uma porcentagem das mulheres que o usam, param de menstruar e melhoram os sintomas da TPM. Foi o meu caso. Mas a dor de cabeça continuou. Com muito menos intensidade. Ao invés de doer 25 dias por mês, doía 20.

Indicaram-me um neurologista famoso. Consultas marcadas com dois meses de antecedência, só particular, três horas de espera para ser atendida, um alto cheque pelo valor da consulta e o diagnóstico: 95% dos meus sintomas eram de enxaqueca (o que não foi novidade). Mas ele não poderia me tratar de enxaqueca sem uma total certeza. Receitou-me um antidepressivo e um ansiolítico. Teria de tomá-los por quarenta dias e fazer um diário, anotando a hora que a cabeça doía, como começava a dor, qual a intensidade dela e voltar ao fim do período. Ao fim do período, o diário estava em branco, pois milagrosamente, a cabeça não doeu nenhum dia.

Idiota que sou, não voltei ao médico e a cabeça voltou a doer. Mas há um ano não chamo desesperadamente pelo rádio táxi, não tive mais nenhuma internação, nenhum amigo precisou me socorrer às pressas. Voltei a tomar o antidepressivo e o ansiolítico. Agora, minha cabeça dói só pela sinusite, ou em situações de muito estresse. Minha vida mudou depois disso, pois só quem sofre de alguma dor crônica sabe qual é a impotência diante dela. E valeu a pena o tempo de espera para conseguir a consulta, as horas na ante-sala. Finalmente, levo uma vida normal. Se é que existem pessoas normais.

3 comentários:

  1. Poxa...q pessimo isso...ter dor de cabeça é horrivel! Agora, nesse momento eu to com ela. Mas a minha ñ é cronica, ao contrario, é rara. Só tenho dor de cabela qdo ha motivo aparente. Hj eu acho q é pelo computador. Doi a nuca!....
    Mas GRAÇAS A DEUS q vc se curou. Ng vive feliz tendo qlq tipo de dor. Ñ da, ñ rola.
    Agora se existem pessoas normais, ai ja ñ sei, mas vou arriscar responder: NÃO...rs

    Bjos

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  2. Dor de cabeça é sem dúvidas motivo pra se jogar de um prédio alto. Eu já tive minhas altas doses disso na adolescência e, como não menstruei, as dores foram embora. Viva a natureza...

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  3. Gente... só quem tem a tal maledeta é que sabe o sofrimento... e viva os loucos...rs

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