quinta-feira, 13 de agosto de 2009

A falsa sensação de poder


Estive hoje com as crianças no laboratório Fleury, lá na Cincinato Braga, para que os dois fizessem alguns exames de imagem. Com o pequeno, só rotina. Com a mais velha, a médica precisava saber como anda sua idade hormonal, se o pulmão já estava completamente limpo, se a sinusite cedeu. Como a unidade Brás Leme, que fica ao lado da nossa casa, não tem esse tipo de exames, lá fomos nós para a Paulista.

Não gosto de reparar nas coisas ou nas pessoas, mas tem vezes que a mente está tão desocupada, ou tão longe do mundo real, que consciente ou inconscientemente, começamos a prestar atenção em coisas ao nosso redor.

Tenho a impressão de que as pessoas colocam suas melhores roupas, sua melhor bolsa, seu melhor sapato, seu melhor par de óculos, tudo para que haja uma conotação de poder.

Na sala de espera, havia ao nosso lado um senhor. Não sei precisar sua idade, pois não olhei diretamente para o homem. Chamou-me a atenção o tom o qual falava. Alto e deselegante. Como se precisasse contar detalhes da sua vida para tantas pessoas que aguardavam na sala cinco. Seus sapatos estavam impecavelmente engraxados. Camisa engomada, claro que com a gripe/propaganda sendo exibida no bolso esquerdo. Um relógio Bulova tinindo de novo. Assim como todas as mulheres exibiam largamente as marcas dos seus óculos de sol e suas bolsas.

Não ficamos nem dez minutos em espera e já nos chamaram. Ainda faltavam vinte minutos para o horário do nosso exame, mas crianças têm prioridade. Entramos, a enfermeira me entregou os aventais para trocar as crianças e ficamos aguardando nossa vez de entrar na sala de radiografia. Logo em seguida, entra o senhor multimarcas e troca-se na mini-sala ao lado da nossa. Quando ele saiu, com seu camisolão e as sapatilhas brancas, foi notório até para quem estivesse de olhos fechados os rombos que havia em seu par de meias pretas. Ri sozinha. As crianças perguntaram o porquê. Disse-lhes que estava rindo da vida. Da vida das pessoas que precisam tanto mostrar, falar, gesticular, mas muitas vezes se esquecem de que podem precisar mostrar as meias (e ainda bem que o camisolão cobria as cuecas, pois pelo estado das meias, deu até medo imaginar algo mais).

2 comentários:

  1. As meias do Chaves foram demais!!

    Mas vale lembrar também que, na hora do aperto, de camisolão todo mundo é igual...

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  2. KraK MV, não eram furos, eram ROMBOS... fiquei impressionada, pq os sapatinhos do ambulatório eram branquinhos e os calcanhares do véio estavam a mostra... estou até pesquisando para saber se é uma nova tendência, meias sem calcanhares!

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