quinta-feira, 2 de julho de 2009

Vida e Morte


Hoje, minha avó materna completa 72 anos. Digamos que ela seja uma avó nova, se considerarmos que eu, a neta mais velha, já tenho 35. Além de mim, são mais oito netos, vindo das suas três filhas e mais dez bisnetos. Gostaria de ter ido vê-la, estava programada para isso. Mas minha máquina de lavar quebrou ontem, a garantia vence na próxima semana e passei o dia inteiro plantada esperando os técnicos, que até agora, 15 horas, não chegaram. Falei com ela ao telefone e fico impressionada por vê-la tão bem, por tudo que ela passou.

Quando minha tia caçula nasceu, minha avó adoeceu. A falta de recursos quarenta e cinco anos atrás, levaram as equipes médicas a oferecer para minha avó os tratamentos mais cruéis que um ser humano pode ter. Assim, ela passou as últimas quatro décadas e meia de hospital em hospital, ajudou a criar sete dos seus nove netos, ficou viúva no dia de Natal, há quase dez anos e está aí, firme e forte.

Pensar na minha avó hoje me fez pensar sobre minha vida de um modo geral. Nunca tive paranóias com medo de velhice, mas hoje ela bateu e ficou. Minha avó paterna faleceu com 37 anos, um ano e meio antes do meu nascimento. Em 1996, perdi minha tia paterna mais velha, aos 44 e há dois anos, meu pai se foi, com 51. Também outro irmão do meu pai, meu padrinho, teve câncer há dez anos e se recuperou. Só tive duas primas por parte de pai e uma delas faleceu aos 15 anos, três dias após fazer aniversário, de problemas cardíacos.

Nunca tive medo de morrer. A morte, para mim, é o fim de um ciclo, uma parte da nossa trajetória, que com certeza vai além do que vivemos aqui. Depois de me tornar mãe, porém, o medo da morte é uma coisa que me dá taquicardia, me leva ao mais profundo sentimento de impotência. É algo que chega a doer. Tenho medo de estar de alguma maneira ligada à trágica história de mortes precoces da família do meu pai.

É estranho me bater essa tristeza e medo da morte, justamente em um dia que celebramos a vida. Sempre tive consciência desse meu medo. O que me levou hoje a um estado maior de pavor, foi descobrir e me dar conta de que em breve, terei quarenta anos. Assim espero. Gostaria muito de poder viver mais alguns, nem precisam ser muitos. Só o suficiente para que meus filhos cresçam amparados pelo meu amor e meu carinho. Que Deus me conceda essa Glória. Amém.

2 comentários:

  1. Quase quarentão... quem diria. Daqui a pouco vai começar a balançar a perninha. Daí a Isabellita vai dar comida pra sua dentadura e vc vai mandar: 'eu te arrrrrebeeentoooo'.
    Saudades da dona Idalice...
    bjoca

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  2. Ha ha ha... para balançar a perninha, basta ser Almeida ou casar com um... a VEMCHA é que o diga....

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