quarta-feira, 1 de julho de 2009

Sem comentários...


Antes de contar o que aconteceu comigo antes, tenho que contar uma peculiaridade minha. Sou a pessoa mais desligada que pode existir para reparar nas coisas. Pessoas, então, nem pensar. Acho até graça quando alguém comenta sobre meus filhos: “eles tem o nariz igual ao seu, tem a boca do pai”. Eu sei que eles têm nariz, tem boca, mas não sei descrever suas formas. A única coisa humana que sei descrever são as orelhas do meu irmão, já que desde que ele nasceu, o espaço em nossa casa nunca mais foi o mesmo.

No almoço de batizado da minha filha, entramos na churrascaria e todo mundo falava: “olha lá o Marcos, olha lá o Marcos”. Caramba, o único Marcos que conheço é meu primo. O Marcos em questão era o goleiro do Palmeiras. Como só gosto de porco bem passado e no meu prato, não sabia nem de quem se tratava. Já almocei com a Camila Pitanga várias vezes em um vegetariano no Brooklin e nunca me dei conta que aquela mocinha pequenina da mesa ao lado era uma Global. No Rio, a coisa mais comum que tem é almoçar na companhia de famosos. Eu que conheço a Cidade Maravilhosa tão pouco a ponto de não conhecer o Cristo, já almocei por lá em companhia do Romário, do Falabella.

Posto a minha displicência, vem o ocorrido ontem. Estava em casa, pronta para levar as crianças ao médico. Porque primeiro dia de férias não basta ser sem empregada, tem que ser com criança doente. Aguardávamos apenas a chegada de um corretor que está vendendo nosso apartamento, para sairmos. Ele marcou 14 horas e já passavam quinze minutos do horário combinado. Já decidida a não tolerar um quarto de hora de atraso, destranquei a porta e o interfone tocou. Era o corretor. Corremos para abrir as janelas e aguardar o provável próximo morador do nosso lar doce lar. O corretor chegou, apresentou o cliente, que olhou todo o apartamento, teceu seus comentários e plantou-se na sala. Começou a contar da sua vida. Disse-me que era músico. Que viajava muito a trabalho. Que tocava em uma banda. Diante da minha indiferença (e pressa que aquele papo terminasse logo), o potencial comprador confessou: era vocalista da maior banda nacional de um gênero qualquer. Claro que por ética e por zelo à privacidade alheia, não vou dizer de quem se trata. Quase morri de tanta vergonha, pois trata-se de alguém muito conhecido, como posso não ter percebido.

Depois da apresentação, o artista já era quase que meu melhor amigo de infância (e os minutos corriam). Contou-me sobre a esposa, os filhos, a escola que os filhos estudam, mostrou-me fotos da família e de sua maravilhosa casa. Vale uma explicação: ele tem a tal casa localizada na Grande São Paulo e quer ficar mais perto da “muvuca” paulistana, por isso o desejo de comprar um apartamentinho humilde, do tamanho do nosso.

Após me dar toda a sua agenda de show até o final do ano, despediu-se simpaticamente dizendo que compraria meu apartamento, assim que voltasse da turnê para a qual estava embarcando dali três horas, em meados de julho.

2 comentários:

  1. Já vi que mamãe vai mudar pra Santana...

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  2. E se depender dos meus vizinhos, vendo o apê para o artista e ainda levo uma grana pela honra que o novo vizinho trará... ah... em tempo... mamãe vai mudar-se par DUBLIN...

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