quinta-feira, 16 de julho de 2009

O dia em que fui perseguida por um ser vestido de capa preta e com um foice nas mãos


Não contei para muitas pessoas ainda, mas meu diagnóstico médico é de pouco tempo de vida. Não tão pouco que não veja meus filhos crescerem, mas nem tanto a ponto de ver meus netos nascerem. Sabendo do meu diagnóstico, uma pessoa muito querida e especial na minha vida me encaminhou para uma médica, também muito especial. O único porém, é que o consultório da doutora ficava do outro lado da cidade. Aliás, em outra cidade. Lá fomos nós, tudo pela minha salvação, à consulta marcada. Osasco. Quinta-feira, 18h40. Saímos de nossa casa, na Zona Norte de São Paulo, antes das cinco da tarde. Afinal, teríamos que pegar a bendita Marginal Tietê e um pedacinho da Pinheiros. Com sorte, chegaríamos a tempo. A sorte, porém, muitas vezes resolve soprar para o lado dos Hummel e chegamos em Osasco faltando mais de uma hora para a consulta. Resolvemos procurar um lugar para tomar um café. Achamos uma tenda de sucos na esquina da rua da médica. O prédio em que íamos era muito bonito. Mas tudo ao redor era horrível. Meio ressabiada, sentei em uma cadeira, na tal tenda de sucos, enquanto meu marido fazia o pedido. Comecei a ter náuseas quando sentou na mesa ao lado um quase transeunte. Mudamos de mesa. Uma mesa suja e uma funcionária assistindo Sessão da Tarde. Pedi gentilmente que ela limpasse a mesa. O pano para a tal limpeza era mais sujo que a própria mesa. De modo que, depois de limpa, passei um guardanapo sobre a mesa e o mesmo ficou preto. Já estava quase gritando por socorro, quando acabou a Sessão da Tarde e entrou no ar o Globo Notícias, com a Sandra Annemberg. Após noticiar alguns casos de óbitos por causa da gripe suína, veio a derradeira: "Confirmado o terceiro caso de morte por gripe suína no município de Osasco". Gelei. Vi que existia coisa pior que aquela tenda de suco naquele momento. Ao olhar para o lado de fora, me deparei exatamente com o hospital municipal. Aliás, estávamos em uma rua de médicos, hospitais, clínicas e laboratórios. Fiquei imaginando os próximos noticiários: "Paciente busca especialista para prolongar seus vinte anos de vida em outro município e morre em vinte dias por contaminação com a gripe suína". Brincadeiras a parte, o que era vontade de vomitar começou a virar dor de barriga, de cabeça, de tudo. Disse para meu marido que se não saíssemos naquele momento, eu desmaiaria ali mesmo, no meio da sujeira, sem ao menos conseguir pedir que higienizassem o local para minha queda. E de lá saímos, sãos e salvos.


A parte boa de tudo isso é que a médica era tudo e mais um pouco do que haviam me falado ao seu respeito. Sai de lá cheia de expectativas, cheia de perspectivas e de esperanças. E que descansem em paz aqueles que se foram.

Um comentário:

  1. A morte chega pra todos, mas para os engraçados ela costuma demorar. Pode sentar aí e relaxar. Nem gripe de porco, nem febre do rato... nada vai te levar tão cedo...

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