domingo, 12 de julho de 2009

O dia em que fomos ver Charlie e Lola no teatro e os bonecos eram de papelão


Tinha tudo para ser mais um divertido dia de férias, com mais um divertido programa. Tinha. A diversão ficou no passado após perceber que só entrariam em cena aqueles dois bonecos de papelão, animados através de quatro pessoas visíveis, em um cenário pobre e sem criatividade alguma.

Charlie e Lola é um dos melhores programas infantis que passa nos dias de hoje, devido aos valores passados pelos seus protagonistas. Para quem não conhece o desenho, trata-se de uma trama bem simples: Charlie é o irmão mais velho, deve ter seus nove ou dez anos (acredito eu). Lola é sua irmãzinha “engraçada”, como ele mesmo define, e tem seus quatro anos de idade. As crianças vivem situações cotidianas como quaisquer dois irmãos do planeta. Lola tem um amigo imaginário, com quem compartilha suas travessuras. Os pais são citados durante todos os episódios, mas nunca aparecem em cena.

Soube há quinze dias que o programa tinha sido transformado em teatro. Melhor ainda, os responsáveis por trazer o espetáculo para o Brasil foram os apresentadores globais Luciano Huck e Angélica. Admiro muito o Luciano e acompanho vários de seus projetos televisivos ao longo da carreira. Claro que acreditei que seria realmente um espetáculo.

Semana passada, a chamada para a estréia era boa. Ainda li em algum lugar, alguma coisa do tipo “as vozes serão as mesmas dos personagens da televisão, para que haja identificação das crianças com os bonecos em cena”. Para esclarecer:

1. Boneco poderia ser muito bem um ser humano vestido com uma fantasia de boneco, já que Charlie e Lola nem de longe tem a aparência física de um humano comum
2. Questionei para mim mesma o motivo o qual precisaria de uma identificação do público infantil com os personagens, já que qualquer criança que assiste ao Discovery Kids ou à Cultura, conhece Charlie e Lola
3. Achei o valor estranho. Não parecendo arrogante, mas achei o valor barato demais. Cinqüenta Reais a entrada para adultos e vinte e cinco para criança. O valor não é pequeno, mas se torna quando comparado ao valor de qualquer outro espetáculo infantil apresentado nos grandes teatros paulistanos.

Chegamos ao Shopping Eldorado havia quatro minutos passados das dez da manhã, para uma apresentação das onze. Ainda era a segunda apresentação a ser feita da peça; a primeira ocorreu no final de semana passado. Como ficará em cartaz até novembro, achei que não haveria quase ninguém. Acho que as demais quinhentas pessoas que estavam lá acharam a mesma coisa. Aproximamo-nos da bilheteria para comprar nossas entradas e fui avisada pela atendente de que só havia assentos disponíveis nos balcões. Pedi para visualizar o mapa e escolhi as poltronas 40, 42 e 44 da fileira A. O primeiro problema começou quando chegou outra família também com ingressos para as mesmas poltronas. Após recolher os bilhetes de entrada das duas famílias, a nossa foi informada de que nossos bilhetes eram para hoje, dia doze de julho. Diante da incompetência da funcionária, o Gerente do Teatro das Artes argumentou, dizendo que suas treinadas funcionárias jamais vendem entradas sem confirmar, primeiramente, o dia do espetáculo. Meu marido foi tentar resolver o impasse e, enquanto isso, fui com meu filho para a fileira T, já próximo ao Céu. Disse para o Gerente que exigia um lugar à frente, pois uma criança de três anos não conseguiria enxergar nada daquela distância. Claro que eu ainda não sabia que se tratava de minúsculos bonecos de papelão; se imaginasse isso, depois de ter pago as entradas, teria pedido meu dinheiro de volta e ido embora. Conseguimos lugares no piso inferior, embaixo do ar condicionado. Não preciso dizer que foi frustrante e muito ruim toda a peça. Com o valor gasto nas entradas, poderia ter comprado todos os vídeos do Charlie e Lola lançados e ter visto de casa, em uma televisão de 42 polegadas, sem um ar condicionado acima do meu nariz, o que me causou uma leve (até o momento) sinusite.

Se a montagem de Charlie e Lola prenunciar um novo tipo de montagem teatral, então retiro tudo de negativo que disse com relação à peça e, a partir de então, serei mera frequentadora das salas de cinema apenas, deixando o teatro para outrora.

2 comentários:

  1. CARACA! Cinquentão aqui é o preço de uma peça top!

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  2. MV, negócio é o seguinte: no Brasil, os shows são raros, se comparados ao primeiro mundo. E quando tem, se cobram barato, lota de povão; se cobram caro, lota do não povão, mas tão sem educação quanto. É a velha história do Brasil: se correr, o bicho pega e se ficar o bicho come. To preferindo ser comida em casa, a ser comida na sala de teatro. Bejus

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