quinta-feira, 2 de julho de 2009

O dia em que descobri que pari um peixinho


Difícil dizer que mãe é uma pessoa segura. Podemos até buscar forças de onde não existe, mas sempre existirá a dúvida se o que estamos fazendo é certo ou errado. Sempre quis colocar meu filho de três anos na natação, desde que ele completou seis meses. Fui adiando a idéia por pura insegurança, por medo, por excesso de proteção. Tive uma gestação muito difícil; ao nascer, ele precisou ficar no hospital tomando banho de luz e eu voltei para casa, sem um bebê nos braços. Foi a vez que mais cheguei próximo do fim do poço, tamanha a minha dor. Aos sete meses, ele foi internado com suspeita de meningite e teve que fazer aquele exame de punção na espinha; dessa vez, enxerguei a escuridão do poço. Levei-o cedo para o berçário, tamanho o desgaste que eu tinha com ele e os problemas de saúde constantes; achei que ia ter uma parada cardíaca. Sofri de novo, por culpa, por remorso, por medo. Assim o tempo foi passando e eu adiando a idéia da natação. Até que há um mês, desafiando a tudo, matriculei-o. Alguns pontos para esclarecer: meu filho tinha medo de água, de mar, de piscina e até de lavar a cabeça. Nenhuma mãe coloca um filho com tantos medos para nadar, ainda mais para começar em pleno inverno, mais ainda, na semana mais fria do ano. Para complicar, ele ainda amanheceu com um resfriado/gripe/alergia que vem se arrastando durante todo o último mês. E ainda havia terminado um tratamento com antibióticos naqueles dias. Mesmo assim, me enchi (será?) de coragem. Como ele faz natação na piscina do colégio, em horário de aula, não pude vê-lo nadando. De toda a turminha dele, só três alunos fazem a aula: ele, o amiguinho que mudou-se de escola junto com ele e o filho de um dos donos da escola. Desde o primeiro dia, ele chega contando só coisas boas, sempre feliz, alegre e sorridente. Por nenhum minuto, me dei conta do que podia estar acontecendo dentro daquela piscina, até que... até que a escola convidou aos pais para uma aula aberta e lá fui eu: duas máquinas fotográficas, para o caso de uma delas falhar. Todo menino é mais chorão que menina. Tenho comprovado essa tese nas várias festinhas das escolas das crianças, nos últimos anos. Portanto, estava preparada para que meu filho me visse e pulasse no meu colo, começasse a chorar, não entrasse na água de maneira alguma. De qualquer maneira, valeria a foto dele com a touca de tubarão, a sunga igual a cueca do Tricolor, os óculos de peixinho e o seu lindo roupão atoalhado especial para natação; já me daria por satisfeita. Só que meu pequeno menino aquático me surpreendeu, me deixou boquiaberta e muito emocionada. Ele entrou na piscina já completamente seguro, como se tivesse frequentado aquele espaço há muito tempo, não há apenas um mês. Enfiou a cabeça na água, nadou com a pranchinha mexendo os pezinhos, fazendo o movimento com as mãos, nadou de costas, brincou na recreação com toda a segurança de uma criança bem cuidada. Agradeci minha ousadia naquele momento, em desafiar todos os contras e poder ter como resultado o meu filho sem medo de água e totalmente feliz. Às vezes, a gente acerta.

2 comentários:

  1. Mandou bem no peixinho. Mas é melhor nadar com o pintinho de fora do que com a tal cueca. Pode criar problema com os amiguinhos...

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  2. Ei, a cueca dele de natação faz o maior sucesso... as mães querem comprar igual, pq é linda! Pena que não é do tricolor... e meu filho não tem pintinho não, é um autêntico Hummel!

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