sábado, 4 de julho de 2009

É só agradecer


Quando me casei pela primeira vez, dezessete anos atrás, fiz a lista de presentes do casamento no extinto Mappin, na loja do Shopping Center Norte. Naquela época, ainda não existia a tecnologia que temos hoje, não havia a centralização das listas de casamento para todas as lojas de uma rede, de forma que os convidados tinham que direcionar-se àquela específica loja para comprar o presente.

Na época, ainda também questionava-se muito sobre a (des)elegância do ato de enviar, junto ao convite, o famigerado cartãozinho “minha lista de presentes se encontra na loja tal”. Para muitas pessoas mais conservadoras, era uma ofensa. Mas no meu caso, nunca ouvi nenhuma polêmica a respeito. O que pode ter acontecido sem que eu tenha vindo a saber.

Hoje em dia, não sei se ainda há casamentos sem a tal lista. Vai dos mais simples aos mais glamorosos. As listas também deixaram de ser em uma única loja, dando a chance de os convidados optarem até pelo tipo de presente: pode ser o bom e tradicional utensílio para a casa, pode ser um belo e caro eletrodoméstico, mas também pode ser uma cota de viagem, para contribuir com a lua de mel dos nubentes. Vale tudo, só não vale esquecer o presente. Opa, esquecer o presente?

Tudo que posso, faço pela internet. Até marido arrumei pela internet; só não deu para ter os filhos online, mas quem sabe em um futuro, a coisa também não acontece assim? O fato de fazer tudo pela rede, faz com que eu acate as sugestões das listas de presentes enviadas junto aos convites e compre o presente de maneira simples e descomplicada. Mas quem disse que eu sei se o presente chega?

Quando faço qualquer compra virtual, sei que o negócio foi finalizado, pois recebo a mercadoria em casa. E quando eu não recebo? Fico sem saber. Acho que as próprias lojas deveriam fazer um sistema de agradecimento, já que boa parte dos noivos não o fazem.

Em janeiro, minha amiga Pops se casou. No dia em que o Elton John fez um show em São Paulo. E eu não fui. Mas tudo bem, pois um dia, irei à Londres para ver o rei. Perguntei à mãe dela e a uma das madrinhas, qual era a melhor forma de presentear aos noivos, uma vez que sabia que a lista estava em três lugares distintos (e eles distribuíram as sugestões de presentes para cada convidado, não enviando as três opções para todos). Ambas me disseram que o que eles mais “precisavam”, naquele momento, era da contribuição para a viagem de lua-de-mel. Comprei a cota em uma sexta-feira a noite. No sábado, pela manhã, recebi uma mensagem de agradecimento dos noivos. Tinha que ser minha amiga Pops, para se preocupar com tamanha gentileza (e normalidade, claro).

No meu casamento, recebia, junto com os presentes, a nota fiscal do produto e também um cartão, escrito de próprio punho pelo convidado que nos presenteava. Assim, era possível agradecer todo mundo, praticamente que pessoalmente, uma vez que dezessete anos atrás, nosso sistema de telefonia ainda era muito precário.

Nos aniversários dos meus filhos, sempre agradeci de pessoa em pessoa, sem me esquecer de ninguém. Chego em casa após as festas e ao abrir os presentes, relaciono um por um: convidado x presente. Depois agradeço. Ano passado, adotei o sistema de enviar um cartão de agradecimento. Na festa de três anos do meu filho, fiz uma montagem com a foto dele na festa, a foto do amigo e a foto do presente. Escrevi uma mensagem, revelei as fotos e entreguei em um envelope para cada pessoa.

Claro que não precisa exagerar no agradecimento, um simples “muito obrigada, gostei muito do vaso de flores furado embaixo que vocês me deram” já basta. Afinal, qualquer presente é presente e o que vale é a educação bilateral: a de presentear e a de agradecer ao presente.

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