quarta-feira, 29 de julho de 2009

A verdade sobre a gripe suína


Sai hoje de casa, no bairro de Santana, Zona Norte de São Paulo, rumo a Pinheiros, para levar minha filha à pediatra. Moro em uma subida, mão única para automóveis, onde os mesmos estacionam dos dois lados, além das duas pistas para trafegar. A rua não possui nem meio quilômetro e nesse curto trecho há cinco condomínios residenciais, além de dois prédios com acesso direto. Meu condomínio é o terceiro. Saio da garagem, engato a primeira marcha, a segunda e jamais dá para engatar a terceira, uma vez que a rua termina em um farol, que sempre está fechado para mim. Antes de chegar ao farol, subindo a rua em baixíssima velocidade, sai um carro da garagem de um dos condomínios que ficam a frente do meu, em alta velocidade, sem olhar para a rua e verificar se algum carro subia. Chove muito. Eu freio repentinamente e, para minha sorte e da minha filha, nenhum carro ou ônibus vinha atrás. Livro-me do primeiro acidente.

O farol abre e entro à esquerda, mas sou fechada por um carro que vem de uma lateral. A preferencial é minha. Continuo em baixa velocidade e freio novamente. Lembro-me da reportagem de capa da última revista Veja São Paulo, que mostra o quanto temos de exercer a paciência no trânsito. Respiro fundo, conto até dez. Continuo descendo e paro no próximo farol. Meu carro é o primeiro a sair quando o farol abrir. Engato a primeira e ainda muito cautelosa com a chuva, saio o mais devagar possível, com os limpadores de para-brisas funcionando em velocidade máxima e o ar quente ligado para desembaçar os vidros. Vem um terceiro carro e resolve aproveitar o farol, que já está vermelho para ele. Desvio para que ele não bata em mim. O motorista do lado me xinga, e com razão. Mas eu não tive culpa. Só estou a 300 metros da minha casa.

Entro na Avenida Brás Leme. A velocidade máxima permitida é de sessenta quilômetros por hora, controlada por vários radares, exceto neste exato trecho em que entro. Tomo a pista da direita, das quatro que a avenida me oferece. Não estou com pressa, tenho uma hora e quinze minutos até chegar ao meu compromisso. A chuva continua muito forte. Um carro sai bruscamente de um grande posto de gasolina. Estou andando em velocidade de quarenta quilômetros por hora, há um ônibus na minha frente sinalizando que parará no ponto e não pretendo ultrapassá-lo. O carro que sai do posto entra na minha frente e eu inclino meu carro completamente para a calçada, para não ser atingida. Estou agora a apenas meio quilômetro de casa.

A gripe suína já matou quase sessenta pessoas no Brasil. O detalhe é que gripe não mata ninguém. O que mata são as consequências de uma gripe mal curada e isso pode acontecer com a suína ou com qualquer outro tipo de gripe. A população está em pânico. Se alguém espirra, pede desculpas e explica: “é rinite”. Se alguém tosse, vai logo se explicando: “é o tempo seco”. As pessoas estão sendo vistas como leprosas. Todos estão evitando o contato humano. O Governo decretou que as aulas na rede pública de ensino atrasarão por três semanas. As mães precisam trabalhar. Faltarão ao trabalho para cuidar de seus filhos. Um elo de uma cadeia faltará e, pela falta dele, muitas coisas deixarão de funcionar. A economia do país sairá prejudicada. Tudo pela gripe suína.

Mas e as quatro vezes em dez minutos em que fui atingida por negligências no trânsito, o Governo não fará nada?

Quais são as estatísticas mostradas na mídia sensacionalista sobre as mortes que ocorrem ocasionadas por gripes mal curadas? Alguém já viu alguma até agora? Em quanto tempo ocorram estas quase sessenta mortes no país? Neste mesmo período, quantas pessoas morreram assassinadas por bandidos? Quantas morreram em acidentes de trânsito? Quantas morreram por não terem o socorro necessário nas portas dos hospitais públicos, país afora?

Será que não é hora de deixar um pouco a ignorância de lado e deixar a vida transcorrer normalmente, sem o pânico na população? Será que não é hora de divulgar para esta apavorada população que qualquer tipo de gripe necessita de cuidados imediatos: antitérmicos para febre, repouso, chás, alimentação saudável, vitamina C (conseguida com um simples suco de limão)?

Ainda não entendi o que se busca com a falta de informação à população e todo o caos que as pessoas estão causando com a desinformação. Nos últimos dias, de cada pessoa que conversei, uma teve um caso de morte por gripe suína para me contar. Somos um país com duzentos milhões de habitantes e menos de sessenta mortes. Mas mesmo assim, alguém conhece alguém, que conhece alguém que morreu de gripe suína.

O que mais me entristece, é ver o pânico em pessoas inteligentes, esclarecidas, com acesso às informações, com conhecimentos médicos e que, mesmo assim, insistem em transmitir o pavor em cada conversa. Tentarei fazer minha parte, mas gostaria de ajuda, para que a vida voltasse ao normal. De quem? Não sei.

3 comentários:

  1. Ebaa!! Você voltou ao mundo virtual!!

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  2. Há poucos dias acharam um novo tipo de vírus HIV em Camarões. E tb tem um povo na China em quarentena por causa de alguns poucos casos de peste bubônica, a famosa e popular peste negra. 2012 tá chegando... e não é a porra da gripe suína que vai acabar com o mundo...
    bjos

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  3. VEMCHA... eu voltei, agora pra ficar, pq aqui...aqui é meu lugar!

    MV, recebi um email RIDÍCULO, uma suposta conversa entre 2 médicos de Curitiba, dizendo que o MS está escondendo o real número de vítimas... um bando de loucos... quem escreve e quem repassa... e viva 2012. Aliás, vc lembra da aposta que fizemos que o mundo acabaria em 2000?????

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