domingo, 21 de junho de 2009

Todos nós somos diferentes


Quem já conheceu duas pessoas iguais, idênticas? Não falo de semelhanças físicas dos gêmeos univitelinos. Falo de caráter, de personalidade, de atitudes, de pensamentos. Acho impossível que a resposta seja positiva.

Cada indivíduo é diferente do outro. E o que é ser diferente? É ter sua própria visão do mundo, agir de maneira peculiar, não imitar ou copiar alguém, pois nada sai igual, nem a receita biológica de dois filhos gerados a partir do mesmo óvulo.

Sempre ensino aos meus filhos que todo mundo é diferente e que temos que respeitar a todas as pessoas, independente do que elas são ou que nos oferecem.

Todos os dias, quando busco as crianças na escola, os dois entram no carro contando-me o que fizeram. Cada dia é dia de um começar a falar primeiro (a regra); mas a irmã todos os dias cede sua vez para o irmão mais novo, só para poder contar o dia dela com tranquilidade, sem a afobação e interrupções do pequeno.

Na semana que passou, fiquei comovida com a história do meu filho. Ao entrar no carro, como acabou de almoçar, ele geralmente começa a contar o que comeu na escola e depois parte para as atividades que mais gosta. Naquele dia, seu roteiro mudou. Ele entrou no carro e me disse com seus erros de uma criança de três anos: “mamãe, sabe o que a minha professora ensinou hoje na escola? Que todo mundo é diferente. Tem amigo que não fala, tem amigo que não escuta, tem amigo que não vê desenho, tem amigo que não sabe pintar, tem amigo que não anda, tem amigo que não consegue brincar igual o outro, mas todo mundo é amigo.”

Meus olhos se encheram de lágrimas, mas continuei firme, dirigindo e ouvindo uma criança daquela idade falando com total desprendimento. Tive vontade de parar o carro, de abraçar meus dois filhos, que são crianças muito diferentes um do outro, mas que tem em comum um coração gigante, sem preconceitos, sem discriminações, sem exclusões.

É importante que os pais façam suas partes, ensinando aos filhos a respeitarem o seu próximo, seja ele o colega da escola, seja o professor, sejam as pessoas que fazem a limpeza da escola, do prédio onde moramos, do shopping em que passeamos. Mas esse trabalho não se faz sozinho: é preciso também que as escolas e que a sociedade mostre às crianças a importância de se respeitar cada pessoa do jeito que ela é. Todos nós temos nossas virtudes e nossas limitações e no final, o que vale é que todo mundo possa ser amigo.

As diferenças existem por questões raciais, sociais, religiosas, biológicas, físicas, estruturais, emocionais e no dia em que cada indivíduo entender que também é diferente, o preconceito cairá por água abaixo.

Utopia ou não, é assim que cada um pode contribuir com a sua parcela para um amanhã melhor.

2 comentários:

  1. Show! Esses são os meus magrelinhos! Puta saudade...

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  2. Calma que estamos chegando, fica aí, não vem pra cá não, espera, muita paciência....rs...

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