quinta-feira, 4 de junho de 2009

Ter dinheiro ou boa condição sócio-econômica é crime?




Se não questionei o tema neste blog, comentei com certeza em um blog anterior. Fico indignada com atitudes preconceituosas. Ao menos no Brasil, país em que nasci e me criei, posso dizer que conheço relativamente a cultura popular, que acha que ter dinheiro é crime. Se não é juridicamente falando, é socialmente.

Estava lendo na revista Crescer, da Editora Globo, uma entrevista com a atriz e apresentadora Ana Furtado, casada com o diretor Global Boninho e mãe de uma menina de dois anos. Na entrevista, Ana conta sobre sua depressão pós-parto e dá-lhe comentários maldosos. O maior questionamento é: “como uma pessoa rica e com duas babás ‘acha’ que pode ter tido depressão pós-parto”.

Tem gente que pensa que dinheiro brota em árvore, nasce no fundo do quintal ou cai de pára-quedas em noite de lua cheia, só pode ser. O fato de ter boas condições financeiras para criar a filha, não significa que o casal José Bonifácio de Oliveira e Ana Furtado não passe por problemas, como qualquer outro casal. Não significa que o fato dela ter dinheiro e ser casada com um grande executivo da Vênus Platinada, a faz menos mulher. Dinheiro é dinheiro, traz felicidades, compra prazeres e dá conforto. Só que gerar uma vida, passar por dificuldades emocionais durante a gravidez, parir, amamentar e lidar com a quebra de vínculos após a amamentação, é um conjunto de sensações e emoções que todas as mulheres passam, independente do número de dígitos depositados em suas conta-correntes.

Muita gente tem sim, sorte na vida. Nasce com o bumbum virado para o céu. Mas será que em algum lugar no passado daquela família, não teve alguém que, assim como eu e meu marido hoje fazemos, deu um duro danado para conseguir dar aquilo que julgava bom para seus filhos? E quantas pessoas não saem de famílias menos favorecidas, de classes economicamente inferiores, sem recursos financeiros, mas com força de vontade e garra para trabalhar e conquistar o pão nosso de cada dia, até que esse pão vire uma baguete, e a baguete vire um filão, e o filão vire um sofisticado pão italiano, até que se possa comer o legítimo pãozinho francês, só que lá em Paris?

Gente, está na hora de parar de olhar um pouco para a vida dos outros, deixar as críticas negativas de lado, quando elas não acrescentam em nada para quem as faz. Está na hora de entender que para se ter as coisas, é preciso lutar, é preciso trabalhar, é preciso batalhar, pois digo e repito: nada cai do céu; só a chuva.

Cultivamos em nossa casa o hábito de dar as coisas que não usamos; aqui, nada se guarda, tudo se doa. Sei que temos que mudar os nossos hábitos de consumo, pois compramos muitas coisas desnecessárias. Mas passado um par de meses sem uso das coisas, doamos, não importa se é novo, se é velho ou quanto custou. O enxoval dos meus dois filhos foi doado. Até hoje, graças ao trabalho meu e do meu marido, temos a possibilidade de oferecer coisas de qualidade às crianças e os ensino a cuidar e a conservar as coisas, que serão usadas por crianças menos favorecidas que eles em breve, quando não estiverem mais sendo usadas pelos dois.

Já ouvi comentários diversas vezes de que sou rica, sou metida, sou fresca. Não pessoas, não é nada disso. Venho de família pobre, sem recursos e com muito trabalho, batalha e luta, consegui estudar e construir um pouco mais do que tive na infância. Mas é tudo fruto de muito trabalho, meu e do meu marido. E com todos os recursos que conquistei, me solidarizo aqui com a Ana Furtado, pois também tive depressão pós-parto.

Concluo com um apelo: abaixo a ignorância.

Úrsula Hummel

4 comentários:

  1. Querida, você tem toda razão em ficar chateada. Como eu costumo falar: (mesmo sem beber) Todo mundo só vê as pingas que eu tomo, mas ninguém vê os tombos que eu levo!
    Paula
    http://pauladecastro.weblogger.com

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  2. Ai Paulinha, estou numa fase tão TOLERÂNCIA ZERO, que fico P com essas coisas... mas... vamos que vamos...faz parte do show da vida. Um beijo grande

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  3. Eu bebo, mas uso outra frase:

    "É fácil falar de mim. Difícil é ser eu!"

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  4. Negócio é o seguinte MV, vamu que vamu....rs

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