segunda-feira, 29 de junho de 2009

República de estudantes


Uma casa. Alguns quartos. Muitos rapazes. Todos estudantes. É basicamente isso que se precisa para a formação de uma república estudantil.

Durante cinco anos, meu marido morou na cidade de Botucatu, enquanto cursava Engenharia na UNESP. E durante os cinco anos, moraram juntos nove rapazes, inicialmente na faixa dos 17 anos e terminando aos 22 em diante. Como eles conseguiram? Eu não sei.

Minha sala na faculdade é um verdadeiro hospício. Já teve caso de mulher batendo em rapaz. Caso de fofoca é pior que a peste bubônica. Falsidade, então, dá mais que chuchu na serra. Claro que tem muita gente boa, mas nunca vi um grupo com tanta energia negativa e tanta gente ruim no mesmo lugar.

Viver em sociedade é a missão mais difícil do ser humano, mais até do que arranjar comida e um habitat. Lidar com as inconstâncias do próximo é tarefa árdua e deve ser executada com cautela. Há grupos sociais mais gostosos de se conviver, outros que se vive apenas pela necessidade. Mas sempre há dificuldades.

Os nove rapazes da República Olla foram um caso a parte, chegando a sair em revista especializada em vestibular como um exemplo a ser seguido.

As despesas eram divididas igualmente: aluguel, luz, água, gás e empregada (que cozinhava e limpava a casa). Cada jovem era responsável por sua roupa. A comida era comprada semanalmente e havia rodízio para a compra. Só o essencial. Cada um era responsável pelo seu pão, seu leite, sua manteiga. Supérfluos não existiam. Todos os nove rapazes eram de famílias com condições econômicas muito limitadas e pacotes de bolachas dentro da República eram só em dias de festas. Faltava-lhes muitas coisa. Mas nunca faltou a compreensão mútua entre eles.

Nem todos voltavam às suas casas durante os finais de semana. O dinheiro não dava; o jeito era ficar em Botucatu e aproveitar tudo que a cidade tinha para lhes oferecer: nada. Não tinha balada, não tinha uma lanchonete legal, e mesmo que tivesse alguma coisa, eles não tinham dinheiro. Passeavam na cachoeira, caminhavam pela cidade, paqueravam, namoravam.

Apesar de materialmente não terem nada, os estudantes tinham uma coisa fundamental: tinham uns aos outros e a lealdade entre eles. Em cinco anos, nunca houve uma briga, nunca houve uma expulsão, nunca houve qualquer ofensa. Ao final do curso, todos receberam seus diplomas de Engenheiros. O que, porém, todos receberam de mais importante, foi o diploma de civilidade; esse, não há faculdade que ofereça.

3 comentários:

  1. Isso aqui é a coisa mais comum. Um monte de gente morando na mesma casa. É um tal de sumir atum de um, pão de outro... Sem contar a sujeira que ficam as casas. Dividir moradia É FODA!

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  2. Não é só civilidade. É caráter, é consciência, é honestidade. Na Uniban, no 3o ano de Letras Marte matutino, não se consegue sequer sobreviver às 3 ou 4 aulas diárias. Também, só cobra sobrevive no cobreiro!

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  3. Gente, basta pensar o mais simples: é difícil para pais conviverem com filhos, é difícil para marido e mulher conviverem... a convivência humana é mesmo difícil.

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