sexta-feira, 5 de junho de 2009

Recordar é viver


Quando meu aniversário vai se aproximando, sempre vem uma retrospectiva na minha cabeça. Em casa não havia festas para comemorar os aniversários. Minha tia ou minha mãe faziam um bolo, brigadeiro, refrigerante e depois do almoço de domingo, cantávamos parabéns. Meu maior sonho era fazer dez anos, só para ter duas velas no bolo. Talvez seja esse o motivo de eu me lembrar apenas dos aniversários a partir dessa idade:
  • 10 anos: minha finada tia Ana fez um bolo em forma de urso; o urso segurava um pacote de presente, que era uma barra de chocolate Galak e os dedinhos do urso eram feitos de ameixa preta; chamei meus amigos da rua (inclusive a madrinha do meu filho) para cantar os parabéns e comer meu delicioso bolo.
  • 14 anos: minha mãe deixou que fizéssemos um baile em nosso apartamento. Mas para tanto, meu pai tinha que sair para trabalhar, pois jamais permitiria tal “algazarra” (e como ele não está mais aqui, posso contar tuuudooo). Um amigo dava som em festas e trouxe toda a parafernália assim que meu pai foi trabalhar (ele trabalhava a noite, de terça a domingo). Só que apareceram mais pessoas que as realmente convidadas. Uma turma da “Rua do Sujo” quis invadir o nosso apartamento. Minha mãe teve que chamar a polícia. Tudo acabou bem.
  • 15 anos: já contei anteriormente, tive a minha sonhada festa.
  • 16 anos: meu lema era “cheguei aos 16 anos virgem, intacta e sem tomar ovada”. Meus amigos (incluindo as madrinhas dos meus dois filhos) fizeram uma festa surpresa em casa para mim, foi muito legal e no final....TOMEI OVADA! Mas antes de chegar em casa, ainda tive uma festa surpresa na escola. Estava no segundo ano do Ensino Médio Técnico.
  • 18 anos: estava noiva fazia seis meses, casamento marcado. Meu pai me presenteou com a carteira de habilitação.
  • 21 anos: fiz uma festa no salão do condomínio. Passei semanas cozinhando e congelando doces e salgados. A mesa do bolo estava linda. Mas um lustre sobre a mesa explodiu durante a festa, caindo sobre o bolo e os doces. Demos muitas risadas e só tenho uma foto desse dia, pois nem máquina havia na festa.
  • 22 anos: em casa, reuni um grupo de amigos (não sei onde cabia tanta gente, mas tinha gente pacas). Também preparei tudo, agora sem lustre para estragar os doces.
    23 anos: também comemoração em casa!
  • 24 anos: comecei a comemorar no dia 6, na antiga Cervejaria Continental, na Juscelino Kubitschek. No domingo, dia 7, fizemos uma festa em casa, com tudo que eu tinha direito: chapeuzinhos, bexigas, lembrancinhas, bandeirinhas. Só tinha pessoas queridas. No dia seguinte, a festa continuou; fizemos um bota fora para comemorar minha primeira viagem internacional naquela semana.
  • 25 anos: inesquecível. Minha filha a caminho, cestas de pães, tábuas de queijos, frios, muito vinho, muita música, muita gente animada, muito presente, muito carinho e emoção.
  • 26 anos: em casa, com minha bebê, minha mãe, minha irmã e meu sobrinho a caminho. Sem bolo, sem comes. Só bate-papo e muita risada (meu irmão estava, como sempre, sendo escravizado pela Globo).
  • 27 anos: Super hiper mega ultra festa. Bourbon Street, noventa convidados meus presentes, ganhei entrada vip na casa por um ano devido ao movimento da festa. Foi muito bom.
  • 28 anos: The Gallery, outra mega festa, ainda do tempo em que eu gostava muito de baladas. Só umas cinqüenta pessoas, tive o melhor espaço da casa reservado para mim e na hora de ir embora, precisei usar o porta-malas dos carros dos amigos para caber tanto presente que ganhei.
  • 29 anos: Restaurante Ilha das Flores (Alto de Pinheiros). Comes e bebes leves, bom bate papo. Mas minha filha comeu tanta batata frita que começou a vomitar na saída do restaurante. Foi mal!
  • 30 anos: ganhei meu primeiro notebook do meu marido. Estávamos morando na Europa, minha tia (que vive lá com minha prima e sua família) preparou um jantar com tudo que eu mais gostava de comida na infância, que ela fazia todas as férias para mim: seu kibe delicioso e complementos árabes.
  • 31 anos: grávida do meu segundo filho, fui para a faculdade (estudava na Unib – Interlagos – curso de Administração em Recursos Humanos). Meus amigos cantaram parabéns, ganhei presentes dos amigos, foi inesperado.
  • 32 anos: mais um aniversário com bebê. Recebi a visita das minhas amigas queridas Pops e Fofs, minha tia e minha Dinda. Fizemos uma baguncinha básica em casa.
  • 33 anos: idade de cristo; meu pai havia falecido tinha vinte dias. Estava super mal. Cheguei à faculdade (agora na Uniban – Santana) e tive uma linda festa surpresa. Chorei muito, me emocionei bastante.
  • 34 anos: faz tão pouco tempo, mas lembro-me de estar de mal com a vida. Nem sei o motivo. Ficamos apenas os quatro em casa. Ah...acho que ganhei outro notebook.
  • 35 anos: escolhi tomar um “brunch” com meus três amores: meus filhos e meu marido. À tarde vamos ao teatro assistir a uma peça infantil. E já comprei meus presentes: livros e vários filmes que estava querendo.
Como se pode ver, estou velhinha, mas a cabeça ainda funciona um pouquinho. Esses foram os aniversários que marcaram minha vida!

2 comentários:

  1. PQP!

    Lá se vão 35. E pensar que vc ainda era uma criança de sete quando te conheci...

    Uma vida cheia de comemorações e gente querida por perto, minha irmã. É isso que vc merece. Felicidade aos barris pra vc.

    Vou quebrar meu jejum e encher o caneco em seu nome amanhã...

    bjocas
    Te amo
    Brother

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  2. He he he... e pensar que qd eu te conheci, vc era um bb cagão e orelhudo... os anos passaram-se, sua orelha diminuiu, vc continua cagão e ganhei um irmão, que independente de sangue, é um irmão também de alma. Love ú forever

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