sábado, 13 de junho de 2009

Quem não te conhece, que te compre!



Minhas amigas acham que meu marido é o cara mais sério, mais centrado e mais ponderado que existe. Por mais que eu tente desfazer a imagem que elas construíram dele, sinto que é tarefa impossível e tudo que eu digo é em vão. Meu marido é um cara muito engraçado, damos tantas risadas em casa que tem vezes que até passo mal. Hoje, estávamos na cozinha preparando espigas de milho para as crianças. Como foi minha primeira vez no preparo deste prato complicadíssimo e super requintado, pedi sua ajuda. Enquanto estávamos limpando as espigas, mostrei para ele que o tapetinho da cozinha está feio, que já tentei recuperar o viço do tecido e não consegui. Ele me perguntou quantos anos tinha o tapetinho. Respondi: “cinco”. Ele riu, disse que realmente não tinha mais jeito, mesmo com todo o meu xodó pelo tal tapetinho, ele já era muito velho e foi comprado na época das grandes aquisições da família, tudo que víamos, comprávamos. Mentira dele. Sabe um cara que se faz de controlado, principalmente em relação ao consumo? É ele. Só que é o cara mais consumista que pode existir.
Estou aqui tentando me lembrar do que já comprei, além das minhas bicicletas ergométricas e da esteira elétrica semi-profissional, que não tenha usado. Mas quando fiz a compra, tinha um propósito com elas. Ele não, compra simplesmente por estar barato. Promoção é com ele mesmo, não pode ver uma que corre. Em nossas andanças pelo mundo, compramos uma barraca de camping, mas a última coisa que me vejo fazendo na vida é acampar; definitivamente, gosto do conforto de um hotel, e se for com várias estrelas, melhor ainda. Depois de alguns anos, vendi a barraca, os colchonetes e os acessórios. Temos um colchão de casal inflável que tem a mesma idade do meu tapetinho. Ele nunca foi usado e ocupa uma parte dos armários que me faz MUITA falta. Ele não deixa com que eu me desfaça do colchão, afinal, um dia poderemos precisar dele. Playstation 2 foi uma das piores aquisições. Compramos na Europa e o videogame não funciona no Brasil, salvo se destravar, o que nunca foi feito. Além do console, temos jogos e mais jogos, todos originais, comprados também em uma mega promoção: trinta euros cada game. Claro que não para por aí. Há dois pares de microfones, coisa que nem chegou a vir para o mercado nacional, uma vez que a nova versão de videogame da Sony chegou antes em terras canarinhas. Dentro de um baú, temos também volante, pedais, aceleradores. Sem contar no volante para PC, que é um verdadeiro estorvo. Ele também já comprou um ralador de queijos. Uma mega promoção, queima de preços, ralador importado, negócio da China. Depois de alguns anos com o troço na gaveta, fazendo com que ela emperrasse cada vez que eu a abria, joguei o ralador no saco de doações. Quando ele ler esta mensagem, descobrirá onde foi parar o ralador. Temos também uma coqueteleira. Ele é louco por coisas de cozinha e a coqueteleira foi um sonho de consumo realizado, já que ele faria muitos coquetéis. Um dia, hei de ver a infeliz usada.
Tudo isso e muito mais foi comprado na época de grande prosperidade dos Hummel, época em que comprávamos de tudo. Como se o consumo por aqui cessasse. Nem a falta de dinheiro acaba com o consumo. E a luta por um mundo sustentável continua.

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