sexta-feira, 12 de junho de 2009

O dia em que descobri que Monalisa não tinha dente


Não sou o maior exemplo de coragem na vida, mas também não me considero uma pessoa medrosa, desde que não haja nenhum dentista por perto, pois nessa hora, terei é um verdadeiro pânico.

Como Freud explica tudo, também deve explicar o meu medo por dentistas. Meu marido achava que era um medinho normal, destes que toda mulher tem de barata. Até o dia em que me viu na cadeira do dentista: só de ver a cadeira, já começo a chorar ao pensar que terei de sentar-me nela. O coração pulsa forte, vejo uma enorme taquicardia tomar conta de mim, as mãos suam, os pés suam, a cabeça sua, o corpo sua e até os olhos suam, mas esses suam lágrimas.

Há cinco anos, tive que fazer uma cirurgia bucal para a extração de um dente pré-molar. A cirurgia foi rápida, levou três dias, consumiu todo o estoque de anestesia que tinha na clínica e contou com a ajuda de duas profissionais; o dente simplesmente não saia. Dente extraído, agora faria uma prótese para colocar no lugar, mas algo menor que o grande mordedor anterior; agora os dentes do fundo se aconchegariam melhor, sem ter que ficar espremidos um sobre o outro. Como viajaria e só voltaria ao Brasil após cinco meses, tivemos que colocar uma prótese provisória. Segundo nossas dentistas, o tempo máximo de vida daquela peça era de cinco anos, tendo que a mesma ser substituída por um modelo com pino (desses que requerem mais uma vez anestesiar, rasgar a gengiva e sofrer muito). Eis que os cinco anos acabaram e minha prótese quebrou. Comendo coxinha. Daquelas pequenas. E quentinha.

Minha filha não gosta de escovar os dentes, ao contrário do irmão que se deixarmos, passa o dia no banheiro. Quando quebrou minha prótese, mostrei para ele que “quebrou o dentinho da mamãe”. Ele é todo sentimental e chora por qualquer motivo. Crente que veria aquela carinha solidária dele e o esperado não aconteceu; deparei-me com um enorme sorriso em seu rosto: “mamãe, vamos colocar seu dente embaixo do travesseiro, assim a fada dos dentes deixa uma moedinha e você me dá”.

Há um desenho no Discovery Kids chamado “Pink Dink Doo” e um episódio conta a história da fada dos dentes. Desde que viu pela primeira vez, meu filho aguarda ansioso pelo dia da queda do seu dente. Eis o motivo da sua felicidade.

Uma semana se passou. Aqui em casa, toda moeda de cinco centavos que aparece, damos para ele brincar. E a irmã vai lá e pega todas as moedinhas, juntando para comprar balas na cantina da escola. Naquela noite, ele remexeu suas coisas em busca de uma moeda, já que, segundo suas próprias palavras, “elas sempre somem”. Escovou seus dentinhos, pegou a fralda para que eu colocasse nele, deu boa noite e nem pediu para que eu o levasse para a cama. Deitou sozinho e dali a pouco me chamou. Fui até o seu quarto e ele me disse: “mamãe, vou colocar a minha moeda embaixo do meu travesseiro, assim a fada dos dentes vem aqui, pega a moeda e te deixa um dente novo, sem você ter que ir ao dentista”. A lógica de uma criança de três anos é de impressionar.

Claro que a falta de um dente é totalmente incômoda. E não só esteticamente falando. Mas posto meu medo, pavor, terror e sei mais lá o que de dentista, resolvi que não vou mexer nisso agora, até porque minha agenda está um pouco lotada (santa desculpa!). Com a falta de um pré-molar do lado superior esquerdo da boca, fica difícil dar aquele largo sorriso. O ocorrido tem só quinze dias, mas fui tirar fotos e apenas estiquei os lábios, sem mostrar quaisquer dentes. Meu irmão achou a foto muito engraçada e ao questionar o porquê, obtive como resposta: “você está enigmática, parece a Monalisa”. Ao menos na época dela, ainda não existiam os dentistas!

3 comentários:

  1. Prima, lembre-se que fiquei sem os 4 pré-molares e recentemente tive que passar pela extração de dois sisos! Faz dois anos, mais ou menos, que meu sorriso está "estilo Monalisa". rsrs
    Adorei isso!
    beijos

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  2. Hahahuahuahuahu
    Isso é castigo pq ficou brincando com a dentadura da vó quando era criança!! hehehehe
    E para constar dos autos: já arranquei 6 dentes por falta de espaço na boca, usei aparelho fixo por quase 4 anos e até hj uso o móvel pra dormir. Foi um dos processos mais dolorosos da minha vida. Mas... vale a pena cada segundo de sofrimento!!

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  3. Prima, eu sei o que vcs sofrem, prefiro esperar o dente doer...

    MV, nada vale a pena, ficar na cadeira do dentista é uma cadeira elétrica... e já me bastam as provas neste momento... minha prótese vai esperar...

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