quarta-feira, 24 de junho de 2009

Diploma para quê?


A discussão em voga é a obrigatoriedade ou não do diploma para o exercício da profissão de jornalista. Há a turma que fundamenta a favor; a segunda turma fundamenta contra; e ainda há uma terceira turma, a que só fala abobrinha.

Quando se fala em desobrigar o diploma para exercício da profissão, não está se falando em prostituir a profissão de jornalista. Meu irmão é formado em Jornalismo, mas teve licença para atuar como tal antes de ter seu diploma em mãos. Aos quinze anos, já trabalhava na Rede Globo e aos vinte, trancou a faculdade por dois anos, ao ser convidado para trabalhar no BandNews da Rede Bandeirantes. Concluiu a faculdade, tem o seu diploma guardado, mas não foi a faculdade que o formou jornalista. Foi a vida.

Em minhas muitas andanças como universitária, tive vários colegas que conseguiram seus diplomas sem quaisquer capacidades profissionais que lhes desse alicerce para exercer a profissão que o diploma lhes delegava. Quem foi que disse que diploma ensina alguém, que diploma forma alguém?

Coincidência ou não, em meio ao embate que o grupo de jornalistas medrosos e dos estudantes desinformados, tive a cerimônia de formatura do meu marido, em um MBA (“Master in Business Administration”) pela Fundação Getúlio Vargas. Ele também é Engenheiro, formado pela UNESP e pós-graduado em duas Universidades de renome: PUCCAMP e ESPM. Nunca precisou do diploma. Nos anos em que trabalha no varejo, foi formado e moldado pela vida, pela vivência, pelas necessidades. Pude notar ao longo do seu curso na FGV, o quanto havia colegas despreparados. Faltava ética, faltava comprometimento, faltava vontade de aprender. Sobrava vontade de ter um diploma da Fundação. Só. Na cerimônia, ainda houve chistes a respeito das listas de presença assinadas por outros colegas e dos trabalhos que muitos não fazem e apenas colocam seus nomes. É para isso que serve um diploma?

No exercício da minha profissão anterior, Consultora em Recursos Humanos, entrevistei muitos executivos e tive contato com tantos outros. Entrevistei pessoas que tive pena. Anos e anos de investimento acadêmico e o mais importante lhes faltava: a maturidade da vida. Vale a ressalva de que quem me ensinou a arte dos Recursos Humanos foi a vida.

Costumo dizer que pessoas que não se encontram na vida, falo profissionalmente, costumam cursar na Universidade algo que tenha a ver com aquilo que já trabalha. Louvável. Outras pessoas são decididas e tem desde a infância a convicção do que seguirão em suas carreiras. Após o diploma, descobrem que não era nada daquilo e seguem seus instintos, seguem o curso que a vida lhes impõe.

Sou a favor de um diploma de nível superior. Cursar uma faculdade abre horizontes que a vida profissional não dá a oportunidade. É muito estresse, muito desgaste, mas muito aprendizado, que é o que vale a pena. Claro, aprendizado só para quem quer aprender.

Ontem comentei com meu marido sobre os cursos universitários que o Brasil oferece. Acho que o MEC deveria rever muitas coisas, dentre elas, a obrigatoriedade, em qualquer curso superior, das disciplinas de Filosofia, Sociologia, Psicologia e Ética. São, na minha humilde opinião, matérias imprescindíveis, indissociáveis e primordiais. A Filosofia leva o indivíduo a pensar. A Sociologia ensinará como surgiu a sociedade e como ela funciona. A Psicologia mostra ao indivíduo como funciona o seu próprio ser. E a Ética... ah, a Ética é matéria de vida. Tenho que aqui me contradizer e afirmar que não sei se Ética se ensina em alguma escola. Mas pode-se tentar.

Para complementar minha idéia, fica aqui o link do blog do Marcelo Rubens Paiva, que faz uma intertextualidade muito boa com outros colegas jornalistas, estudantes e aqueles que apenas frequentam a Universidade. Leiam do começo ao fim, pois vale a pena.

3 comentários:

  1. Ótima polêmica! Meus dois primeiros anos de faculdade foram aproveitados no bar, jogando truco. Os dois últimos eu não frequentava, pois tinha que trabalhar e os professores entendiam minha ausência. Viva o Brasil!

    ResponderExcluir
  2. Entao... outra polêmica boa deveria ser a obrigatoriedade de um teste de maturidade para entrar na faculdade, pq tem gente que não passou nem do estágio JARDIM DA INFÂNCIA... por ora, vale a pena ler o Paiva, os textos estão ótimos!

    ResponderExcluir
  3. Cheguei aqui ontem e não consigo parar de ler seus textos.

    Me formei pela Universidade de São Paulo, lá temos o Ciclo básico e essas disciplinas são obrigatórias.

    E por não ser específica do curso muita gente não dá importância. Triste isso. Deveriam aproveitar a oportunidade para aprender.

    Atualmente o curso superior está banalizado, infelizmente.

    Beijos.

    ResponderExcluir