quinta-feira, 28 de maio de 2009

VEMCHA (ou Japinha para os menos íntimos)


Na vida, aprendemos a admirar muito a pessoas que pouco conhecemos. Ao mesmo tempo, conhecemos muito alguém que não conhecemos nada. Paradoxal? O que não é na vida?

Hoje é aniversário da minha cunhadinha. Tenho duas cunhadas. Uma é a irmã do meu marido. A outra, a esposa do meu irmão. É a segunda quem aniversaria, e a chamo de cunhadinha, pois é casada com meu irmãozinho. Na verdade, não a chamo de cunhadinha não. Chamo-a de VEMCHA. Mas o significado dessa sigla levou semanas até que ela conseguisse desvendar cada letra. E duvido que alguém que não faça parte do nosso contexto histórico consiga tal proeza.

Por quê digo que pouco a conheço? Meu irmão foi o maior galinha que já conheci. Moleque feio e falastrão, mas vivia cheio de mulheres. Na verdade, de mulherões. Nunca vi igual. Dizem que a inteligência atrai mais as pessoas que a própria beleza. A máxima é verdadeira e meu irmão está aí para comprovar. Inteligente inato, humor inegável, alegria contagiante. Mas ex-galinha. Vivia aparecendo com namorada nova. Cada mês era uma. Até que tive uma conversa séria com ele. Papo cabeça, desses que só irmãos conseguem ter. Deitamos no chão do quarto do meu filho e lá passamos um bom tempo falando sobre nossos maiores problemas: o dele, medo de assumir um relacionamento, leia-se, casamento. O meu, emagrecer. Fomos buscar lá nas nossas infâncias as origens dos nossos problemas e medos. Resolvemos apostar: eu teria que emagrecer e ele casar. Estabelecemos prazo e multa para quem não cumprisse sua parte no trato.

Em novembro de 2007, foi aniversário dos meus filhos. Minha filha faria 8 anos e o pequeno 2. Eles tem seis dias de diferença na data do nascimento, o que até aquele momento, me permitia fazer uma única festa. Mandei o convite para meu irmão, que já sabia pela minha mãe, andava de namorada nova. O enunciado: “festa vegetariana, proibida a entrada de frangas”. Ele ligou para minha mãe e para minha irmã. Pediu que me convencessem a deixar levar a namorada.

Eu já havia dito a ele que não queria mais namorada nenhuma dele na minha casa. Que moral ele, único tio, teria com a sobrinha e com o sobrinho, aparecendo em casa cada semana com uma franga diferente? Nenhuma. Portanto, estava fora de cogitação levar a nova namorada. Minha mãe intercedeu a favor do filhinho, disse que agora era sério. Minha irmã também o apoiou. Liguei para ele e permiti que levasse a franga nova, desde que ela levasse presente. Pelo menos, na semana seguinte, quando nunca mais tivesse notícias da menina, teria algo para recordar.

Eis que ele chega com a menina. Uma japa. E nunca tinha visto meu irmão com nenhuma japa. Toda sorridente, livre, expontânea. Parecia que já era de casa há tempos. Claro que intimidei a menina a festa inteira, mas ela reagiu numa boa. Tirou fotos com a família toda e não teve ninguém que não gostasse da tal japinha. Até a dona da escola do meu filho, uma senhora muito vivida, tem até hoje recordações da “doce namoradinha” do meu irmão.

As festas de final de ano passaram, como sempre, cada um para seu lado. Chega em janeiro, já estávamos em 2008, liga meu irmão dizendo que precisa falar sério comigo. Pensei na hora: “a Japa está grávida”. Mulherengo e safado do jeito que o cara era, sempre estranhei o fato de não ter sobrinho vindo da parte dele. A conversa precisava ser pessoalmente, o que enfatizava minha certeza. Marcamos no sábado. Chegaram os dois. Junto, chega um casal de amigos, de surpresa. Fiquei inquieta. Olhava a barriga da Japa sem parar. Não via a hora do casal ir embora, para que os dois me confessassem. Como percebi que a visita se estenderia, puxei assunto: “vai, fala logo senão morro de curiosidade”. Meu irmão, cara de pilantra como nunca, enrolou e disse: “vamos para a Irlanda estudar, por um ano”.

Minha reação foi de muita alegria. Não pelo fato de não ter outro sobrinho a caminho. Mas pelo fato de ele estar assumindo com alguém a tal da relação séria, madura e estável. Também pelo fato de estarem indo embora do Brasil, desbravar o mundo gigante que existe ao nosso redor e que pouco temos oportunidade de conhecer. O embarque seria em menos de dois meses.

Como se pode perceber, tive poucos contatos físicos com a tal Japinha. Os dois últimos foram durante a organização da ida deles para a Irlanda, aquela coisa meio afobada de “precisamos nos ver muito, pois a próxima pode demorar”. Não fui ao aeroporto na despedida. Não deu. Mas foi melhor assim, pois despedidas em aeroporto são meio fúnebres, dá a sensação de “nunca mais nos veremos”.

Com a ida dos dois para a Ilha, fui criando uma proximidade com a Japinha. Fui conhecendo-a aos poucos, aprendendo a admirá-la cada dia mais. Sabe essas pessoas especiais? É assim minha cunhadinha. Ela já é especial pelo fato de ter casado com meu irmão. Mas isso é detalhe. Ela é centrada, inteligente, ponderada, culta, amiga, tem um coração gigante, é de uma simplicidade ímpar, e tem dentro de si a característica mais importante que há no indivíduo: a humildade.

Sempre tive medo do meu irmão casar-se com uma pessoa chata, que não permitisse que eu tivesse contato próximo com meus sobrinhos (se é que o cara vai fazer filhos um dia). Hoje, tenho certeza que os filhos da Japinha, meus sobrinhos, serão crianças próximas, que poderei ensinar tudo de ruim que uma tia ensina, que poderei apertar, beijar e amar. Que meus filhos amarão e criarão laços afetivos, como deve ser a relação entre primos.

À minha cunhadinha querida, Japinha, VEMCHA, desejo saúde, amor, paz, sabedoria, prosperidade, fertilidade (que venham os japinhas), paciência (afinal, casou-se com o meu irmão), inteligência. Desejo tudo de bom que se pode desejar àqueles que amamos. Parabéns não só pelo aniversário, mas por ter laçado o cara que te chama carinhosamente de Japinha. PARABÉNS VEMCHA. LOVE Ú!

6 comentários:

  1. VEMCHA!!!

    Você me fez chorar!!! De alegria, de emoção, de felicidade por fazer parte desta família muitíssimo mais que especial.

    Meu dia começou melhor ainda por sua causa. E além de agradecer os parabéns, quero registrar que também te admiro muito e que você escreve bem pra c.......!!

    Milhões de beijos!!!

    VEMCHA

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  2. Tá, tá, tá.
    Muito mela mela entre as duas aí.
    Bora criar um climinha estranho ou alguma discordância. Não quero saber de cunhadinhas aliadas.
    Anyway... parabéns, japinha amada da minha vida.
    amo as duas

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  3. Buá, buá, buá... saibam os 2 q estou sempre feliz por estarem aí, vibro com as conquistas e as viagens e nem sinto saudade... de verdade, pq nossos papos em Skype amenizam a tal... mas agora to chorando, deu uma vontade de abraçar... love ú both!

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  4. Ah, em tempo... falei pro Toru q a família dele era estranha... ele me questionou: "e como se a sua não fosse". Respondi na lata que na minha família tinha louco só... e na sua VEMCHA?

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  5. Hehehe Nunca conheci nenhuma família sem loucos! Isso não existe e é mais legal assim!!!

    Abraçooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooo

    Sentiu::

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  6. abraço dos de urso pra vc, gorducha!
    bjoca tb

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